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Opinião
(H)À Educação: A Ciência pode tornar o mundo melhor?
Isabel Martins coordenou os trabalhos da UA para o novo ensino secundário de Timor-Leste
O Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento, 10 de novembro, é o mote para a rubrica (H)À Educação, desta vez, da autoria de Isabel Martins, professora aposentada do Departamento de Educação e Psicologia e investigadora da unidade de investigação CIDTFF. O tema escolhido pela UNESCO para assinalar este dia em 2019 é “Ciência Aberta”, tema em debate na comunidade científica e de interesse crescente na sociedade.

O «Dia Mundial da Ciência para a Paz e o Desenvolvimento», instituído pela UNESCO em 2001, é assinalado no dia 10 de novembro. Este dia, comemorado em 193 países, é uma criação jovem, não suficientemente destacada pelos meios de comunicação social, mas sobre a qual importa refletir. Talvez a ideia central da tríada Ciência-Paz-Desenvolvimento seja mesmo a ciência como fator promotor de paz e de desenvolvimento, criação de riqueza e de bem-estar, que permita reduzir desigualdades e promover um planeta mais sustentável.

Recuemos à Conferência Mundial “Ciência para o Século XXI: um novo compromisso”, realizada em Budapeste, junho de 1999, sob a égide da UNESCO e do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU). Vinte anos depois podemos dizer que os documentos resultantes e aprovados pelos participantes são ainda extremamente pertinentes e atuais, pese embora todas as mudanças operadas a nível mundial com mais e novos problemas. Trata-se da “Declaração sobre Ciência e a utilização do conhecimento científico”, constituída por cinco grandes princípios, e da “Agenda para a Ciência – Quadro de Ação”, onde se enunciam as medidas a ter em conta na investigação científica, em particular através de parcerias nacionais e internacionais guiadas por valores de respeito pela natureza e pelas gerações futuras, na procura de uma paz duradoura e de um desenvolvimento sustentável e justo.

Ora, uma dessas medidas é “Ciência para a Paz e o Desenvolvimento”, exatamente o lema deste Dia Mundial. Defendia-se então, a este propósito, que a investigação científica deve preocupar-se com as necessidades humanas básicas; com o ambiente e o desenvolvimento sustentável; a ciência e a tecnologia são motores de inovação; a educação científica é um dos pilares do desenvolvimento; a articulação entre cientistas, decisores e financiadores deve contribuir com iniciativas e meios ao serviço da paz e da resolução de conflitos; as políticas nacionais de Ciência e Tecnologia devem atender ao interesse social, à paz e à diversidade cultural. Ora, todas estas orientações são válidas hoje.  

Em cada ano a UNESCO define um tema central e em 2019 a escolha é “Ciência Aberta”, tema em debate na comunidade científica e de interesse crescente na sociedade. Defende-se a responsabilidade social dos cientistas e que os resultados da investigação (dados e publicações) devem estar disponíveis para todos, em vez de serem restritos apenas àqueles que podem pagar para aceder a eles. Isto é, a ciência deve ser para todos porque o conhecimento é de todos. Usar ferramentas disponíveis na Web e partilhar resultados de forma imediata é, porventura, a maneira mais eficaz de difundir conhecimento.

Retomando o mote deste dia mundial, a Ciência pode contribuir para um mundo melhor se cada um de nós for capaz de distinguir teorias de dogmas, dados de mitos, ciência de pseudociência, evidência de propaganda, factos de ficção, conhecimento de opinião. Estas competências, desenvolvidas ao longo da vida, permitir-nos-ão apreciar a beleza do conhecimento científico, tomar decisões mais informadas e compreender o potencial da Ciência como um motor para a Paz e o Desenvolvimento. Não esquecer que a Ciência faz parte da cultura contemporânea. A Ciência é muito mais do que um corpo de conhecimentos. Representa uma forma de pensar e de compreender. 

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

 

Isabel P. Martins, imartins@ua.pt

Investigadora do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro,

Professora aposentada do Departamento de Educação e Psicologia

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