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Entrevistas
Antigos alunos UA: Ricardo Mendes, Novas Tecnologias da Comunicação
“Já houve casos de alunos que escolheram a UA por causa dos (meus) vídeos”
Ricardo Mendes diz que, desde pequeno, tem o sonho de entreter as pessoas
Muitos conhecem-no pelas “10 coisas sobre a UA”, vídeo viral sobre a vida académica na Universidade de Aveiro (UA), e seguintes no Youtube. Sabe que esta série já influenciou alguns a escolher a UA. Ricardo Mendes, antigo aluno da Novas Tecnologias da Comunicação, afirma que, desde pequeno, “tem o sonho de entreter as pessoas”. Para além de youtuber menos regular do que gostaria, é videografo, criador de conteúdo digital e data collector no Perform Group. Arrecadou diversos prémios no "Made in DeCA" e foi campeão nacional universitário de basquetebol por três vezes. Os tempos de aluno “foram, sem dúvida, os melhores anos da minha vida”, exclama.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro? O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

Os motivos são muito simples: não tinha condições para estudar fora de Aveiro e a universidade já oferecia um curso que, à partida, cumpria os meus requisitos: atual e sem matemática. Acabei por frequentar Novas Tecnologias da Comunicação, de 2012 a 2017. O quê, um curso de três anos feito em cinco?! Podia dizer que a licenciatura não era o que esperava, mas vou mesmo culpar o meu desleixo. NTC acabou por corresponder às minhas expectativas, embora o tenha achado demasiado direcionado para programação. E não o culpo, é o que dá dinheiro. No entanto, sei que os planos curriculares mudaram e há um maior equilíbrio entre áreas. Quanto à Universidade de Aveiro, posso dizer que se tornou rapidamente na minha 2ª casa. Como estudante e como atleta.

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

É difícil escolher uma coisa apenas. Fiz bons amigos, conheci muito bons professores e vi muitos episódios (de séries e vida real). Mas talvez aquilo que me tenha marcado mais enquanto estudante da UA, tenha sido a oportunidade de representar a minha universidade num europeu de basquetebol universitário. Por três vezes. Não que tenha obtido resultados históricos, mas soa sempre bem dizer isso numa conversa de esplanada. De resto, toda a vida académica, desde aulas (principalmente as que não ia) as festas até às 6 da manhã, marcou-me imenso.

É youtuber… É a principal atividade, atualmente? Que outras atividades desenvolve?

Atualmente, o que é ser youtuber? É fazer vídeos para a plataforma? Se for isso, sim, sou. É ganhar dinheiro com o YouTube de forma a criar sustento? Se for esse caminho, então não. Apenas sou um produtor de conteúdo digital. Para além de fazer vídeos para a plataforma, ainda trabalho como data collector na Perform Group, faço umas locuções, tenho um podcast, sou videógrafo e escrevo umas ideias que acabam por ficar só para mim. Resumindo: sou freelancer.

Como surgiu o canal no Youtube? Começar não deve ser fácil… Há conselhos que se podem dar a quem pretende iniciar-se (que são muitos, hoje em dia!)?

O canal surgiu de fundações muito humildes: queria um espaço onde pudesse fazer vídeos para rir. Para mim, o início não podia ter sido mais fácil, porque na altura em que criei o canal, o YouTube era uma empresa 0 corporativa que vivia da comunidade de criadores que faziam vídeos no quarto, sem nenhum cuidado de produção. Falamos do ano 2009, 2010. Se me fizessem esta pergunta há uns 5 anos, eu diria para começar um canal de forma genuína. Sem nenhuma intenção de fazer dinheiro. “Ser quem tu és”. Agora, em 2019, provavelmente direi o mesmo, mas depois aproximo-me da pessoa e sussurro ao ouvido: “Faz o que todos fazem, mas com uma voz e cara diferentes”.

Com mais de 10 mil seguidores, que segredos podem ser partilhados para ter sucesso no Youtube?

Posso-me rir primeiro? Para efeitos de interpretação, imaginem-me a gargalhar. Eu não diria que 10 mil seguidores é ter sucesso no YouTube. Se os tivesse conseguido na primeira semana de canal, isso sim, seria outro caso. Numa plataforma onde miúdos conseguem 50k numa questão de meses, não sinto que tenha atingido sucesso na plataforma. Por isso, não tenho segredos sobre aquilo que não alcancei. Agora sei que entre pares obtive algum reconhecimento e respeito. O que me agrada mais, para ser sincero. E o segredo desse feito é simples: Ser fiel ao teu trabalho, e criar conteúdo com qualidade.

