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Entrevistas
Antigo Aluno UA – Armindo Gaspar, investigador, líder de projetos e gestor na Novozymes, EUA
“A UA ultrapassou as minhas expectativas, pela aprendizagem e experiências que me proporcionou”
Armindo Gaspar fez todo o percurso académico na UA e trabalha na Novozymes, EUA
Investigador, líder de projetos e gestor de I&D na área de biotecnologia aplicada a indústrias técnicas, nos Estados Unidos, Armindo Gaspar não esquece o seu percurso na UA, licenciatura, mestrado e doutoramento, que, afirma, o preparou como profissional que é hoje a trabalhar nos Estados Unidos. É uma cultura, um contexto laboral, diferentes a que se adaptou com facilidade. Até neste aspeto, reconhece, foi importante a formação na UA. Vários professores, colegas e toda a vivência na UA ficaram na memória.

Armindo Ribeiro Gaspar, 49 anos, trabalha na investigação em biotecnologia aplicada a Biorefinarias e biocombustíveis na Novozymes, na Carolina do Norte, Estados Unidos. É licenciado em Química Analítica (1992), mestre em Engenharia de Materiais (1996) e doutor em Química (2002) pela UA. Foi investigador no Instituto Raiz, parte do grupo de pasta e papel Navigator. Pouco tempo depois, mudou-se para os Estados Unidos e iniciou suas atividades como investigador na Universidade Federal da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Mais tarde, surgiu a oportunidade de trabalhar para a Novozymes. Após um período a trabalhar na sucursal desta empresa na América Latina, em Curitiba, no Brasil, voltou à Carolina do Norte. Numa primeira fase esteve a liderar projetos de colaboração com clientes de Biorefinaria Novozymes, integrando novamente o Departamento de desenvolvimento de Soluções para Biorefinarias, com foco na indústria do álcool, utilizando para além de enzimas, micro-organismos e sinergias entre ambos. Ao mesmo tempo, continua a dar suporte à aplicação de BioSoluções para as indústrias de produtos florestais, biomassa e cana de açúcar.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Confesso que não foi a minha primeira opção, mas foi a minha terceira. A primeira era Coimbra, já que sou da Figueira da Foz e a segunda foi Porto, pelo fascínio que tenho pelo Norte de Portugal. Aveiro aparece no top 3, por ser uma universidade nova, com boas referências na área que queria, Química, com grande dinamismo e em grande expansão na altura.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

Na verdade, a Universidade de Aveiro ultrapassou as minhas expectativas, pela aprendizagem e experiências que me proporcionou. O curso foi de encontro ao que esperava. No final, o saldo foi bem positivo.

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro? (algum professor/colega/ episódio?)

A camaradagem e amizades feitas com colegas da UA foi algo que me marcou bastante até hoje. Desde a interajuda nos estudos até ao convívio fora do campus foi um balanço que ajudou bastante a viver esses tempos de uma forma produtiva e inesquecível.

O Professor Carlos Pascoal Neto, hoje em dia diretor do instituto Raiz, está no topo da minha lista. Ainda hoje em dia, mantenho uma boa amizade com ele. Foi meu supervisor de Mestrado e Doutoramento. Foi ele que me ajudou a ser a pessoa que sou, hoje em dia, nas minhas aventuras pelo estrangeiro.

O Professor Júlio Pedrosa, que chegou a ser Reitor da UA e Ministro da Educação, também é outra pessoa que nunca vou esquecer. Foi ele que me incutiu o bichinho da investigação. Uma pessoa inspiradora e sempre com grandes ideias.

Outros professores com grande impacto no profissional que sou, pelos seus exemplos, foram os professores Armando Duarte, Ana Cavaleiro, Teresa Margarida dos Santos e António Ferrer Correia.

Sempre soube qual era atividade principal que queria realizar? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo? Foi ao longo da licenciatura?

Estar ligado à investigação e desenvolvimento foi algo que se tornou claro no meu último ano, aquando da participação numa iniciação à investigação, convidado pelo Professor Júlio Pedrosa, e depois um estágio na Universidade de Bremen, também incentivado por este professor. A partir destes projetos sempre procurei estar ligado à investigação, tirei o meu mestrado, doutoramento e continuei ligado à Ciência. Quanto ao mundo industrial, tornou-se mais claro aquando dos meus trabalhos na Universidade Estatal da Carolina do Norte.

Foi fácil o início da atividade profissional? Refira os principais fatores que contribuíram para essa facilidade/dificuldade.

Eu considero que a minha verdadeira vida profissional começou quando entrei no mundo empresarial. Até aí, foi uma longa carreira de aprendizagem e experiências. Essa transição para a vida profissional empresarial foi relativamente fácil, já que foi facilitada por toda a minha experiência acumulada até aí pelos vários grupos universitários em que colaborei.

Como descreve o seu dia-a-dia profissional /da sua atividade profissional atual?

O meu dia-a-dia é muito diverso. Desde a ajuda na execução e planeamento de experiências no laboratório, passando pela gestão e planeamento de projetos de investigação, até à preparação e comunicação dos relatórios sobre os avanços conseguidos perante os stakeholders, internos e externos à Novozymes, tudo isto na área de Biorefinaria. Também tenho que dedicar algum tempo como consultor de BioSoluções para outras áreas em indústrias de produtos florestais, biomassa e cana de açúcar.

O que mais o fascina nas suas atuais atividades?

A oportunidade de desenvolver BioSoluções para o bem do nosso planeta. É fascinante como é possível contribuir para um mundo melhor, mesmo dentro dos parâmetros típicos empresariais que focam o lucro. Soluções mais relevantes podem ao mesmo tempo ser também mais amigas do ambiente e do planeta. Essa é a magia da Biotecnologia.

Desenvolve outras atividades paralelas que queira referir e que mereçam relevo?

Nada de especial.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional? De que maneira?

A aprendizagem e vivências pessoais na UA foram fundamentais para a minha formação profissional e pessoal. O conhecimento de ponta adquirido na UA permitiu que eu pudesse facilmente integrar-me em outras equipas de topo mundial. Toda essa aprendizagem e vivência fizeram de mim uma pessoa que facilmente se adapta a novas realidades e oportunidades.

Em que cidade trabalha?

Raleigh, Carolina do Norte, Estados Unidos

Dado que trabalha nos Estados Unidos, e já trabalhou nos Brasil, como foi a adaptação às diferentes condições de trabalho e ao novo ritmo de vida?

A adaptação a uma nova realidade é sempre algo que leva tempo, mas com que aprendemos a lidar. Nos Estados Unidos, é relativamente fácil a adaptação. Acho que tem a haver com o facto de ser uma cultura muito conhecida e com muitos aspetos de que ouvimos falar bastante. Por outro lado, a empresa em que trabalho é uma multinacional com origem dinamarquesa e com uma cultura muito europeia. A língua e as raízes serão fatores que nos fazem sentir que não estamos a 100% imersos nesse país.

Diferenças entre o trabalho em Portugal e Estados Unidos/Brasil?

Quanto ao ambiente de trabalho, propriamente dito, é uma realidade bem mais exigente e bem organizada. Se as coisas são planeadas para acontecer é porque vão acontecer e no tempo definido. Já a realidade no Brasil foi um desafio. É uma cultura latina, mais relaxada. No dia a dia, é mais fácil de levar, mas, na exigência profissional, é um desafio constante. As coisas nem sempre acontecem como planeadas e é necessário usar a flexibilidade em nosso favor.

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