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Entrevistas
Antigo aluno UA - Carlos Martins, licenciado em Economia
Na UE ao serviço do Mecanismo Europeu de Estabilização
Carlos Martins
Está no Luxemburgo ao serviço do Mecanismo Europeu de Estabilização (MEE), uma organização inter-governamental de assistência financeira criada em 2012 para ajudar a financiar os países da zona euro em dificuldades. Licenciado em Economia pela UA, Carlos Martins é, aos 36 anos, um dos senior portfolio manager do MEE. Aos seus ombros tem a responsabilidade de gerir e investir o capital daquela instituição. Como consultor, participa ainda em missões de assistência técnica do Fundo Monetário Internacional.

Corria o ano de 2012. Em pleno auge da crise da zona euro, Carlos Martins comprou um bilhete de avião sem volta, fez as malas e rumou em direção ao Luxemburgo, mais concretamente para o MEE. À sua espera estava o cargo de portofolio manager e, como tal, a missão de ajudar a repor o equilíbrio financeiro na união monetária. A aguardar por Carlos Martins estava também a continuação do sonho de trabalhar nos mercados financeiros.

“Sendo portfolio manager tenho que gerir uma carteira de ativos de dezenas de milhares de milhões de euros, com vista a equilibrar o binómio risco/retorno de acordo com o ‘apetite’ enunciado e definido pela organização”, explica Carlos Martins cujas decisões no dia-a-dia têm consequências imediatas.

Efetivamente, e para que no fim do dia tenha feito toda a diferença, o trabalho de Carlos Martins implica que tenha não só um enorme conhecimento das dinâmicas dos mercados financeiros, como faça uma constante monitorização da economia global e das diversas variáveis macroeconómicas.

Passaporte para os mercados financeiros

Chegou à Licenciatura em Economia em 1998. Escolheu a UA e o Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT), juntando o útil ao agradável: como é natural de Aveiro, estudar na UA permitia-lhe poupar dinheiro para mais tarde estudar fora do país e, bem ponderadas as coisas, a Licenciatura em Economia tinha uma qualidade que lhe preenchia a ambição de ser economista e de trabalhar em mercados financeiros.

“O curso estava numa fase de crescimento e implementação, estando o corpo docente bem-dotado de professores jovens oriundos de várias universidades portuguesas de prestígio, na área da Economia, e correspondeu às minhas expectativas na medida em que possibilitou uma base muito sólida para me lançar no mercado de trabalho”, lembra Carlos Martins.

Quanto à UA, esta “tinha e tem uma exigência muito particular no âmbito da Matemática e do Cálculo, que julgo serem absolutamente determinantes para o desenvolvimento e preparação dos alunos para um mercado de trabalho competitivo e exigente”. Os grandes alicerces em Cálculo e Macroeconomia são as principais ferramentas que Carlos Martins diz ter levado da UA para o mercado de trabalho.

Dos quatro anos de licenciatura recorda com especial carinho o professor Miguel Lebre de Freitas de quem diz ter sido determinante para o seu futuro “não só pela enorme capacidade técnica em Macroeconomia, mas também pela perspetiva de economia livre de mercado” que lhe transmitiu.

“Ainda hoje quando tenho que tomar decisões em termos de compra e venda de obrigações de dívida pública e analisar o plano macroeconómico, recordo-me das cadeiras de Economia Internacional e Economia Portuguesa. O nível de exigência era máximo e isso permitiu um esforço suplementar de superação”, assegura.

E sempre soube a profissão que queria seguir? “Qualquer aluno de Economia sonha trabalhar em mercados financeiros ou ser economista. Na altura não tinha a exata noção onde poderia aplicar os conhecimentos adquiridos em concreto, mas sempre progredi na carreira profissional sabendo que gostava do que fazia e faço e que, de facto, seria a atividade profissional que sempre quis”.

Rumo ao sonho

No final da Licenciatura rumou para o Reino Unido, mais concretamente para a Lancaster University Management School, onde fez um Mestrado em Finanças. Após terminar a formação, e depois de uma breve passagem pela UA, onde participou num projeto de investigação, começou a atividade profissional em mercados financeiros no Banco BiG como trader de obrigações e produtos de taxa fixa. Esteve seis anos no BiG.

Em 2012, no pico da crise da zona euro, ingressou no MEE. Ocasionalmente, participa também em missões de assistência técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) como consultor em gestão de reservas monetárias a bancos centrais de países em desenvolvimento.

Em paralelo, teve uma experiência no ensino na universidade Católica do Porto onde, como docente convidado no ano letivo de 2013/14, lecionou a cadeira de Gestão de Carteiras.

O que mais o fascina no trabalho diário no MEE? “A consequência das tomadas de decisão serem quase imediatas. O retorno dos investimentos e, portanto, a resposta se a decisão for acertada ou não, acontece a todo o momento. Os mercados financeiros são muito rápidos e vorazes a ajustar expectativas e a descontar as diferentes visões de mercado”, responde sem dúvidas.

Assim, nenhum dia é igual ao outro. “Diariamente é necessário incorporar toda a nova informação e expectativas num preço que, por sua vez, é a combinação da perspetiva dos diferentes agentes.

A maior lição que se tira ao lidar com mercados financeiros é que os preços são um equilíbrio instantâneo de desconto de expectativas futuras, ou seja, de probabilidades de algo acontecer”.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 29 da revista Linhas

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