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Entrevistas
Antiga Aluna UA – Cassandra Pedro, licenciada em Terapia da Fala e mestre em Ciências da Fala e Audição
No Canadá a praticar novas metodologias de avaliação e intervenção em Terapia da Fala
Cassandra Pedro, antiga aluna da UA
Sempre teve uma vontade insaciável de aprender novas metodologias de avaliação e intervenção em Terapia da Fala e é por isso mesmo que Cassandra Ferreira Pedro, 26 anos, se sente como peixe na água na “Mediated Learning Academy”. Há quase um ano nesta escola de Vancouver (Canadá) dedicada ao ensino de crianças com necessidades especiais, a Terapeuta da Fala e mestre em Ciências da Fala e Audição pela UA faz parte de uma equipa de trabalho que ajuda a potenciar mudanças significativas nos processos de aprendizagem de crianças com diversos diagnósticos, através do uso de “mediated learning experiences”.

Na Universidade de Aveiro licenciou-se em Terapia da Fala, em 2012, e logo depois concluiu o mestrado em Ciências da Fala e da Audição, com uma dissertação intitulada “A importância dos estímulos visuais em crianças com atraso fonológico”. Como estagiária de Terapia da Fala teve oportunidade de exercer funções no Agrupamento de Escolas de Esgueira, na Unidade de Cuidados Continuados de Arganil e no Hospital de Viseu. Como Terapeuta acompanhou crianças em idade pré-escolar/escolar em clínicas privadas e no Centro Paroquial de S. Bernardo, ambos situados na cidade de Aveiro.

Esteve um ano e meio na Noruega, onde pôde acompanhar crianças com autismo/perturbações globais em contexto de sala de aula e agora em Vancouver acompanha crianças com diversos diagnósticos numa escola especificamente direcionada a crianças com necessidades especiais. “Estou a enriquecer a minha aprendizagem”, admite esta antiga aluna da UA.

 

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?
A razão principal reside no facto de todo o meu percurso académico desde criança ter acontecido em Aveiro. Apesar de me ter candidatado a outras universidades, a minha preferência seria prosseguir os meus estudos universitários em Aveiro. O gosto pelas perturbações da comunicação definiu a minha preferência pela Terapia da Fala e a Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA), pela exigência e qualidade de ensino, fortaleceu a minha motivação de alcançar os meus objetivos.

O curso correspondeu às suas expetativas? E a Universidade de Aveiro?
É com agrado que saliento que a ESSUA conta com docentes de excelente qualidade que tornam o ensino na área da Terapia da Fala extremamente enriquecedor. A Escola é uma mais-valia para qualquer estudante que queira atingir uma base sólida de conhecimento para um futuro de sucesso. O meu percurso universitário na ESSUA fica marcado por um ambiente de aprendizagem desafiador e também por rigorosos estágios profissionais que contribuíram para aprofundar o conhecimento teórico adquirido durante cada semestre intensivo de estudos. Este conjunto de fatores define a minha forte motivação de aprendizagem contínua como Terapeuta da Fala.

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro?
Sem dúvida ter tido o privilégio de realizar o Mestrado em Ciências da Fala e da Audição sob supervisão do Professor Doutor Luís Jesus e da Professora Doutora Marisa Lousada. Felizmente, continuo a colaborar com estes dois Professores, dado estarmos em fase de submissão de artigos científicos relacionados com a área das competências de pré-literacia.

Sempre soube a profissão que queria seguir?
Eu queria ser Professora de Ensino Especial, mas no final optei por me candidatar ao curso de Terapia da Fala. A complexidade das áreas da Terapia da Fala deixou-me verdadeiramente fascinada. O passar dos anos leva-me a crer que esta é, indubitavelmente, a profissão ideal para mim.

Foi fácil entrar no mercado de trabalho? Porquê?
Penso que não foi difícil entrar no mercado de trabalho em Portugal, pois comecei a exercer funções como Terapeuta da Fala logo após o término da licenciatura. As referências ao meu perfil profissional, relatados pela Professora Marisa e pelo Professor Luís Jesus, foram fatores que contribuíram para essa facilidade.


