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Opinião de Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro
O talento e o acesso ao Ensino Superior
Paulo Jorge Ferreira, Reitor da UA
O atual processo de seleção para acesso ao Ensino Superior atribuiu especial importância à componente cognitiva. Contudo, o talento de um indivíduo não se esgota nos seus conhecimentos técnicos ou na forma como lida com a pressão do exame. No artigo de opinião que assina este mês no Jornal de Notícias, o Reitor da UA, Paulo Jorge Ferreira, reflete sobre a necessidade de se repensar esse modelo, concebendo novas formas de aferir talento.

Os resultados do concurso nacional de acesso deste ano revelam que a procura do Ensino Superior em Portugal está a passar por uma boa fase. O número de candidatos e colocados no Ensino Superior aumentou. O aumento pode parecer paradoxal, dada a progressiva redução do número de jovens causada pela forte contração da natalidade sentida no início do século XXI.

Como é sabido, nem todos os jovens chegam ao Ensino Superior. E com a importância crescente da formação ao longo da vida, nem todos os que lá chegam são jovens. Muitos jovens optam pelas vias profissionalizantes, outros pelas vias artísticas especializadas. É essencial, no entanto, conseguir qualificar o maior número possível - sob pena de perdermos talento essencial para o desenvolvimento do país.

O atual processo de seleção para acesso ao Ensino Superior, que no essencial se mantém há 30 anos, atribuiu importância central à componente cognitiva. Baseia-se em exames, através dos quais se procura reduzir o potencial dos candidatos a um número. Contudo, o talento de um indivíduo não se esgota nos seus conhecimentos técnicos ou na forma como lida com a pressão do exame; e há aptidões difíceis de avaliar com um mero exame.

A avaliação do talento pressupõe uma abordagem multidimensional que deve contemplar a aferição das aptidões cognitivas, sociais, pessoais e emocionais, e a capacidade de as conseguir mobilizar para realizar tarefas e resolver problemas reais e concretos.

Porque não repensar o atual modelo de acesso ao Ensino Superior, concebendo novas formas de aferir talento? Precisamos de modelos mais sensíveis às capacidades inatas dos candidatos e que mais influenciam o seu desempenho e capacidade de moldar o futuro.

Numa altura em que exigimos aos nossos diplomados que sejam empreendedores e capazes de transformar conhecimento em inovação, parece-me oportuno repensar o modelo de acesso, realinhando-o de forma coerente com esses objetivos.

Vale a pena considerar.

Paulo Jorge Ferreira

Reitor da Universidade de Aveiro

NOTA: este e outros artigos de opinião, entrevistas, mensagens à comunidade, discursos e intervenções de Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro, podem ser consultados em https://www.ua.pt/reitor

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