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Entrevistas
Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro
"Tenho uma fé inabalável no potencial da UA"
Paulo Jorge Ferreira, Reitor da Universidade de Aveiro
Com a internacionalização, a relação com a região, a diferenciação, a qualidade e a dimensão humana como áreas prioritárias, Paulo Jorge Ferreira inicia agora um novo ciclo na liderança da UA. A sua “ideia para a UA” passa por uma universidade interdisciplinar, humanizada, articulada com as estratégias locais, atrativa para os públicos além-fronteiras e centrada no bem-estar da comunidade.

Esta entrevista pode ser visionada na íntegra no Youtube da UA.

Como nasceu o desejo de ser Reitor da UA? Imaginava um dia, ainda como estudante, vir a ser Reitor da universidade onde estudou?

O desejo não nasceu em mim. Foi algo que aconteceu ao longo de um caminho que foi sendo construído com as pessoas. Foram as pessoas que quiseram. Não consigo identificar no passado um momento em que tenha pensado “quero ser Reitor da Universidade de Aveiro”. Nem como estudante, nem como professor associado, nem como professor catedrático. Não foi uma aspiração, um desígnio, algo planeado. A dado momento tive de decidir se teria disponibilidade para isso, mas nunca o senti como uma vontade individual. Foi algo que nos aconteceu: um ato plural e não singular, um processo coletivo

Como é que perspetiva o seu mandato? Consegue antecipar os principais desafios que vai encontrar?

A ideia que tenho para a UA está detalhada no programa de ação que apresentei ao Conselho Geral, mas a forma como se irá concretizar não depende apenas de mim. Depende de todos. Digo todos porque só há uma UA. Aquele programa de ação não é o meu programa de ação, é o nosso programa de ação. Portanto, será o que me vai orientar na busca de uma relação com a instituição que nos possa levar mais à frente.

Os desafios são muitos, com certeza. Aliás, uma universidade que acha que não temdesafios pela frente está, provavelmente, perante o maior deles todos. Eu identifiquei alguns. A minha principal aspiração é criar um ambiente mobilizador aberto à participação, no qual as pessoas se sintam bem e a partir do qual se possa construir uma relação exemplar com os estudantes, os docentes, os investigadores, o pessoal técnico, administrativo e de gestão. Se conseguirmos isso, com certeza que estaremos a ter sucesso noutras vertentes da missão da universidade, porque esses ambientes proporcionam o aparecimento de mais ideias, pessoas mais motivadas e melhores resultados.

Em que é que a sua ação será diferente? Haverá transformações de fundo?

As universidades são instituições quase milenares que já foram muito fechadas, muito viradas para os destinos e interesses de uma elite, muito concentradas na preservação e transmissão do conhecimento, que mudava muito pouco de geração para geração. Mais tarde as universidades começaram a preocupar-se com a criação e transmissão de conhecimento. O processo de criação de conhecimento foi dando frutos e tendo impacto na sociedade. As universidades adquiriram então uma dimensão nova, relacionada com a responsabilidade social, com o desejo de transformar e transferir conhecimento para a sociedade. Esta terceira vertente na missão das universidades é hoje extremamente importante. Em simultâneo, deu-se a massificação do acesso ao ensino superior. Neste momento as universidades desenvolvem-se nestas vertentes. Isto relaciona-se com a interdisciplinaridade, porque quando se transfere conhecimento para a sociedade, quando somos permeáveis aos problemas da sociedade, somos forçados a reconhecer que eles nos exigem interdisciplinaridade.

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A minha principal aspiração é criar um ambiente mobilizador aberto à participação

Quais serão as áreas prioritárias neste mandato que agora inicia como Reitor e que vão permitir materializar a “ideia” que tem para a UA?

São vários os eixos de atuação e são difíceis de separar uns dos outros. Quando eu falo de um deles em separado, reduzo-lhe, de certa forma, o âmbito, pois eles reforçam-se e entrecruzam-se de várias maneiras. Há dois eixos importantes – a internacionalização e a relação com a região – que são tudo menos novos. Fazem parte da visão fundadora da universidade desde o seu início. É claro que agora podemos pegar neles à luz do presente, numa sociedade 40 anos adiantada relativamente ao momento em que essa visão fundadora foi concebida. Mas parece-me que é extremamente interessante e que só reforça a validade dessa visão fundadora que 40 anos depois se identifiquem por vias diferentes os mesmos grandes objetivos: uma Universidade de Aveiro para o mundo, com uma visão internacional, decididamente voltada para um mundo global mas buscando em simultâneo uma relação de proximidade com a região, proximidade essa que reforçará os dois, a universidade e a região. Estas duas linhas são extremamente importantes.

