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Sala foi pequena para assistir à jubilação de Carlos Borrego
Última aula do Professor Ambiente é um manifesto por um mundo melhor
Última aula de Carlos Borrego com auditório cheio de alunos, antigos alunos, professores e investigadores, autarcas e representantes de vários outros quadrantes da sociedade
Quarenta anos ao serviço da Universidade de Aveiro (UA). Carlos Borrego foi pioneiro da formação em Engenharia do Ambiente e dos estudos desta área científica em Portugal, foi Vice-reitor, governante e participou na influente Conferência do Rio, em 1992. Na última aula, que marca a sua jubilação e onde ouviu elogios dos mais diversos quadrantes, desafiou população e decisores a adotarem soluções baseadas na natureza. No dia-a-dia de cada um e nas cidades de todos. Apesar do adeus a tarefas docentes, garantiu e mostrou que energia não lhe falta para continuar a lutar pelo que sempre o fascinou: o Ambiente.

Colegas académicos, da UA e fora da UA, responsáveis diversos na área do Ambiente, anteriores e de agora, antigos e atuais alunos, muitos, colegas de trabalho e familiares. A sala encheu-se para assistir à última aula de Carlos Borrego, investigador e cientista, formador e académico, Vice-Reitor, governante, pai, marido e crente em Deus.

Elogios foram quase uma dezena, durante a sessão. Ao seu rigor científico, ao trabalho de 40 anos que é visível na criação de um curso e de um departamento da UA e de grupos de investigação na área do ambiente, qualidade do ar e poluição atmosférica. Trabalho esse que ultrapassa, em muito, a UA. Foi um dos que mais contribuiu, recordou-se ainda na sessão, para a sensibilização da sociedade e dos poderes para as questões do Ambiente.

No final, Carlos Borrego elogiou quem o acompanhou e o tem acompanhado e afirmou que não vai parar de lutar por aquilo em sempre acreditou: um melhor Ambiente e qualidade de vida e disponibilizou ainda a sua energia, que parece inesgotável a quem com ele trabalha e a quem o conhece, para novos desafios.

Na aula que proferiu, traçou um panorama do trabalho em que foi participando ou que coordenou ao longo de décadas na UA. É preciso adaptarmo-nos, desafiou, ao novo paradigma da economia circular e pôr de lado a economia linear que deixa um rasto de impactes, desperdícios, danos que todos afeta. Economia circular deve ser um conceito aplicável à cidade que para ser inteligente, “smart”, deve sê-lo nas mais diversas vertentes: nos edifícios, na saúde, em termos energéticos, de mobilidade e na segurança pública. A resposta está em soluções baseadas na natureza, aconselhou.

O trabalho produzido na UA e iniciado por Carlos Borrego, em vários períodos, quer como diretor do Departamento de Ambiente e Ordenamento, quer como diretor do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (IDAD), quer no Grupo de Emissões, Modelação e Alterações Climáticas (GEMAC), ou ainda no Laboratório Associado Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), é pródigo em pistas e sugestões que ajudam a atingir esse objetivo. Planeamento do território e estudos de qualidade do ar nas cidades, alterações climáticas, saúde e mobilidade.

Ou seja, estudos e sugestões para um mundo melhor, não faltam. Queira quem decide ouvir quem muito estudou.

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