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Entrevistas
Antigos alunos UA: Rita Vieira de Castro, mestrado em Engenharia Civil
“Tudo na UA, em particular o Departamento de Engenharia Civil, me marcou pela positiva”
Rita Castro é engenheira sénior da Direção de Engenharia do Grupo Águas de Portugal
A opção pela formação na Universidade de Aveiro (UA) permitiu a Rita Vieira de Castro juntar “o melhor de dois mundos”: continuidade da prática desportiva e excelência académica. Atualmente engenheira sénior da Direção de Engenharia do Grupo Águas de Portugal e, simultaneamente, estudante de doutoramento, Rita Vieira de Castro, 37 anos, é mestre em Engenharia Civil pela UA. “Tudo na UA, em particular o Departamento de Engenharia Civil, me marcou pela positiva”, afirma.

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Corria o ano letivo de 1998/1999 e eu era estudante de desporto num liceu da cidade de Aveiro. Nesse ano impunha-se tomar uma decisão. Qual o percurso a seguir ao ingressar no ensino superior? Apesar da paixão pelo desporto, o gosto pela matemática, física e geologia aguçaram a curiosidade por outras escolhas.

Comecei por me informar, através dos boletins disponíveis sobre a universidade da minha cidade natal. Quais as ofertas disponíveis? Qual o nível de qualidade das mesmas? Quais as oportunidades de emprego após terminar o ciclo de estudos? As descrições eram claras, a universidade assegurava a excelência na qualidade de ensino.

Assim, se optasse pela UA iria ter o melhor de dois mundos, continuidade da prática desportiva e a excelência académica. Decisão tomada!

Poucos saberão que concorri e ingressei em Matemática Aplicada e Computação em 1999/2000, contudo, ainda no primeiro ano, nas aulas que decorriam, no então famoso “Caloiródromo”, percebi que não pretendia passar o meu percurso profissional num gabinete. Pelo que se deu uma feliz mudança para o curso de Engenharia Civil, que permite um maior contacto com o trabalho no terreno.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

A UA tem um Campus que proporciona aos estudantes o relacionamento entre cursos, que permite alargar horizontes, cruzar ideias com colegas que estudam outras ciências. Assim, nasce o salutar relacionamento entre colegas de diferentes cursos.

Quando terminei o curso (licenciatura pré-Bolonha) as peças do puzzle encaixaram-se! Ter estudado estruturas, hidráulica, materiais de construção, vias de comunicação, geotecnia, e planeamento urbano fez todo o sentido, pelo que sentia que tinha um conhecimento global de todas as matérias e me sentia capacitada para escolher qualquer caminho.

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

Tudo na UA, em particular o Departamento de Engenharia Civil, me marcou pela positiva. Por um lado, a exigência a que os professores nos submeteram e o ritmo que nos impuseram. Por outro lado, a próxima e franca relação entre professores e alunos que persiste e faz do Departamento de Engenharia Civil um caso de sucesso.

Diria que o espírito de companheirismo e entreajuda dos alunos é também uma característica do Departamento. Deste modo, é quase impossível distinguir professores ou colegas, pois trata-se de algo muito próprio da cultura do Departamento.

Tínhamos instituído que “Quando era para estudar, era para estudar! Quando era para sair, era para sair!” Mesmo que isso implicasse ir à primeira aula da manhã do dia seguinte com “a boca a saber a papéis de música”!

Recordando episódios… Há muitos, muitos… Saliento os jantares de curso, que sempre foram momentos bem regados de convivência e partilha de boa disposição entre Professores e Alunos.

O que mais a fascina nessas suas atuais atividades? Quer descrever um dia típico de atividade?

Trabalhar no Grupo Águas de Portugal é ter a missão contínua de contribuir para a qualidade do ambiente no território português e além-fronteiras.

Em Portugal servimos a maior parte do território no Ciclo Urbano da Água, com elevados padrões de qualidade no serviço que prestamos aos nossos clientes, que são entidades gestoras e cidadãos.

Na equipa em que estou inserida, assessoramos as empresas do Grupo nos seus desafios com o objetivo de implementar soluções inovadoras de vanguarda que se apresentem como soluções tipo ou adaptadas a constrangimentos locais.

