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Opinião
(H)À Educação: Anabela Pereira, professora da UA, e Lara Pinho, enfermeira especializada
Estigma na doença mental: como educar para a mudança?
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o estigma é a principal barreira para a pessoa com doença mental, sendo, portanto, essencial que se implementem estratégias para a sua redução, aumentando a literacia em saúde mental.

O alerta é de Anabela Pereira e Lara Pinho, do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), na rubrica (H)À Educação. 

O Dia Mundial da Saúde Mental (10 de outubro) tem no presente ano o tema “Trabalhando juntos para prevenir o suicídio”, sendo um dos objetivos, reduzir o estigma associado ao suicídio e  implementar mudanças promotoras da saúde e  bem-estar.

As doenças mentais podem surgir em qualquer pessoa e em qualquer fase do ciclo vital, podendo prejudicar o funcionamento social e ocupacional. Na atualidade, os cuidados à pessoa com doença mental estão humanizados, existindo inúmeras estratégias psicossociais para ajudar na sua recuperação, mas nem sempre assim foi. No passado, estas pessoas eram consideradas “loucas” e tratadas de forma violenta, em asilos, separadas da sociedade. A “loucura” era muitas vezes associada ao misticismo, pensando-se que a pessoa estaria possuída pelo demónio.

Assim, o medo do desconhecido, a incompreensão por alguns comportamentos incomuns e as falsas crenças, levaram a sociedade a estigmatizar a pessoa com doença mental, deixando-a à margem e cada vez mais isolada. Apesar dos tempos terem mudado, o estigma ainda prevalece na atualidade, podendo retardar ou impedir a procura pelos cuidados de saúde e agravar a doença mental. Os mitos de que as pessoas com doença mental são incapazes, violentas e responsáveis pela sua doença permanecem enraizados na sociedade e aumentam a estigmatização.

Além disso, a desconfiança no desempenho da pessoa que padece de doença mental leva, muitas vezes, ao desemprego, conduzindo a pobres condições sociais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o estigma é a principal barreira para a pessoa com doença mental, sendo, portanto, essencial que se implementem estratégias para a sua redução, aumentando a literacia em saúde mental.

As abordagens educativas, baseadas na evidência, promovem a literacia em saúde mental, diminuindo ou eliminando as falsas crenças e impulsionando à reflexão e à mudança de atitudes. Esta mudança de paradigma, poderá influenciar a procura de ajuda atempadamente, e, em sua consequência, melhorar o prognóstico.

Assim, algumas estratégias que devem ser utilizadas são as campanhas informativas, o uso de plataformas digitais,  as sessões educativas dirigidas a grupos, nomeadamente, a jovens e o contacto com as pessoas com doença mental. Esta sensibilização deve iniciar-se nas escolas, sendo essencial a implementação de estratégias precoces em crianças e em particular adolescentes, dado ser a fase do ciclo vital de consolidação da identidade pessoal e social. Contudo, tais estratégias deverão ser extensivas ao longo do ciclo de vida.

 

Anabela Pereira

Professora do Departamento de Educação e Psicologia e investigadora do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro

anabelapereira@ua.pt

 

Lara Pinho

Enfermeira Especialista em Saúde Mental na USF Arte Nova - ACeS Baixo Vouga, investigadora na Universidade de Évora

 

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