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Investigação
Projeto ao largo de Ílhavo pode despoletar mudança na economia da região
UA estuda aquacultura do salmão no mar promovida pela Jerónimo Martins
Jaula ao largo de Ílhavo para produção experimental de salmão
A Universidade de Aveiro (UA), através do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), participa num projeto piloto de aquacultura de salmão em mar aberto, ao largo de Ílhavo, que pode abrir a porta a uma mudança na economia da região. Se bem-sucedido, pode constituir a semente de toda uma nova fileira do pescado em Portugal. A parceria liderada pela SeaCulture uma empresa do Grupo Jerónimo Martins Agro-Alimentar, envolve o CESAM/UA e é desenvolvido no ECOMARE - Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos.

É a primeira vez que se tenta criar salmão no mar português. Esta prática há muito que, na Europa, é dominada pela Noruega, seguida pela Escócia. A instalação que envolve uma estrutura com a forma de jaula estabilizada a 15 quilómetros da costa de Ílhavo, com sistemas de vigilância no local e é monitorizada a partir de um centro de controlo instalado no ECOMARE. Para além da empresa promotora e do CESAM/UA, a parceria envolve a empresa Nord Portugal, instalada na Incubadora de Empresas do Município de Ílhavo (da rede de incubadoras da região, IERA) e o CEiiA, empresa especializada em estruturas para mar e espaço.

O mar de Ílhavo terá sido escolhido pela sua geomorfologia costeira, a existência de um porto comercial dinâmico e com uma barra muito segura, a presença de via férrea e autoestrada, assim como um imenso know-how no processamento de peixe e de toda a fileira da pesca. Se o projeto-piloto for bem-sucedido, a fileira atual terá que ser readaptada a uma nova realidade económica. Uma eventual ampliação de escala deste projeto envolverá mão-de-obra no acompanhamento e controlo das instalações, no processamento do peixe, no acolhimento e acompanhamento dos salmões juvenis, na expedição e até à necessidade de construir novas embarcações destinadas ao transporte de peixe para a exploração aquícola em mar aberto, que ainda não existem em Portugal.

A costa da Península Ibérica é a área mais a sul em todo o espaço de distribuição e ocorrência natural do salmão no mar europeu, explica Ricardo Calado, que conjuntamente com Amadeu Soares coordena a equipa de investigação do CESAM/UA, que desenvolve este estudo no ECOMARE. Enquanto nas águas do Norte da Europa  existe apenas um período do ano em que o crescimento ótimo para o salmão é favorecido pela temperatura da água, em torno dos 14 ºC, na região centro e norte da costa oeste portuguesa pode ser assegurada uma janela térmica ótima ao longo de todo o ano através do posicionamento da jaula na coluna de água, de modo a permitir que durante todo o ano o peixe possa estar em crescimento e encurtar assim o ciclo de produção até ser atingido um tamanho comercial. Assim, pode haver interesse de investidores nacionais e noruegueses numa possível ampliação do projeto-piloto para uma escala já industrial. A jaula, atualmente em testes, comportará cerca de mil salmões, uma escala apenas para estudo e validação do conceito, sendo necessário adquirir os juvenis e adaptá-los, no ECOMARE, à transição da vida em água doce para a vida em água salgada até à sua posterior colocação na jaula em mar aberto.

O papel da UA no projeto, refere o investigador do CESAM, para além do estudo das condições ótimas para o desenvolvimento dos peixes, neste novo contexto, envolve ainda a monitorização ambiental do método de cultura, com estudo das comunidades marinhas, incluindo os seres que colonizam os fundos marinhos na área circundante à jaula, assim como aves e mamíferos marinhos.

O projeto poderá passar para uma segunda fase, com ampliação de escala para o nível seguinte, dentro de um a dois anos, se tudo correr como o previsto.

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