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Opinião
Margarida Isabel Almeida, Técnica Superior Serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia
Celebrações, memórias e outras histórias 2018 – Ano Europeu do Património Cultural
Margarida Isabel Almeida
Cultura e património cultural são comummente assumidos como “bens necessários” a tomar em doses regradas, quase medicinais, porque são saudáveis e promotores de bem-estar individual ou social e encarados como imperativos societais e de responsabilidade para com a história, a memória e a identidade. No entanto, e reconhecendo a importância do património cultural, segundo dados do Eurobarómetro, Portugal ainda revela consumos culturais muito baixos.

Adotar 2018 como Ano Europeu do Património Cultural visa ”contribuir para a promoção do papel do património cultural enquanto elemento central da diversidade e do diálogo interculturais; potenciar o contributo do património cultural europeu para a economia e para a sociedade; e contribuir para a sua promoção como um elemento importante da dimensão internacional da União Europeia.” Nas palavras de Guilherme d’Oliveira Martins, coordenador nacional desta iniciativa, “não se trata apenas de um gesto de boas intenções – mas da demonstração da importância das raízes históricas e culturais; da necessidade de proteger e salvaguardar o património comum; da importância transversal e estratégica das políticas públicas ligadas à Educação, à Formação e à Ciência, bem como do entendimento de que a proteção do património cultural, no contexto de uma identidade aberta e plural, e a sua ligação à qualidade da criação contemporânea podem corresponder a uma visão integrada do desenvolvimento.”

Percorrendo o diretório português de iniciativas com o selo do Ano Europeu do Património Cultural são muito diversas as iniciativas em curso e dirigidas a todos os tipos de públicos. As que a Universidade de Aveiro (UA) propõe abrangem várias expressões: a língua, o património construído, a gastronomia, a música, os acervos da UA, o património industrial, entre outras, que se lhes juntarão até ao final de 2018.

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Pormenores da exposição “Porque na biblioteca não há só livros: evolução das tecnologias da informação na biblioteca da UA”

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia, no âmbito da definição de Agendas Temáticas para a Investigação e a Inovação, avançou também uma agenda para a “Cultura e Património Cultural”, com o intuito de estruturar um conjunto de questões-chave, fatores críticos e elencar linhas prioritárias a desenvolver num médio a longo prazo (2030) no contexto nacional. O documento, ainda em construção, foi levado à discussão da comunidade técnica e científica em abril, propondo quatro subtemas estruturantes: trânsitos culturais, identidades e memórias; sustentabilidade e ambientes em mudança; processos criativos, produção cultural e sociedade plural e língua, tecnologias, cultura digital e produção de valor. Estão também presentes questões como os desafios digitais, a acessibilidade da cultura, a cultura cidadã, a proximidade à economia criativa, ao turismo e ao desenvolvimento territorial numa, cada vez mais, abrangente e transdisciplinar visão da preservação, estudo, gestão, comunicação e apropriação do património cultural.

A multidisciplinariedade nas abordagens ao património cultural e as interações entre as humanidades, as artes, as ciências exatas, a comunicação, a computação, os estudos culturais, a gestão, o design e as tecnologias são assumidas como vitais no atual e futuro panorama. Neste domínio, o potencial científico e técnico da UA, se exercitado e sustentado com recursos, planeamento e gestão estratégica, poderá contribuir fortemente para o desenvolvimento deste setor. Matéria-prima também não falta, tendo em conta o seu património material, imaterial e digital, o dos territórios em que se insere e da sociedade com que interage nas suas redes de conhecimento e de intervenção.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 29 da revista Linhas.
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