Outra linha de ação que eu não consigo separar de nenhuma das outras tem a ver com as pessoas. Temos ideias, mas as ideias são concretizadas por pessoas. A própria palavra “universidade” remetia, no início, para “o conjunto das pessoas”. A dimensão humana das universidades, como concentradoras de talento, talento este que reside nas pessoas, é a sua dimensão fundamental. É essa dimensão que é preciso desenvolver e cuidar. Depois há dimensões adicionais que são também muito importantes para a universidade: a necessidade da diferenciação e a preocupação com a qualidade. Uma universidade para se afirmar tem de ter características próprias, diferenciadoras, e tem de se afirmar pela qualidade.

 

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Estamos numa posição quase única para desenvolver competências interdisciplinares

O ensino é, por excelência, uma das missões principais de qualquer universidade. No seu plano de ação, e tal como já fez alusão várias vezes, sublinha a necessidade de criar e afirmar a marca “UA Interdisciplinar”. Que mudanças e melhorias se podem esperar a este nível?

As disciplinas são, em certa medida, uma criação humana. São criações da mente humana para compartimentar o conhecimento. Uma só mente não conseguiria abarcar tudo. Portanto, começámos a compartimentar, a dividir. O progresso em cada disciplina foi continuando ao longo do tempo e quando considerámos os grandes desafios da sociedade verificámos um desajuste: as fronteiras das disciplinas são umas, as necessidades dos problemas sociais impõe-nos outras. Os desafios do mundo real não se ajustam sempre às fronteiras das disciplinas. Temos de nos organizar para lhes dar resposta de uma maneira nova. A Universidade de Aveiro tem meios muito próprios para o fazer: tendo uma estrutura baseada em departamentos e por conseguinte em disciplinas, não tem as barreiras adicionais inerentes às escolas ou faculdades. Agora que os desafios societais nos pedem mais atenção à interdisciplinaridade, agora que as empresas se organizam em torno de equipas multidisciplinares, estamos numa posição quase única para desenvolver competências interdisciplinares.

Essas práticas de interdisciplinaridade devem estender-se também à investigação? De que forma?

Essas práticas já começaram a alargar-se à investigação há bastante tempo. A investigação já reconheceu há muito tempo o interesse da interdisciplinaridade. Na verdade, foram-se criando interdisciplinas ao longo do tempo que são fáceis de identificar pelo nome, que muitas vezes tem parte do nome de uma disciplina e parte do nome de outra: bioquímica, bioinformática, fotónica ou mecatrónica, por exemplo. Das vertentes da missão da universidade, a formação é talvez aquela em que os reflexos da interdisciplinaridade ainda não são totalmente visíveis. Os cursos ainda são organizados de acordo com padrões disciplinares. Os estudantes contactam com estudantes do mesmo curso e das mesmas disciplinas, ainda que depois no mercado de trabalho tenham necessidade de contactar com outras disciplinas. Acho que há espaço para darmos um passo em frente e passarmos para um modelo de ensino mais adequado à interdisciplinaridade. Na investigação demos já esse passo, mas no ensino e na cooperação ainda há trabalho a fazer.

Relativamente à cooperação, a UA é reconhecida pelo trabalho que tem desenvolvido junto da sociedade, nomeadamente com empresas e instituições da Região de Aveiro. Vai introduzir algum elemento diferenciador em relação ao trabalho que tem sido feito nesta componente?

A cooperação é essencial. Uma universidade deve estar disponível para, junto da sociedade em geral, e certamente junto da região que lhe está mais próxima, recolher elementos orientadores que lhe permitam adequar e atualizar a sua formação. A cooperação e a proximidade são importantes para termos formação sintonizada para as necessidades da região e do país. Penso também que a relação com a região é importante por uma outra razão. Para que haja crescimento e convergência de Portugal para a Europa é importante conseguir a participação do setor público e do setor privado. O setor privado pode desempenhar um papel mais ativo na convergência para a Europa, por exemplo no investimento na investigação e inovação, se as universidades contribuírem para o capacitar, para o valorizar, numa lógica de cooperação em benefício mútuo. A universidade valoriza a região, e uma região mais competitiva e dinâmica valoriza a universidade.

