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Entrevistas
Antigo Aluno UA: Rui de Carvalho, Novas Tecnologias da Comunicação
“Mais do que uma formação académica, foi formação pessoal”
Rui de Carvalho é gestor de projeto IT e diretor de Informação do Portal Martim Moniz
Gestor de Projeto IT e diretor de Informação no Portal Martim Moniz, portal bilingue dedicado às relações Portugal-China, Rui de Carvalho considera que a Universidade de Aveiro (UA) lhe “trouxe tudo: mais do que uma formação académica, foi formação pessoal”, afirma. O antigo aluno de Novas Tecnologias da Comunicação aconselha quem quiser investir na China a delinear muito bem a estratégia, reconhece que é difícil ultrapassar, em termos digitais, a chamada “Great Firewall of China” mas o Portal que gere pode ajudar.

Rui Carvalho, nascido a 27 de maio de 1982, tirou a licenciatura em Novas Tecnologias da Comunicação na Universidade de Aveiro (UA), frequentou o Mestrado em Redes e Sistemas de Comunicação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e está a terminar um MBA em Gestão de Empresas. Foi professor durante sete anos no ensino público secundário, fez várias formações em comunicação, liderança e gestão de projetos. O antigo aluno da UA Portal Martim Moniz afirma que o Portal que dirige, em termos informativos, é a maior plataforma de interligação luso-chinesa e bilingue existente em Portugal e, em termos profissionais, o maior especialista em negócios com a China.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

No ensino secundário confesso que, por pressão familiar, estive para seguir Direito, mas depois tomei conhecimento da existência do curso de Novas Tecnologias da Comunicação na UA e falei com alunos do curso que me deram as melhores informações acerca do mesmo. Inicialmente, não tinha grande conhecimento acerca da Universidade em si.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

O curso não só correspondeu às minhas expectativas como as excedeu em larga escala. Professores de referência e acessíveis, bons equipamentos, um ambiente fantástico e uma interação entre alunos inacreditável levaram a que me formasse não só como profissional, mas como pessoa. Da UA tenho saudades do “meu” DeCA, dos meus colegas, do “Caloiródromo” e da Biblioteca, das “Catacumbas”, mas essas recordações nunca se desvanecerão pois continuo a ter contacto com os meus colegas de curso.

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

Tudo me marcou. Desde a praxe que foi inteiramente de integração aos desfiles da semana do enterro, foram muitos os momentos que me marcaram. Tantos que seria injusto nomear uns e omitir outros. Contudo, tenho que referir que os meus amigos mais próximos (Licínio Mano, Nuno Ribeiro, João Marques, Vasco Sousa, Catarina Teixeira, Rui Pereira, Tiago “Açores” Soares, Mário Lourenço, entre tantos outros) como alguns professores (Carlos Santos, Rui Raposo, Mário Vairinhos, Carlos Galaricha, Fátima Matias, Jorge Ferraz e Arménio Rego) contribuíram e muito para o aprimoramento da minha vida não só pessoal, mas profissional.

O nível de ensino altíssimo foi algo marcante no meu percurso académico, juntamente com as condições físicas de todo o campus universitário.

Sempre soube qual era atividade principal que queria realizar – nomeadamente, a de diretor técnico e de informação de um portal? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo?

Quando terminei o curso, fui tirar um mestrado para a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto de Redes e Sistemas de Comunicação, mas por motivos familiares não o consegui terminar. Regressei à minha terra natal, Palmela, onde fiz trabalho de Freelancer em vários projetos relacionados com a multimédia e a comunicação. Depois, trabalhei cerca de um ano na CaboVisão (atual Nowo), ingressei no ensino publico como docente e por lá fiquei durante sete anos. Durante estes anos fui tirando várias formações em áreas como a Comunicação, Liderança e, posteriormente, em Gestão de Projetos. Posteriormente, surgiu o convite de assumir a Gestão de Projeto do Portal Martim Moniz e faço parte deste projeto desde Janeiro de 2015. O mesmo começou a assumir proporções que não estávamos à espera e conjuguei os cargos de gestor de Projetos e diretor de Informação do mesmo, devido ao registo do Portal Martim Moniz na Entidade Reguladora da Comunicação.

Foi fácil o início da atividade profissional? Refira os principais fatores que contribuíram para essa facilidade/dificuldade.

A transição do mundo académico para o mundo profissional nunca é, na minha opinião, fácil. A verdade é que queria fazer muita coisa e faltava-me uma especialização que ainda não sabia qual era. Contudo, o estágio curricular que realizei com duas colegas (Rita Alves e Dora Silva) no MultiMeios, em Espinho, revelou-se uma experiência fantástica, pois deu-nos a conhecer o verdadeiro mundo profissional. O ensinar revelou-se uma paixão que não esperava, mas gerir um projeto como um todo, principalmente tão grande como o do Portal Martim Moniz, é algo que me apaixona diariamente.

Como descreve o seu dia-a-dia profissional /da sua atividade profissional atual?