Foi fácil começar a carreira profissional na área onde atua atualmente? Refira os principais fatores que contribuíram para a facilidade/dificuldade. Como surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a ADP, para Lisboa?

Corria o ano de 2004/2005 em que eu terminara o curso e estava à procura de emprego. O setor da construção civil, estava já em plena crise, muitos colegas de profissão optaram por emigrar. A maior parte enveredava por projeto de estruturas e outras especialidades,  outros por direção de obra.

Trabalhar no setor do ciclo urbano da água foi algo que se tornou num bom “acidente”! Deveu-se, essencialmente, a uma disciplina de opção de hidráulica, lecionada no último ano do curso, também frequentada por “acidente”!

Comecei a estagiar nos Serviços Municipalizados de Aveiro que faziam a gestão da rede em baixa, distribuição de água e recolha de esgoto. Tecnicamente não senti dificuldades. Era responsável pelo licenciamento de projetos de redes prediais e apoiava a exploração de saneamento da rede de drenagem. Os desafios que se apresentavam eram relacionados com a conjetura económica que se vivia à época.

Em 2006, fui convidada por um professor do Departamento para fazer investigação no projeto “Casa do Futuro - Aveiro Domus”, na vertente de hidráulica predial, tendo acumulado funções.

Em 2007, decidi dar mais um passo académico, “Mestrado em Engenharia Civil”. Como trabalhadora estudante, voltei ao Departamento de Engenharia Civil da UA.

Em 2008, concorri e fui selecionada para integrar a equipa da SIMRIA, empresa que operava na gestão da rede de saneamento em alta. Aqui apresentaram-se diferentes desafios: gestão de empreitadas, inspeção e manutenção de ativos, contratação pública, gestão de perdas e afluências indevidas. O percurso foi-se fazendo já no Grupo Águas de Portugal e oito anos se passaram.

A mudança para Lisboa, em 2017, foi um processo natural, para quem gosta de mudar e abraçar novos desafios e oportunidades. O Grupo proporciona a mudança entre empresas como veículo de troca de experiencias entre as mesmas.

Com a chegada a Lisboa passados alguns meses, volta a fazer sentido regressar à Academia, desta vez, em Lisboa, para ingressar no doutoramento em Alterações Climáticas e Politicas de Desenvolvimento Sustentável (Instituto Superior Técnico).

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'Tudo na UA, em particular o Departamento de Engenharia Civil, me marcou pela positiva', afirma Rita Castro.

Quer deixar algumas dicas aos recém-formados na UA que pretendam seguir esse percurso?

Para ter uma atividade profissional no setor urbano da água, diria que é essencial que durante o período académico se aposte nas disciplinas base de hidráulica e, em especial, nas relacionadas com o ciclo urbano da água. Fazer a tese de mestrado orientada para esta área é também um bom ponto de partida. Procurar formação adicional em programas de cálculo automático é uma mais-valia.

Depois, existem inúmeras oportunidades, trabalhar em gabinetes de projeto da área, apesar estes estarem bastante concentrados no Porto e em Lisboa.

Existem também muitos empreiteiros e empresas de fiscalização que se dedicam a esta arte.

O LNEC é também uma boa escola para quem pretende ingressar no Grupo Águas de Portugal.

Para além da formação académica considero ainda que a formação em áreas de gestão é fundamental, uma vez que trabalhar no ciclo urbano da água é também trabalhar na indústria da água. Quando em 2013 fiz uma pós-graduação em Lean Management, a gestão de processos da empresa, colocou-se em perspetiva.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional/atividades paralelas que exerce? De que maneira?

Considero que as maiores competências que adquiri no Departamento de Engenharia Civil da UA, para além das académicas, foram o sentido de responsabilidade do exercício da profissão e o espirito crítico. De iniciativa e capacidade de adaptação à mudança. Também de que um engenheiro civil é um ser social que tem de comunicar com muitas pessoas no exercício da sua profissão e o deve fazer de forma clara e efetiva.

Recordo também as palavras de muitos professores que nos diziam que o final do curso era apenas o princípio. Que nos deveríamos manter sempre atualizados e não devíamos parar de estudar em especial na área em que nos fossemos especializar.

De alguma forma, penso que o meu percurso profissional, reflete as mensagens que me foram passadas.

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