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Cerimónia incluiu apresentação de livro sobre história da UA
“Honoris Causa” distingue parceria e desafio científico-tecnológico do pré-sal brasileiro
Honoris Causa contou com a presença de Passos Coelho e  de Nuno Crato
O enorme desafio científico, tecnológico e financeiro da exploração de hidrocarbonetos, já comparado ao esforço para colocação do Homem na lua, nos anos 60, foi assinalado com o “Honoris Causa” ao brasileiro José Formigli Filho e a Manuel Ferreira De Oliveira. O significado político e económico desta parceria entre universidade e empresas, para o país e para as relações Portugal-Brasil e também com os países da CPLP, ficou expresso com as presenças do Primeiro-Ministro e ministro da Educação e Ciência na Universidade de Aveiro (UA). Na sessão, integrada no programa dos 40 anos da UA, foi apresentado o livro sobre a história organizacional da instituição, da autoria de Jorge Arroteia.

Se dúvidas houvesse na importância geopolítica, económica e científica para o país da colaboração entre universidades e a dupla Galp Energia/Petrobras na exploração de petróleo e gás a grandes profundezas oceânicas, seriam dissipadas com os discursos e as presenças na cerimónia de Doutoramento Honoris Causa, dia 9 de janeiro, na UA. A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa a José Formigli Filho, diretor de Exploração e Produção da Petrobras, e a Manuel Ferreira De Oliveira, Presidente Executivo da Galp Energia, decorreu com as presenças do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, e do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, de embaixadores e diplomatas de vários países da CPLP, empresários e académicos.

A distinção visa também “enaltecer um enorme projeto coletivo, a resposta a um desafio transcendente, que a extração de petróleo da camada do pré-sal, numa extensa faixa do offshore brasileiro, vem constituindo”, assinalava o Reitor da UA, Manuel António Assunção. Um trabalho “que agiganta quem o executa e quem cria as condições científicas, tecnológicas e financeiras para que possa acontecer”, acrescentava a seguir Manuel Ferreira De Oliveira, e já “considerado equivalente ao esforço dos Estados Unidos de colocação de um homem na lua e do seu regresso seguro à terra, concluído com sucesso no século passado”. Na prática, chega-se a explorar hidrocarbonetos a cerca de 300 quilómetros da costa, procurando interpretar e conhecer formações geológicas existentes a mais de 7000 metros de profundidade, em lâminas de água com mais de 2000 metros, recorrendo a inovadoras tecnologias de recolha e processamento de informação.

Investigação multidisciplinar

A multidisciplinaridade do desafio está expresso nas assinaturas da proposta de atribuição do Honoris Causa. Na sequência de uma primeira ideia avançada pelo Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, a proposta foi subscrita por seis outros Departamentos: Geociências, Química, Ambiente e Ordenamento, Engenharia de Materiais e Cerâmica, Biologia e Engenharia Mecânica. Projetar, perfurar e colocar em produção poços em reservatórios localizados nestas formações geológicas, “é um trabalho que beneficia da quase totalidade das disciplinas de engenharia, todas elas recorrendo a processos e tecnologias na fronteira do conhecimento e da experiência operacional”, caraterizou o presidente executivo da Galp Energia.

Manuel Ferreira de Oliveira sublinhou ainda que, “mesmo para cenários ambiciosos de crescimento da energia não fóssil, o peso dos hidrocarbonetos no mix energético não será menor do que 75 por cento para meados do presente século” e salientou a importância estratégica para Portugal da participação no projeto do pré-sal, tanto mais que dos novos recursos descobertos, entre 2006 e 2012, totalizando 216 Bboe (mil milhões de barris de petróleo equivalente), cerca de 48 por cento correspondem a descobertas no offshore profundo e, destes, 52 por cento foram descobertos em Angola, Brasil e Moçambique.

Contrariando quem pensa que o pré-sal se queda apenas por estudos, José Formigli Filho, também distinguido com o “Honoris Causa” pela UA, salientava na véspera de Natal de 2013 foi batido um novo recorde de produção petrolífera no pré-sal brasileiro, com 371 mil barris por dia. O diretor de Exploração e Produção da Petrobras salientou a importância das parcerias com as portuguesas Galp – parceira em 20 projetos em sete bacias sedimentares - e Partex e com as universidades para ultrapassar os constantes desafios tecnológicos que se colocam neste regime de exploração. O sucesso do trabalho pioneiro, a nível mundial, tem impulsionado a investigação e levado progressivamente a novos projetos, várias vezes premiados. O responsável da Petrobrás considerou o “honroso título” uma forma “indissolúvel” de reforçar os laços entre a empresa que dirige e a UA.

UA é parceira de grande desafio do conhecimento

Da colaboração entre a UA e a Galp Energia, destacam-se duas iniciativas: o Programa de Doutoramento em Engenharia da Refinação, Petroquímica e Química, que envolve consórcio de cinco universidades e a Associação das Indústrias da Petroquímica, Química e Refinação, e o Programa Galp 20-20-20, que anualmente, em parceria com mais de 50 empresas, apoia dezenas de alunos na identificação de sistemas e comportamentos energéticos racionais, aplicáveis na indústria e em edifícios. Decorreu em 2012, no Brasil e em Portugal, a primeira fase do curso de Geoengenharia de Depósitos Carbonatados, no âmbito da parceria entre a Galp e a Petrobras, sendo a UA uma das três universidades portuguesas participantes.

O presidente executivo da Galp Energia, um dos dois distinguidos neste cerimónia, é “um dos melhores gestores portugueses e dos portugueses mais prestigiados a nível internacional”, considerou João Paulo Oliveira, membro do Conselho Geral da UA, representante em Portugal do Grupo Bosch, e encarregue do elogio ao novo Doutor Honoris Causa. O homenageado foi investigador e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, um dos fundadores bem-sucedido Grupo de Análise, Otimização e Fiabilidade de Redes Elétricas até 1980, ano em foi ocupar um lugar na empresa de Petróleos da Venezuela. O sucesso alcançado levou-o a Londres, onde foi administrador de uma Joint-Venture entre a BP e a Petróleos da Venezuela. Em 1995 foi nomeado presidente da Comissão Executiva da Petrogal, entre 2000 e 2006, foi Presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da UNICER, SA, e em 2006 passou a ser Presidente da Comissão Executiva da Galp.

Sobre José Formigli Filho, disse o padrinho, o investigador do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos, João Coutinho, no elogio ao distinguido, mais que “um homem que estava no lugar certo no momento certo”, é antes “alguém que se soube fazer o homem certo para cada lugar a que a sua atividade na Petrobras o levou, do Rio Grande do Norte às plataformas de Macaé, no Rio de Janeiro ou capitaneando a epopeia do pré-sal”. “Um homem cuja formação pessoal e académica foi formatada por uma postura militar de rigor e exigência, de espírito de serviço à sociedade, com uma simplicidade e sobriedade que são apanágio dos grandes líderes que conseguem os resultados desejados através dos outros para o benefício de todos”.

A sessão incluiu ainda a apresentação de “A Universidade de Aveiro e os seus contextos (1973-2013)”, da autoria de Jorge Carvalho Arroteia, geógrafo e professor aposentado do Departamento de Educação, considerado pelo Reitor da UA “uma análise bem enquadrada, um estudo compilado muito bem vindo, abrangente e de grande fôlego, uma oferta de muito carinho para a UA, no momento da celebração das suas quatro décadas”.

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