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Opinião
Marisa Marques, investigadora do STRESSLab assina texto de opinião
Videojogos e Saúde mental
Marisa Marques comenta a recente decisão da OMS de considerar doença mental o uso problemático dos videojogos
O uso problemático de videojogos, cada vez mais, tem despertado a atenção dos investigadores e profissionais de saúde mental. Ainda, muito recentemente, a Organização Mundial de Saúde reconheceu oficialmente o uso problemático de videojogos como uma perturbação de saúde mental. Marisa Marques, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, associada à equipa de investigação do Laboratório de Investigação e Intervenção no Stress (STRESSLab) comenta este tema.

A American Psychiatric Association, já em 2013, classificou a Perturbação de Jogos de Internet como uma condição a ser estudada e a integrar no futuro. Em alguns países como, por exemplo, na Coreia do Sul o uso problemático de videojogos foi considerado um problema de saúde pública e, inclusive, foram desenvolvidas medidas legislativas na tentativa de travar este fenómeno.

A dependência da internet e o uso problemático de videojogos, frequentemente, têm sido associados de forma positiva e significativa com as perturbações psiquiátricas, mormente perturbações de humor e ansiedade. Neste sentido, um estudo desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado intitulada “Uso da Internet, Psicopatologia e Qualidade de Vida em Estudantes Portugueses de Ensino Superior”, por Marisa Marques, sob a coordenação científica da Professora Doutora Anabela Pereira do Departamento de Educação e Psicologia, evidencia que os estudantes com maiores níveis de dependência da internet manifestam níveis superiores de sintomatologia psicopatológica e, simultaneamente, percecionam a sua qualidade de vida como inferior.

Baseado neste projeto, encontra-se um outro estudo, onde os dados permitem concluir que os estudantes de ensino superior com perturbações emocionais usam mais a internet para regular o humor em comparação com os estudantes que não possuem perturbações emocionais.

Deste modo, segundo a Organização Mundial de Saúde, o uso problemático de videojogos pode ter outras consequências negativas para a saúde como, por exemplo, padrões de sono perturbados, problemas de dieta e reduzida atividade física.

Por último, importa referir que a deteção precoce do uso problemático de videojogos torna-se proeminente, minimizando-se assim as repercussões que estes comportamentos podem ter no próprio indivíduo, nomeadamente problemas emocionais, alteração dos padrões de socialização, prejuízo do rendimento académico/profissional e atividades de lazer.

 

Marisa Marques

Investigadora do Departamento de Educação e Psicologia associada à equipa de investigação do STRESSLab (Laboratório de Investigação e Intervenção no Stress) sob a coordenação da Professora Anabela Pereira

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