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Entrevistas
Antigo aluno UA - David Carvalhão, licenciado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações
Uma carreira de êxitos numa vida sempre em busca de desafios
David Carvalhão
É um empreendedor compulsivo. Tem 38 anos e já fundou 16 empresas entre Portugal, os EUA e a Roménia, todas elas na área da tecnologia. Pelo meio, David Carvalhão fundou três associações, registou várias patentes e viajou um pouco por todo o mundo. Licenciado em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações na Universidade de Aveiro (UA) em 2003, David Carvalhão, incansável, está hoje a lançar um novo fundo de investimento em tecnologia sob a égide da Entropic Ventures.

Depois de ter terminado a licenciatura [atualmente é um mestrado integrado] em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), que caminhos tem David Carvalhão percorrido?

“Não é uma pergunta de resposta fácil”, aponta. O enorme e diversificado currículo profissional que desde então foi construindo é o culpado pela hesitação. Senão, vejamos. Foi gestor de projetos de alto-risco até 2006, altura em que criou a primeira de muitas empresas, a Edge Consulting. Seguiu-se a WittIT, corria o ano de 2008.

Desde então fundou um total de 16 empresas (algumas patrocinam eventos da UA, como é o caso do Concurso de Computação Móvel) distribuídas entre Portugal, os Estados Unidos e a Roménia. Todas elas têm como alvo a área da tecnologia e nasceram dentro do grupo e.gen Ventures, no qual mantém participação. Uma das empresas foi mesmo distinguida com os prémios Deloitte FAST500 e Melhor Empresa para Trabalhar. Desenvolveu também atividade como diretor de inovação, sendo co-inventor de três patentes.

Atualmente desenvolve atividade como business angel e public speaker e está a caminho de mais uma aventura empresarial com o lançamento de um fundo de investimento na área da tecnologia dentro do grupo da Entropic Ventures. Paralelamente, foi sóciofundador de três associações, uma das quais a Associação de Electrónica, Telecomunicações e Telemática da UA. O currículo imenso e recheado de sucesso valeu-lhe mesmo a presença na publicação da UA "40 anos, 40 inventores, 40 empreendedores".

Recentemente foi concluído com sucesso o projeto de inovação Your Lunch Pal, que promoveu através de uma das suas empresas, cofinanciado pelo IAPMEI através do QREN ID&T, no qual contou com uma participação crucial do Departamento de Química da UA, com uma equipa de investigação liderada pelo professor Manuel Coimbra. “Atualmente tenho a incubar na IEUA uma startup participada pela Edge Innovation, chamada Heaboo, que é liderada por um outro alumni, o Rui Teixeira”, lembra David Carvalhão. É mesmo à UA que “venho buscar alguns dos melhores profissionais com que conto e algumas das melhores ideias para startups”.

Atividade profissional frenética

“Frenética”. É com esta palavra que descreve a sua atividade profissional. E faz de propósito porque o verbo parar não faz parte de maneira nenhuma do dicionário de David Carvalhão. “Procuro expor-me a novas ideias e projetos e frequentemente tenho dificuldade em escolher, por isso acabo envolvido em mais coisas do que a minha saúde gostaria”, admite. Mas o fascínio enorme que sente com o que faz, principalmente pela aprendizagem constante com as pessoas que vai encontrando, não o deixa descansar à sombra do caminho percorrido.

“Encontro frequentemente pessoas com ideias altamente disruptivas que obrigam a reinventar toda a visão que temos dos problemas e da sociedade. Nesse descobrir que o que sei agora já não se aplica surge uma abertura para a vida que me apaixona”, diz. Por isso, não é por acaso que ainda hoje, tal e qual como quando chegou à UA para estudar, não sabe dizer exatamente que profissão quer ter. “Considero-me em constante formação e regularmente vou descobrindo novos caminhos para trilhar”, admite David Carvalhão.

UA, uma escolha pelo futuroAos 18 anos deixou para trás a Figueira da Foz, de onde é natural, para rumar até à cidade de Aveiro. Escolheu a UA para estudar porque era a opção mais óbvia para dar asas às suas paixões. “A UA era, para a área  que escolhi, a Universidade mais dinâmica do país, com muita ligação à indústria e à inovação. Tinha ainda um campus e uma filosofia que eram inovadores em Portugal. Para além do mais a vida académica de Aveiro atraía-me mais do que a de Coimbra, que já conhecia bem enquanto figueirense”, recorda David Carvalhão.

Do curso e da UA guarda a certeza de terem cumprido com todas as expectativas que trazia ao chegar à cidade que o acolheu de braços abertos. “Sem dúvida, ambos corresponderam. Principalmente a UA, que me permitiu participar de diversas formas e crescer enquanto indivíduo, o que considero mais estruturante na pessoa que hoje sou do que a mera formação técnica”,admite o antigo estudante.

Aliás, é da vida académica que tem as melhores recordações. Desde a Comissão Pedagógica, associações, o UniverCidade, Orfeão e, claro, Faina Académica, à qual continua ligado enquanto Mestre Cagaréu, “tudo o que pude fazer de forma complementar aos estudos” fez. David Carvalhão lembra ainda que teve “a sorte de conhecer pessoas fantásticas” que ainda hoje conta entre os melhores amigos e que “moldaram de forma inequívoca” a sua vida para sempre.

Mais uma pergunta de difícil resposta: que competências adquiridas na UA foram fundamentais para o exercício da sua atual atividade? “Eu diria as competências sociais, as afamadas soft-skills, capacidade de organização, comunicação e liderança”, tenta responder. Hesita… “Mas creio que estas só se tornam tão importantes no que é a minha vida porque a qualidade da formação técnica é um dado adquirido”, diz.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 25 da revista Linhas.

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