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Opinião
Carlos Fonseca, coordenador da Unidade de Vida Selvagem da UA
O Zézé deixou-nos…
José Vingada
Faleceu José Vingada, referência maior da conservação e gestão da Natureza em Portugal. O biólogo Carlos Fonseca, coordenador da Unidade de Vida Selvagem da Universidade de Aveiro (UA), lembra o enorme exemplo do investigador da Universidade do Minho, do Cento de Estudos do Ambiente e do Mar e do CRAM-ECOMARE da UA: “Um autêntico Super-Homem, que nos inspirava a todos”.

A mensagem pouco clara deixada no telemóvel pela colega Maria João Pereira, desde o Brasil, deixou-me apreensivo. A incógnita rapidamente se tornou realidade. O Zézé deixou-nos…

O âmago imediatamente foi preenchido por um violento e doloroso vazio…a sensação que uma parte de nós que nunca mais será preenchida, invadiu-me.

Conheci o José Vingada (Zézé) em 1993, quando estudava Biologia na Universidade de Coimbra (UC). Ele acabava de chegar do Porto, onde tinha terminado a licenciatura de Biologia com outros colegas que decidiram vir para a UC frequentar o Mestrado em Ecologia. Desde o primeiro momento que houve empatia entre nós. A sua energia, força e coragem eram contagiantes e gradualmente um grupo de jovens estudantes de Biologia se tornou seu seguidor, acompanhando-o para as Dunas de S. Jacinto, para as Dunas de Quiaios-Mira, para a Serra da Malcata, para o Parque Natural de Montesinho, para a Serra da Freita, Arada e Montemuro, para o Parque Nacional Peneda-Gerês, para a Serra da Lousã e outras tantas zonas do país e do Mundo. Os desafios eram quase sempre intensos e da sua superação surgiam novos sonhos que nos faziam acreditar que era possível concretizá-los e que engrandeciam as instituições a que estávamos associados: Serviços Florestais, hoje Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Universidade do Minho, Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem e, claro, a nossa Universidade de Aveiro.

Foi um longo período de pura descoberta, de exploração e de interpretação de tudo o que nos rodeava, de crescimento enquanto jovens cientistas mas também enquanto seres humanos. E o José era um Excelente Ser Humano. Um autêntico Super-Homem, que nos inspirava a todos, como veio a provar em toda a sua vida e até ao último momento.

A energia, a força e a coragem acompanharam-no até hoje e eu, enquanto um dos seus discípulos, não vou ter a possibilidade de me despedir dele. Hoje não vou estar aí, José. A minha vida profissional, para a qual tanto contribuíste, não me vai permitir estar aí.

Todavia prometo perpetuar os teus ensinamentos, a tua postura perante a vida e os outros, a tua energia, força e coragem acompanhadas de muita alegria e entusiasmo no nosso (humilde) contributo para a causa da Conservação e da Gestão da Vida Silvestre e para um Mundo melhor.

Obrigado por tudo, Zé.

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