O meu dia-a-dia é uma correria. Em termos de horário trabalho, das 09h30 às 19h00, mas isto é apenas no papel. Tudo tem de ser planeado diariamente. Fazer a gestão da equipa de IT e de comunicação e gerir informação interna e externa da empresa é uma constante. Claro que existem projetos paralelos ao grupo de empresas dos acionistas que merecem a atenção devida seja em termos de plataformas digitais, seja com reuniões com clientes e investidores. Como cada dia é uma aventura, não existe um esquema concreto em termos temporais, algo que transforma a monotonia em situações desafiantes. O Portal Martim Moniz assenta num tridente (Centro de Tradução, Centro de Intérpretes e Centro de Línguas) e para dar apoio a todos estes serviços não é algo fácil, confesso.

O que mais o fascina nas suas atuais atividades?

Fascina-me pensar, planear e executar projetos. Não falo só de processos, mas adoro gerir, liderar e motivar pessoas. Tentar aproximar duas culturas completamente distintas como a portuguesa e a chinesa é algo a que o Portal Martim Moniz se presta, pois a China é muito mais que as pequenas lojas e restaurantes que encontramos em Portugal: é um mundo moderno aliado à tradição milenar.

Desenvolve outras atividades paralelas que queira referir e que mereçam relevo?

Além da minha atividade profissional que me ocupa a maioria do meu tempo, a minha paixão sempre foi a música. Tive alguns projetos com colegas da UA e uma breve passagem pelo coro GRADUALE e, desde há alguns anos, que sou músico contratado nalgumas bandas. A passagem pelo DeCA e o convívio com alunos do ensino de música potenciou o gosto pela música. Estou a concluir um MBA em Gestão de Empresas e, em 2019, pretendo abrir uma startup microcervejeira artesanal com dois amigos, projeto esse que está a ser ultimado.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional? De que maneira?

O meu percurso pela UA trouxe-me tudo. Mais do que uma formação académica, foi uma formação pessoal pois fez-me crescer em inúmeros aspetos. O que mais me fica é terem-me ensinado que o “nós” é sempre mais importante do que o “eu”. Levo isso para a vida e se pudesse voltar atrás no tempo teria ingressado na UA e no curso de Novas Tecnologias da Comunicação na mesma. Foi uma fase da minha vida que recordo com saudade, uma vez que me trouxe tanto que chega a não ser possível demonstrar o meu profundo agradecimento através de palavras.

Porquê criar um portal bilingue (Portal Martim Moniz) dedicado às relações Portugal-China?

O Portal Martim Moniz, criado em 2015, é uma plataforma online bilingue que pretende ser uma referência entre a cultura portuguesa e chinesa, procurando um caminho de suporte digital, de comunicação, multidisciplinar e de intercâmbio cultural, informativo e comercial entre Portugal e a China. Tendo em conta o crescimento das relações luso-chinesas, revela-se de extrema importância uma plataforma como esta que consiga efetuar a interligação entre duas culturas tão distintas. A sua administração é composta por elementos portugueses e chineses, levando a um conhecimento maior de ambos os mercados.

Além disso, o Portal Martim Moniz quer estimular a crescente interação entre estas duas culturas, oferecendo uma resposta diversificada e credível à comunidade chinesa, que cada vez mais procura Portugal, quer como destino turístico, quer numa ótica de investimento, ou até para viver.

Basicamente, sendo a primeira plataforma bilingue português-chinês no nosso país, queremos aproximar duas nações que possuem uma relação com mais de 500 anos.

Como avalia o estado das relações entre os dois países? Há quem veja com preocupação o atual nível de investimento chinês em Portugal. Será justificada essa preocupação?

É comum ouvir-se declarações do embaixador da China em Portugal, Cai Run, que referem que as relações entre ambos os países “estão no melhor momento da sua história. Tendo em conta a quantidade de acordos celebrados nos últimos anos, nas mais diversas áreas, como economia, política, tecnologia, ensino, entre outras, considero que o diplomata chinês está completamente certo nas suas palavras. Não creio de todo que deva existir preocupação com o atual nível de investimento chinês em Portugal. Os chineses têm apostado, principalmente, em setores estratégicos da nossa economia, melhorando bastante a saúde financeira de muitas empresas nacionais. Os frutos deste investimento traduzem-se numa maior estabilidade dessas empresas e dos seus trabalhadores, algo que é fulcral para a estabilidade da nossa economia.

Investir na China é hoje mais fácil do que há 20 anos? Porquê?

Muitas pessoas ainda têm a ideia que é muito complicado entrar na China. É verdade que atualmente já é muito mais fácil que há 20 anos, porque o próprio país quis abrir-se ao mundo a nível económico. Os empresários portugueses têm consciência que é um mercado que oferece inúmeros desafios e oportunidades, mas também sabem que na hora de tentarem investir lá têm de o fazer com uma estratégia muito bem delineada. Um dos sinais da abertura ao investimento de outros países tem passado pela criação de zonas de comércio livre, em várias cidades, desde 2013, com cargas de impostos mais leves para empresas estrangeiras.

Contudo, em termos digitais, é difícil entrar na China. A Great Firewall of China (nome dado em tom de brincadeira) é algo difícil de ser contornado, pois envolve alguns trâmites legais e tecnológicos, mas é algo em que somos especialistas. Investidores que pretendem investir na China recorrem, normalmente, aos serviços do Portal Martim Moniz.

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