O que mais o fascina nas atuais atividades? Quer descrever um dia típico de atividade? Com que regularidade publica no Youtube?

Respondendo já à última pergunta, não com a regularidade que gostaria. Apesar de valorizar a preciosidade que é produzir de forma constante e regular, acabo sempre por não forçar caminhos, e apenas publicar vídeos quando tenho mesmo algo que quero partilhar. E é precisamente isso que me fascina nas minhas atividades - não as que me pagam as contas, para já. Esta liberdade de poder criar algo que não me é imposto, mas que surge da minha cabeça por espontânea vontade. Podia descrever um dia típico como data collector, mas não tem assim tanta magia. Na produção de um vídeo, por exemplo, sempre gostei de estar envolvido em tudo. Desde a escrita do guião até à pós-produção. Ando a ver se avanço com uma websérie para o meu canal de YouTube. Para isso acontecer sem ter que recorrer a uma grande equipa de produção, mas que garanta os níveis mínimos de qualidade, vou ter que passar muitas tardes a escrever guião, a reunir informações sobre possíveis locais de filmagem e horários. Fazer lista de material, visualizar tudo na minha cabeça; fazer uns rabiscos para me ajudar a ver o resultado final. Muito brainstorming e cabeça na parede... Depois lá passarei às filmagens que podem ir de dias a semanas, dependendo da quantidade de cenas para gravar. Por fim, guardo muitas noitadas para montagem, edição, sonorização, grafismos, etc. Tudo até ao produto final. É claro que isto não é tão linear como acabei de descrever. Há sempre sobreposições de tarefas, problemas logísticos, soluções criativas à última da hora… No fundo, é atirarmo-nos de um arranha-céus e aproveitar o momento da queda para aprender a voar até sermos esmagados pelo chão, ou acordar a tempo do sonho e perceber que temos de seguir outro caminho mais normal.

descrição para leitores de ecrã
Ricardo Mendes foi premiado mais do que uma vez no 'Made in DeCA'.

Depois dos vídeos “10 coisas sobre a UA”, “Mais 10 coisas sobre a UA” e “As últimas 10 coisas sobre a UA”, ainda haverá coisas a dizer sobre a UA?

Claro que há. Aliás, tanto há que dizem por aí que é capaz de aparecer um 4º vídeo da saga. Até porque esta “brincadeira” já começou em 2015 e, parecendo que não, muitas coisas mudaram até aos dias de hoje. Reitor diferente, eventos diferentes, pessoas diferentes. Fico feliz pela Universidade e cidade de Aveiro serem ricas o suficiente ao ponto de eu ter material para fazer um vídeo novo todos os anos. E mais feliz fico por saber que os vídeos viralizam, de certo modo, pela comunidade de estudantes prestes a entrar no ensino superior e que já houve casos de alunos que escolheram a UA por causa dos vídeos. Fico muito grato, não me gabo, mas isto sim, é ser um influencer! Já agora desfrutem do meu código Ricardo10, onde podem obter 10% de desconto nas próximas propinas.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional/atividades paralelas que exerce? De que maneira?

Conseguir mexer no PACO, claramente não foi uma delas. Nem o conseguir beber um fino à ribatejano. Agora que todo este percurso académico ajudou-me a ser um melhor criador, comunicador, atleta e até pessoa - pronto, pessoa se calhar não… - lá isso ajudou. Até porque a minha ida para a Universidade de Aveiro coincidiu, destino ou não, com o início do meu percurso como apresentador e entertainer. Foi durante a minha licenciatura que tive oportunidade de participar no casting do Curto Circuito, 5 Para a Meia Noite, RFM… não ganhei nenhum deles, mas ao menos fiz as cadeiras todas… passado dois anos do tempo normal. Mas fiz. Agora com mais seriedade, a minha licenciatura ajudou-me imenso a consolidar os conhecimentos que já tinha de audiovisual, a conhecer pessoas extraordinárias da área, a criar e a produzir coisas fantásticas com pessoas ainda mais fantásticas. O meu contacto com a AAUAv abriu-me portas na apresentação de eventos, alguns contactos na área… A nível desportivo consegui ser campeão nacional por três vezes e ainda ajudar o meu clube a subir de divisão… Foram, sem dúvida, os melhores anos da minha vida.

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