A valorização dos campi da UA, uma maior conexão com as cidades envolventes e a promoção da sua sustentabilidade fazem parte do conjunto de propostas que dão corpo à sua estratégia. Que ações prevê implementar neste campo?

Preocupa-me a integração e a articulação dos campi com as cidades UA, com as estratégias dos municípios. Quando falo em colaboração com a região deve ser uma colaboração em benefício mútuo, como já disse, mas também muito atenta ao que são as estratégias locais. A UA deve saber quais são os planos estratégicos de desenvolvimento urbano em cada um dos municípios e como é que pode contribuir para se valorizar, valorizando também esses planos. Devemos ser capazes de desenvolver uma estratégia em conjunto com esses municípios que aproxime os campi das cidades e que valorize ambas as partes. Essa é uma das grandes preocupações. O património, numa lógica de revitalização e reabilitação, articuladas com a estratégia local, pode contribuir para aproximar e integrar melhor a universidade na cidade.

Nos últimos anos a UA tem aumentado o número de estudantes internacionais, que são uma fonte de receita importante e uma forma de promover o multiculturalismo na UA. A captação destes alunos continuará a ser uma prioridade? Como é que pretende reforçar a atratividade da UA internacionalmente?

Temos perto de 90 nacionalidades presentes nos campi, um número elevado. A internacionalização, a meu ver, já é inevitável na sociedade moderna. As pessoas deslocam-se muito mais facilmente agora que no passado. Por isso, inevitavelmente, a internacionalização tem uma componente involuntária, que nos chega através da sociedade que nos rodeia, ela própria cada vez mais internacional. Mas temos também uma componente internacional que não é dessa natureza e que procuramos ativamente. Eu não a classificaria como uma mera fonte de receita. Contribui para o enriquecimento cultural da instituição, que é muito mais importante que a mera receita. As nossas preocupações neste contexto têm de incluir obrigatoriamente o alojamento, que é essencial para a internacionalização, e a integração. Sem integração não teremos uma instituição internacionalizada, mas um conjunto de populações estanques. Isso não nos interessa, não é multiculturalismo. A riqueza da instituição é muito maior se conseguirmos uma integração plena num quadro de vivência e intercâmbio cultural. A preocupação com a internacionalização também se tem de refletir na composição e atribuição de competências dentro da equipa reitoral. Como a internacionalização é relevante para todas as vertentes da missão, a equipa reitoral tem de estar preparada para dar resposta adequada.

Mais estudantes nacionais e internacionais implica que a UA consiga dar resposta positiva às solicitações, nomeadamente ao nível dos apoios sociais: residências e bolsas. Como pretende reforçar esta área?

O alojamento é importantíssimo para garantirmos igualdade de oportunidades, mas a sua importância vai além disso. Uma oferta formativa inovadora atrairá mais alunos do estrangeiro e uma atmosfera criativa e mobilizadora poderá suscitar o interesse de mais professores e investigadores estrangeiros. O alojamento é importante para darmos uma resposta adequada a estas pessoas e reforçar a atratividade. Todas estas realidades se entrecruzam: a atratividade, a internacionalização, a diferenciação. É necessário que a UA consiga dar resposta adequada às necessidades de alojamento em todas as cidades UA. E é por causa de um cenário de internacionalização crescente que dou tanta atenção ao alojamento e ao desporto, porque são ambos fatores de integração muito importantes.

Refere-se várias vezes à Diferenciação e à Qualidade. Que tipo de trabalho será desenvolvido neste campo?

Uma arquitetura de formação como a que expliquei é inovadora, é única e, portanto, é diferenciadora. Se conseguirmos ter cursos marcados pela interdisciplinaridade, ainda mais abertos à realidade do país e da região, voltados para o desenvolvimento da sociedade, teremos mais uma característica diferenciadora profunda. Com certeza seremos depois seguidos por outros. E, portanto, temos de o fazer com qualidade para que se um dia a vantagem da inovação se perder, a da qualidade se mantenha. A qualidade tem de estar sempre presente.

Destaca também a importância do desporto como um importante fator de integração, chegando a sublinhar no seu plano de ação que é “altura de iniciarmos um novo ciclo relativo ao desporto na UA”. Quais vão ser os contornos dessa mudança?

