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Entrevistas
Antigos alunos UA: Patrícia Oliveira, Terapia da Fala
“É preciso encontrar prazer em trabalhar e saber encarar as dificuldades como algo necessário”
Patrícia Oliveira é sócia-gerente de uma clínica em Fátima
Licenciada em Terapia da Fala pela Universidade de Aveiro, Patrícia Oliveira é sócia-gerente da "contigo- Clínica de desenvolvimento", atualmente uma resposta médico-terapêutica de referência na zona de Ourém-Fátima, onde trabalham 11 profissionais. Patrícia é ainda formadora e estudante de doutoramento. Diz desconhecer “um método milagroso que possa ser encarado como uma fórmula mágica para o sucesso”. E lembra que “é preciso encontrar prazer em trabalhar e saber encarar as dificuldades como algo necessário para nos tornarmos melhores profissionais".

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Estudei em Fátima no Colégio de São Miguel, um colégio católico até ao 12º ano. Lá, a Universidade de Aveiro era tida pelos estudantes e professores como sendo uma universidade de enorme valor e reputação. Para além disso, um primo meu que na altura estava a tirar o curso de Engenharia Mecânica na UA, falava-me da Universidade com tanto sentimento de pertença e orgulho! Isso apelou-me bastante, também queria sentir que pertencia assim a algo…

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

Para ser sincera o curso de Terapia da Fala não foi a minha primeira opção. As minhas primeiras opções foram Medicina em outras universidades do país (só porque não existe Medicina em Aveiro!). Contudo, sabia que provavelmente uma das minhas notas de exame de 12º ano iria ser um entrave à minha entrada em Medicina, por isso coloquei ainda como opção Terapia da Fala em Aveiro. O plano original era frequentar Terapia da Fala durante o 1º ano e depois voltar a tentar Medicina no ano seguinte. Lembro-me como se de ontem se tratasse… aquela sexta-feira em que regressei a casa depois de uma semana de aulas e disse à minha mãe que iria continuar no curso. Foi uma das melhores decisões da minha vida.

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

É difícil especificar um só momento ou pessoa. Os tempos de universidade são inesquecíveis. As pessoas que conheci, os docentes que me inspiram a ser quem sou profissionalmente e as experiências que vivi, transformaram-me. Apesar de ter voltado a viver em Fátima, quando estou em Aveiro, sinto-me em casa.

Sei que constituiu a sua própria clínica. Nem todos se aventuram por esses caminhos… Quer explicar o porquê dessa opção?

Quando terminei o curso, comecei por trabalhar bastante longe de casa mas a minha meta foi sempre trabalhar perto de Fátima. Como casei e formei família bastante cedo, aproximar-me de Fátima tornou-se imperativo. Em 2010 arranjei trabalho no projeto CRI (Centro de Recursos para a inclusão) no Centro de Integração e Reabilitação de Fátima. Foi um dia muito feliz, senti-me realizada. Contudo, não foi um sentimento duradouro. Sou uma pessoa muito inquieta, as ideias estão constantemente a borbulhar-me na mente. Precisava de mais alguma coisa. Precisava de um sítio onde me fosse possível por em marcha tudo aquilo em que acreditava sem ter de pedir permissão. A Clínica contigo foi inaugurada no fim de 2012, tinha o meu filho mais novo dois meses.

Quantas pessoas trabalham na sua clínica? Há perspetivas de expansão? Em quanto tempo?

Na Clínica contigo trabalham atualmente 11 profissionais. Oferecemos variados serviços dos quais se destacam as mais procuradas como, a Terapia da Fala, Psicologia, Pedopsiquiatria e Psicomotricidade. A clínica tem vindo naturalmente a expandir com maior número de serviços oferecidos, projetos e profissionais que connosco colaboram. Contudo, nestes últimos dois anos a maior evolução da nossa equipa tem sido ao nível do investimento na formação e qualificação. Tem sido fundamental. Evoluir e atualizar os conhecimentos à luz das novas técnicas e evidências clínicas tem sido um dos maiores fatores de sucesso da nossa equipa no terreno.

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" Patrícia Oliveira é ainda estudante de doutoramento e formadora."

Quer deixar algumas dicas aos recém-formados na UA que pretendam seguir esse percurso?

Claro, mas não sei se a minha dica não será uma desilusão. Infelizmente, desconheço um método milagroso que possa ser encarado como uma fórmula mágica para o sucesso. Estou orgulhosa do que tenho, do que conquistei e construi até aqui, mas não tem sido fácil. É preciso trabalhar muito e abdicar de horas de sono. É preciso encontrar prazer em trabalhar e saber encarar as dificuldades como algo necessário para nos tornarmos melhores profissionais. Por vezes em conversa com certas colegas, estas partilham comigo o sonho que seria para elas não precisarem de trabalhar e poderem viver unicamente centradas na família. Amo incondicionalmente o meu marido e filhos, mas não tenho vergonha em admitir que ser apenas mãe e mulher não seria suficiente para mim. Nunca seria completamente feliz e realizada.

Tem alguma outra atividade paralela que queira referir? Como descomprime do stresse do dia a dia?

Para além de Terapeuta da Fala, sou agora estudante de doutoramento e, com frequência, formadora. Adoro ensinar. Adoro partilhar conhecimentos e, sinceramente, acho que as minhas formandas também gostam de me ouvir.

A verdade é que como acumulo muitas funções atualmente, resta-me pouco tempo para atividades de lazer mas, quando estou realmente desesperada por um escape, refugio-me num bom livro. Desde adolescente que ler é uma das minhas maiores paixões e hoje acho que é a minha forma de terapia e descompressão.

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