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Pescadores da zona noroeste de Portugal e da Galiza são o alvo do projeto
CESAM em consórcio internacional para uma pesca sem lixo
O impacto das redes fantasma é já conhecido um pouco por todo o mundo. E num momento em que a questão dos plásticos no Oceano ocupa uma grande parte das preocupações a nível mundial, o CESAM participa num projeto focado na prevenção e redução do lixo marinho produzido pelo sector das pescas. Entre os vários objetivos, o projeto NetTag procura diminuir a quantidade de redes fantasma e outros detritos da pesca que colocam em risco, diariamente, um número considerável de seres vivos marinhos.

Indo para além da pesca fantasma, o projeto NetTag, que se iniciou em janeiro de 2019, irá trabalhar durante 2 anos diretamente com os pescadores da zona noroeste de Portugal e da Galiza numa abordagem integrada e inovadora para diminuir o lixo produzido pela pesca, adotando um caracter marcadamente prático mas acima de tudo preventivo em que a mensagem é passada de pescadores para pescadores.

O projeto NetTag (EASME/EMFF/2017/1.2.1.12/S2/013) financiado pelo Executive Agency for Small and Medium-sized Enterprises (EASME), através do European Maritime and Fisheries Fund (EMFF) conta com uma equipa multidisciplinar e internacional de investigadores de várias áreas, juntando as ciências sociais do CESAM/UA e da Universidade de Santiago de Compostela, às ciências naturais do CIIMAR, a engenharia robótica do INESC TEC e da Universidade de NewCastle, e ainda duas associações de pescadores de Portugal a APMSHM (Associação Pró Maior Segurança dos Homens no Mar) e de Espanha, a ARVI (Associação de armadores de pesca do porto de Vigo), e uma empresa internacional de redes de pesca, a Euronete.

A abordagem integra duas componentes:

1) reduzir perda de redes e outras artes de pesca, aplicando localizadores acústicos nestes equipamentos e adaptando veículos autónomos para que seja viável a sua recuperação

2) promover boas práticas a bordo no que diz respeito à gestão do lixo produzido e capturado durante a atividade da pesca. O projeto NetTag pretende ainda sensibilizar a indústria pesqueira e outros stakeholders, nomeadamente decisores políticos, acerca da necessidade urgente de combater o lixo marinho e aumentar a literacia científica neste tema.

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Cientistas do projeto NetTag vão trabalhar durante 2 anos diretamente com os pescadores da zona noroeste de Portugal e da Galiza

A tecnologia envolvida neste projeto supóe a construção de um tipo inovador de “Tag”, um dispositivo acústico de baixo custo, amigo do ambiente, personalizável e de fácil utilização, ativado apenas pela embarcação de origem. Este equipamento, desenvolvido pela equipa da Universidade de NewCastle, permite a procura ativa de material de pesca sem comprometer a privacidade dos equipamentos e das zonas de atuação das respetivas embarcações.

Estas Tags que serão testadas e validadas em laboratório e depois em condições reais numa demonstração feita com a participação dos pescadores, serão conjugadas com robots de recolha para diminuir o tempo de procura e de recuperação das redes perdidas, robots desenvolvidos pela equipa do INESC TEC.

Mas o projeto vai mais além, complementando as suas ações com uma avaliação custo-benefício da implementação destes dispositivos, a cargo da equipa da Universidade de Santiago de Compostela, e de uma investigação profunda acerca do impacto económico e ambiental e perigosidade dos equipamentos perdidos no ambiente marinho pelo CESAM/UA e CIIMAR.

“As redes fantasma são também um novo poluente do meio marinho, quer por serem uma potencial fonte de microplásticos quer por poderem adsorver outros poluentes, pelo que a recuperação de redes perdidas reduzira´ este impacto ambiental.” refere a investigadora Marisa Almeida, investigadora do CIIMAR e cocoordenadora do projeto.

Uma inovação do projeto assenta em ações de sensibilização dedicada à prevencção do lixo marinho proveniente do sector da pesca. A realização de workshops participativos e outras atividades, coordenada pela equipa da Universidade de Aveiro, permitirá não só ajudar a sensibilizar o setor para a problemática do lixo marinho, projetar as vantagens das novas Tags acústicas na pesca, e também promover as boas práticas a bordo de modo a reduzir o lixo marinho. As ações de sensibilização para promover as boas práticas a bordo relativamente ao lixo produzido e também capturado, serão organizadas por pescadores para pescadores, de modo a aumentar a sua eficácia.

Esta tarefa de sensibilização culminará em dois grandes eventos:

1) um evento de recolha de lixo de pesca intitulado “Clean Ocean Day” que permitirá obter um “retrato” do tipo e quantidade de lixo marinho atualmente gerado durante a atividade pesqueira

2) um evento demonstrativo onde serão testados numa situação real os localizadores acústicos e os veículos autónomos, com o objetivo de reaver redes e outros materiais perdidos.

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