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Opinião
Opinião de Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro
Tecnologia, inovação e criatividade
Paulo Jorge Ferreira, Reitor da UA
A importância da componente cultural e da criatividade no contexto da revolução tecnológica que está a transformar a sociedade do século XXI é o tema do artigo de opinião que Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro, assina este mês no Jornal de Notícias.

Portugal tem procurado estar na linha da frente na transformação dos nossos espaços urbanos em cidades inteligentes. O desafio passa pela colocação da tecnologia ao serviço da qualidade de vida das populações.

As intenções são as melhores, mas não podemos reduzir o progresso e a inteligência das comunidades a fatores tecnológicos, como se o 5G, big data ou blockchain pudessem resolver por si só todos os problemas das comunidades. A mera abundância de dados dificilmente resolve problemas sociais. A "infraestrutura material" não substitui a "infraestrutura simbólica", como tão bem salienta Daniel Innerarity, um dos maiores pensadores da atualidade e convidado especial da cerimónia do 46º aniversário da Universidade de Aveiro, no próximo dia 16 de dezembro.

Há muitos problemas, como as alterações climáticas, o desemprego ou as desigualdades sociais, por exemplo, que não se resolvem apenas com tecnologia. É claro que a tecnologia pode desempenhar um papel importante na solução; mas a componente cultural, por exemplo, não pode ser marginalizada.

Favorecer a cultura é, como sublinha Innerarity, promover a criatividade e aceitar a imprevisibilidade que lhe é inerente. É no contexto dessa imprevisibilidade que grande parte das inovações emerge e muitos problemas encontram soluções.

A criatividade e os saberes intuitivos e interpretativos, que não encontram correspondência em "objetos tecnológicos", a necessidade de criar espaços para a experimentação e oportunidades para cometer erros assumem grande relevância neste processo. É necessário inspirar, dar oportunidades para refletir, interpretar e errar, criando espaços onde se possa encontrar novas abordagens e soluções.

As universidades não são alheias a esta realidade. Como partes integrantes das nossas cidades e principais responsáveis pela qualificação e geração de conhecimento, têm a responsabilidade de se constituir como espaços onde a criatividade possa florescer - no ensino e na aprendizagem, no conhecimento gerado, no ambiente proporcionado. Transformar conhecimento em inovação exige talento, mas também engenho e imaginação.

Vale a pena considerar.

Paulo Jorge Ferreira

Reitor da Universidade de Aveiro

NOTA: este e outros artigos de opinião, entrevistas, mensagens à comunidade, discursos e intervenções de Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro, podem ser consultados em https://www.ua.pt/reitor

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