O desporto traz múltiplos benefícios. É importante para a nossa comunidade em termos de bem-estar e saúde; como fator de atratividade para novos estudantes e novos praticantes; e permite-nos chegar às escolas por uma via adicional que ainda não estamos a aproveitar. Podemos, se tivermos instalações para isso, cativar estudantes e trazê-los à universidade por uma nova via que reforça outras já existentes. Trata-se de uma vantagem para a região e para a própria universidade.

O interesse da prática desportiva na universidade não se limita aos estudantes, claro, mas é muito importante para eles. Obtiveram resultados extraordinários dos últimos anos. Mas quando olhamos para a percentagem de praticantes em toda a comunidade UA e a todos os níveis, incluindo o nível recreativo, encontramos um valor muito baixo quando comparado com outros países europeus e com instituições semelhantes à UA. Ora, se pensarmos em 15/20 mil estudantes a longo prazo e considerarmos uma meta de 40 por cento de praticantes, vemos de imediato que as infraestruturas que temos no campus não chegam. Temos que pensar em novas infraestruturas, que deverão ser pensadas em articulação com a região. São equipamentos caros que abrem oportunidades não só ao nível desportivo, mas também ao nível cultural e outros e, por isso, devem ser pensados numa lógica de complementaridade face aos já existentes na região e permitir, dessa forma, uma proximidade maior com os municípios. Não os vejo apenas como peças âncora na estratégia da universidade, vejo-os comos peças complementares de uma estratégia conjunta a definir com a própria região. Para que haja oferta adequada às necessidades e boa utilização posteriormente é necessário que haja proximidade e entendimento quanto à estratégia. Penso que vamos ao encontro de uma aspiração de todos.

Uma universidade que preste às pessoas atenção especial posiciona-se para ter um desempenho melhor em todas as vertentes da sua atividade

É grande defensor de uma UA mais humana, centrada nas pessoas e na comunicação, referindo-se à necessidade de uma comunicação mais próxima sobretudo com os colaboradores (docentes, pessoal técnico, administrativo e de gestão, investigadores,…). Como pretende implementar essa comunicação e promover uma maior humanização na UA?

Eu penso sempre nas pessoas como o coração das universidades. Segundo o Banco Mundial, 68 por cento da riqueza dos países mais desenvolvidos é capital humano. Numa universidade, que é uma instituição decididamente voltada para a criação e transmissão de conhecimento e cooperação, a fração da riqueza concentrada nas pessoas deve ser ainda maior. Quando pensamos em melhor investigação ou melhor educação temos de pensar nas pessoas. Afinal, quem investiga, ensina e aprende são pessoas. Quando pensamos em cooperação com a sociedade pensamos em pessoas e na valorização do conhecimento e da sociedade. As atividades culturais e desportivas são dirigidas às pessoas. Sem surpresa nenhuma, as pessoas estão na base de tudo. Uma universidade que preste às pessoas atenção especial posiciona-se para ter um desempenho melhor em todas as vertentes da sua atividade. E é por isso que me guio por esta ideia, que terá reflexos em todas as vertentes da missão da universidade.

As condicionantes orçamentais são sempre um dos maiores problemas para quem gere uma instituição. É do conhecimento geral que o financiamento do Estado à UA não é suficiente para fazer face a todas as despesas. Uma das medidas que apresenta para combater esta situação é o recurso ao mecenato e à prestação de serviços. Pode explicar como vai concretizar esse objetivo?

Todas as instituições se queixam disso, portanto não é uma novidade. O importante é o que podemos fazer quanto a isso e como podemos reforçar a autonomia financeira da universidade, tornando-a de alguma forma mais independente do Estado, sem desvirtuar o seu caráter de instituição pública virada para o serviço público. E a meu ver, mais uma vez, a relação com a região, a internacionalização e a aposta na investigação de qualidade e nas pessoas é importante para isso. Uma grande parte das receitas da investigação acaba por se refletir em benefício da própria instituição; a proximidade com a região permite-nos captar receitas que são essenciais para complementar as receitas do orçamento de estado. São necessárias três condições para uma instituição de sucesso: a primeira é o talento (as pessoas), a segunda são os recursos (que podem vir do setor público e não só) e a terceira são instrumentos de gestão e de governo eficientes para que a presença do talento e dos recursos leve a bons resultados. Estamos empenhados em conjugar estes três elementos para obter bons resultados.