Experiência além fronteiras

O que o levou a optar por ir para o Canadá?
Sempre tive curiosidade de visitar o Canadá, pois nasci na província de Manitoba. No entanto, os meus pais decidiram regressar a Portugal quando tinha 2 anos, o que faz com que não tenha muitas recordações da cidade canadiana onde nasci. Curiosamente, ainda não a conheci, pois Vancouver fica bastante longe de Manitoba. Mas a vontade de enfrentar novos desafios foi uma das maiores razões para viver uma experiência além-fronteiras, no Canadá, onde estou a exercer funções desde Setembro 2015. A Mediated Learning Academy é uma escola que apresenta a estrutura/organização ideal para fomentar a minha vontade insaciável de aprender novas metodologias de avaliação e intervenção em Terapia da Fala.

Que funções desempenha exatamente e como descreve o seu dia a dia profissional?
O meu horário de trabalho está coordenado com o das minhas colegas, portanto tenho supervisão todos os dias, sobretudo para os casos mais difíceis, o que resulta numa grande mais-valia, pois no final de cada sessão discutimos o modo como correu e definimos em conjunto o plano para a sessão seguinte. O dia a dia é muito intenso:  há sessões de terapia para realizar e, frequentemente, reuniões com os Professores das crianças. Eu e uma Professora de Ensino Básico somos responsáveis por um clube intitulado “crafty club” que decorre uma vez por semana durante 25 minutos (hora de almoço). Temos assim oportunidade de interagir com as crianças em diversos contextos de aprendizagem.

O que mais a fascina no seu trabalho?
Apesar de ter trabalhado em algumas instituições em Portugal, considero a Mediated Learning Academy uma instituição de ensino única por variadíssimas razões, entre as quais destaco por exemplo o máximo de 10 alunos por sala; aproximadamente um Professor Assistente por aluno; várias salas de trabalho individual (ambiente calmo e silencioso); várias salas de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Terapia da Fala e Psicologia; e um método de ensino/aprendizagem baseado no “Brain based teaching” (recetividade nula ao método Applied Behavior Analysis (ABA); desenvolvimento ativo das capacidades cognitivas necessárias para alcançar sucesso educativo; uso de estratégias específicas baseadas nos conhecimentos científicos da neurociência)

A língua foi um problema?
Tive aulas com o Professor Roger Phillips, do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, enquanto estive na Noruega. Tínhamos conferências via skype quase todos os dias. O Professor Roger Phillips ajudou-me imenso a melhorar o meu inglês. Por outro lado, desde sempre gostei muito de aprender inglês, o que me fez frequentar algumas escolas privadas ainda em Aveiro. Neste momento, faço um esforço diário para aprender ainda mais o que me faz sentir mais à vontade em vários contextos do dia a dia.

O que não esquece dos seus primeiros momentos passados em Vancouver?
Nunca me irei esquecer da primeira reunião que tive com a Diretora da Mediated Learning Academy e Terapeuta da Fala, Ingrid Jeffrey, e da oportunidade fabulosa de trabalho que me permitiu “voar” mais além. Nunca me irei esquecer do quão difícil foi adaptar-me a um novo contexto de trabalho, colegas, métodos de avaliação e de intervenção. Nunca me esquecerei do quão difícil foi e é estar ausente do aconchego da família e amigos. Nunca me irei esquecer do quão difícil foi e é falar com os meus pais durante a semana devido à grande diferença horária em Vancouver e Portugal.

Onde se vê daqui a 10 anos? Regressar a Portugal está nos seus projetos futuros?
Sempre fui uma pessoa de fazer muitas previsões, mas as várias experiências pessoais e profissionais têm-me ensinado que nem sempre é bom viver na expetativa de alcançar o que prevemos. Neste momento, tenho algum cuidado em fazer previsões pois estas aumentam os meus níveis de ansiedade que afetam o meu desempenho no dia a dia.

Tenho a salientar que o meu coração lusitano nunca deixará de “palpitar” por todos os que me preenchem emocionalmente e que neste momento residem a milhares de quilómetros de distância de mim. Sem dúvida que todos eles tal como eu estamos expectantes de um regresso a Portugal num futuro próximo. Agora penso em concentrar-me na experiência enriquecedora que se encontra em decurso no Canadá.

 

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