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Investigação
Equipa do IT-Aveiro foi a primeira a terminar o seu trabalho
Projeto internacional SKA entra na fase de proposta de construção dos radiotelescópios
Reunião do SKA em Aveiro marcou início da nova fase do projeto internacional
O projeto internacional de radioastronomia Square Kilometre Array (SKA) em que participam o Instituto de Telecomunicações (IT-Aveiro) e a Universidade de Aveiro (UA), entrou numa nova fase para testar escalabilidade, prototipar e preparar a construção dos conjuntos telescópios a instalar. A equipa de investigadores coordenada pelo IT-Aveiro/UA concluiu a fase anterior do trabalho em junho. De todos os consórcios que fazem parte do projecto, foi a primeira equipa a fazê-lo.

O grupo de instituições portuguesas, organizadas no ENGAGE SKA, em que participaram o IT, e a UA teve a seu cargo a participação na pré-construção do projeto – em particular, na incorporação de tecnologias de informação – e a liderança no design da infraestrutura de computação do designado “Telescope Manager” e ainda os componentes que vão orquestrar o resto do telescópio. Ou seja, uma espécie de sistema nervoso central de toda a estrutura. O trabalho terminou em junho e esta foi primeira de todas as equipas envolvidas a finalizar o seu trabalho.

“A equipa nacional teve uma participação particularmente importante, ao liderar as tarefas relacionadas com o ambiente de execução do centro de controlo do telescópio. Aplicando a experiência com arquiteturas de software distribuídas, fiáveis e escaláveis, típicas dos ambientes de telecomunicações para 5G e naturais ao IT, causou-se uma evolução (ou mesmo disrupção) na maneira como se gerem e operam radio-telescópios”, explica João Paulo Barraca, membro da equipa professor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI)da UA. “Introduziram-se conceitos de definição por software, orientação a serviços, virtualização e compartimentação, assim como orientação a produtos e métricas de qualidade, com repercussões para outras partes do instrumento. Também deixámos uma marca relevante em várias outras áreas como a fiabilidade, disponibilidade e segurança”, afirma ainda.

A parceria do SKA inclui 12 países membros e muitos parceiros e colaborações em projetos e atividades específicas. O trabalho, agora em fase de conclusão, desenrola-se em oito consórcios. “Trata-se de, se não a maior, uma das maiores parcerias internacionais na ciência”, afirma Maurizio Miccolis, coordenador do projeto de software de gestão do SKA que esteve numa reunião em Aveiro de 18 a 20 de setembro, para preparar a próxima fase. O coordenador salienta ainda que vários países pediram, recentemente, adesão à parceria, como foram os casos de França e Espanha.

O ENGAGE SKA é membro dos consórcios de gestão do telescópio, antenas, infraestrutura e fornecimento faseado de dados, sinal e transportes de dados e ainda do consórcio processamento de dados em software.

Para além do IT e UA, fazem parte do ENGAGE SKA o Instituto Politécnico de Beja e as Universidades do Porto e Évora. A organização conta com o apoio do Polo das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica - TICE.PT e de um consórcio industrial.

A reunião que decorreu em Aveiro de 18 a 20 de setembro, em que participaram Maurizio Miccolis e Marco Bartolini - especialista em qualidade de software -, marca o início de outra fase com os objectivos de testar a escalabilidade, prototipar a plataforma de gestão e preparar a construção do SKA. A proposta final será entregue à Intergovernmental Organisation (IGO), nova estrutura de cúpula do SKA, esperada a partir de 2019. O programa de trabalhos de Aveiro incluiu também visitas à industria nacional como a Critical Software e Altice Labs.

A equipa de investigadores da UA inclui, nesta fase, João Paulo Barraca, Valério Ribeiro, Sonia Ánton, Diogo Gomes, Dzianis Bartashevich, Miguel Bergano (IT), Domingos Barbosa (IT).

No final destas fases, a iniciar em 2020 e até 2026, serão instalados dois conjuntos de radiotelescópios, a funcionarem de forma articulada, designados “arrays”, na África do Sul e na Austrália, com perspetiva da estrutura se poder alargar, mais tarde, a outros países africanos, incluindo Moçambique. No seu conjunto constituirá o maior telescópio do mundo, sublinha Maurizio Miccolis. 

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