Das quatro fontes de receita (estado, mecenato, propinas e prestação de serviços ao exterior) a única que está ao alcance da universidade mudar é a relação com o exterior, a prestação de serviços, numa lógica de enriquecer a região, a sociedade e a própria universidade. É um dos caminhos a percorrer já. Em Portugal, o mecenato tem menos tradição, mas importa não o esquecer e fazer algo no sentido de o desenvolver.

Como é que vai organizar todos estes eixos de ação em pastas, nomeadamente em termos de vice e pró-reitorias?

A qualidade é transversal a todas as vertentes da missão da universidade e tem havido, no passado mais recente, vice-reitores com a pasta da qualidade. Vai continuar a haver. É necessário que assim seja e desse ponto de vista não há grandes mudanças na organização, pois continuará a haver um Vice-reitor com a pasta da Qualidade. Haverá mudanças noutros setores. Por exemplo, à Investigação vamos juntar a Inovação. Na investigação produz-se conhecimento consumindo recursos e na inovação produzimos recursos à custa do conhecimento. Portanto, são atividades que devem estar próximas, em liderança e gestão. A melhor maneira de manter a coordenação e a articulação entre investigação e inovação é mantê-las debaixo da mesma chefia. Vamos ter uma vice-reitoria para a Investigação e Inovação. Outras realidades da universidade que me parecem carecer de atenção particular refletir-se-ão também na estrutura governativa. Por exemplo, vai haver uma nova vice-reitoria voltada para as exigências de um campus com vida, com vida cultural, que tenha em atenção os aspetos da saúde do bem-estar no campus, na articulação e integração nas cidades.

Estas são as principais diferenças. Haverá também uma vice-reitoria para a Cooperação e outra vice-reitoria voltada para a Educação. Teremos também uma pasta para a Inovação Curricular, porque o desenvolvimento da interdisciplinaridade requer uma liderança institucional próxima. Não é fácil encontrá-la num modelo em que os departamentos têm existência independente e estão ao mesmo nível. Para criar ofertas interdisciplinares é preciso que haja uma gestão das diferentes disciplinas num nível superior.

Voltando ao seu programa de ação e à meta que marcou “A UA em 2030”, e em jeito de conclusão, pode descrever-nos como imagina a UA nessa altura?

O que eu gostava de ver nessa altura era uma universidade com um ambiente motivador, uma universidade que cativasse e inspirasse, onde trabalhar e estudar fosse uma experiência para a vida. Gostaria de ver uma universidade que alimentasse a inovação e que nunca a sufocasse, uma universidade em que o debate fosse encarado com toda a naturalidade. Uma instituição assim chama pessoas criativas e com grande qualidade, fomentando a inovação. Precisamos de estabelecer uma relação exemplar com todos os protagonistas do projeto UA, sejam estudantes, docentes ou investigadores, ou pessoal técnico, administrativo e de gestão – todos os que vestem a camisola da UA estão cá todos os dias a trabalhar neste projeto de todos. Se todos se sentirem motivados o resultado só pode ser brilhante. E, portanto, quero criar as condições para que isso possa vir a acontecer. Quanto mais cedo, melhor.

Porquê 2030?

Nem tão perto que nos force a falar de nós, nem tão longe que seja algo inalcançável. 2030 está num horizonte temporal adequado. Não é a data que é importante, importante é que a instituição pare, pense e se situe e diga para onde quer ir. O importante é a oportunidade de reflexão e de construção conjuntas.

Que marca gostaria de deixar na UA? Como gostaria de ficar conhecido?

Não penso na forma como serei conhecido, penso nos resultados. Se conseguirmos este ambiente inspirador, cativador, que nos traga os melhores e os mais criativos, se conseguíssemos fomentar nos estudantes o empreendedorismo, a criatividade, então estaríamos a lançar na sociedade muitas pessoas capazes de a transformar. O impacto na sociedade será sempre enorme por essa via e a UA seria uma força transformadora da sociedade. Se conseguir isso, fico tranquilo.

Gostaria de deixar uma mensagem à comunidade académica?

Quero deixar uma mensagem de confiança no futuro, de confiança na UA. Tenho uma fé inabalável no potencial da UA que não vem de mim, vem do valor que eu reconheço nas pessoas, na academia. É essa fé nas pessoas que nos rodeiam, na capacidade que têm de alimentar o projeto UA que me dá toda a confiança quanto ao futuro.

Nota: esta entrevista foi publicada na edição número 29 da revista Linhas

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