conteúdos
links
tags
Investigação
UA recebe financiamento do Fundo de Conservação dos Oceanos para estudar berbigão
Berbigão vai ser estudado por investigadores do CESAM com apoio do Fundo para a Conservação dos Oceanos
Apesar de desempenharem um papel crucial no ecossistema e da sua importância na economia das zonas costeiras e da região, o berbigão é um ilustre desconhecido para a ciência quanto à sua distribuição, evolução e sanidade das suas populações na ria de Aveiro. Por isso, o projeto COACH – “Uma abordagem cooperativa aplicada à conservação e gestão de berbigões” foi dos três financiados pelo Fundo de Conservação dos Oceanos.

Fatores como doenças emergentes, sobrepesca, gestão ineficiente e degradação das condições ambientais têm sido apontados como os principais impulsionadores do declínio da produção de berbigão em várias regiões, o que tem levado a elevados impactos económicos e ecológicos. Este cenário tem graves consequências no fornecimento de serviços do ecossistema, com impactos na estrutura social das comunidades costeiras.

Os stocks de bivalves são recursos renováveis desde que seja assegurada a sua capacidade de auto-renovação. Isto requer uma gestão de recursos eficiente; ou seja, um controlo do limite da quantidade de recurso que é colhida, que deve corresponder a um valor que permita a sua sustentabilidade a longo prazo.

Assim, o projeto COACH, proposto pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA), tem como objetivo recolher informações multifatoriais sobre a pesca de berbigão, a sua biologia e as características físico-químicas dos bancos naturais onde ocorre. Mais concretamente, pretende-se avaliar o desempenho e aptidão da população de berbigões, através da determinação da sua distribuição, abundância, dinâmica populacional e saúde reprodutiva. O projeto irá identificar os principais impulsionadores do declínio e/ou sucesso das populações de berbigão após uma análise exaustiva do esforço de pesca, fatores abióticos e doenças. Esta informação permitirá estimar a distribuição potencial da espécie na Ria de Aveiro e prever, através do mapeamento do habitat baseado na modelação de nicho ecológico, tendências futuras sob diferentes cenários de alterações climáticas. Outro dos principais resultados deste projeto será a constituição de uma cooperativa da pesca do berbigão. Assim, como corolário, o projeto COACH pretende desenvolver ferramentas de apoio à gestão da pesca de berbigão visando a sua sustentabilidade, bem como, o desenvolvimento de ações de conservação deste importante recurso natural da Ria de Aveiro contribuindo desta forma para assegurar a continuidade dos serviços económicos, sociais e ambientais suportados por esta espécie na região.

descrição para leitores de ecrã
"Luísa Magalhães coordena estudo sobre berbigão na ria de Aveiro."

O projeto COACH, coordenado pela investigadora Luisa Magalhães, do laboratório associado CESAM e Departamento de Biologia da UA, foi financiado pelo Fundo de Conservação dos Oceanos em 57 mil euros. Os restantes dois projetos financiados por este fundo incidem sobre corais e esponjas de profundidade e sobre a lapa gigante das ilhas Selvagens.

A coordenadora considera que este prémio contribuiu para dar credibilidade ao trabalho que tem vindo a tentar desenvolver. “Para além disso, foi importante perceber que as ideias que à partida parecem simples, que incluem ciência fundamental, também têm valor e merecem ser financiadas”. A nível pessoal, acrescenta ainda: “Será um prazer trabalhar na ligação ciência-sociedade que é uma das áreas que mais me fascina neste mundo académico”. “Para a equipa foi mesmo um belo presente”, salienta.

Complementarmente, Luísa Magalhães explica que este financiamento “vai ajudar a reforçar ligações entre Investigadores da UA de áreas de especialização completamente distintas e vai dar visibilidade ao bom trabalho que por cá se faz”.

imprimir
tags
outras notícias