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Entrevistas
Professor UA: Paulo Bernardino Bastos, Mestrado em Criação Artística Contemporânea
“Procurem fazer o que for genuinamente vosso”
Paulo Bernardino é professor do Mestrado em Criação Artística Contemporânea da UA
Professor do Mestrado em Criação Artística Contemporânea da Universidade de Aveiro (UA), lecionado no Departamento de Comunicação e Arte, Paulo Bernardino Bastos considera que o ensino é “algo que está inerente à cultura humana” e que ser professor é uma tarefa “muito exigente” no que diz respeito ao conhecimento a transmitir. Em entrevista, mostra o seu permanente inconformismo, antes de mais, consigo próprio, e a ambição querer sempre melhor. Quanto ao desejo por concretizar ambiciona criar um Curso de Artes Visuais na UA...

Paulo Bernardino Bastos é doutorado (Ph.D.) em Estudos de Arte pela Universidade de Aveiro (Portugal), onde atualmente é docente, MA-Sculpture na Royal College of Art (Londres - UK) e licenciado - Escultura pela Faculdade de Belas Artes (Porto - Portugal). Enquanto Artista começa por utilizar, como meio de expressão, o desenho e a escultura e atualmente interseta espaço, imagem e tecnologia. Articula o seu campo de investigação entre a prática e a teoria, desenvolve o seu universo de investigação olhando para as imagens produzidas através das várias mediações tecnológicas (do tradicional ao digital contemporâneo). Tem participado em vários eventos internacionais como conferencista e como artista.

Como define um bom professor? 

Antes de mais, ser professor já é em si uma tarefa árdua que consome muito tempo de preparação e, como tal, muito exigente no que diz respeito ao conhecimento a professorar... Portanto, um professor é alguém que tem de saber fazer, ter experiência, naquilo que pretende ensinar (e isso é muito importante... coisa que com as atuais gestões financeiras das instituições de ensino se tem vindo a dissipar, mas isso é para outra conversa). Logo, um bom professor é alguém que deve saber daquilo que fala, que tem experiência naquilo que ensina... e é, por conseguinte, bom a transmitir informação na área do seu conhecimento!

O que mais o fascina no ensino?

Na realidade o ensino, para mim, é algo que está inerente à cultura humana. Ser humano implica também passagem de experiência, de testemunho, e isso é o que mais me fascina. A oportunidade de aprender com quem sabe/conhece, com quem já deu provas de conhecimento na área em questão.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos/curso a que está ligado?

Ai está uma pergunta complexa! Por um lado, a formação geral é boa, mas não quer dizer que seja especificamente boa. Ou seja, acredito que para uma formação superior os cursos necessitam de perfis específicos para as matérias em questão, no entanto, quer por questões de gestão financeira, quer humana (distribuição de serviço...), aquilo que se arranja é o que é possível. Como tal, penso que a formação é boa, mas podia ser muito melhor!

Pode traçar um perfil do aluno mais comum no Mestrado em Criação Artística Contemporânea?

O perfil mais comum tem sido o de alguém que está desejoso de perceber as fusões possíveis da sua formação base [gentes que veem dos cursos genericamente ditos de Tecnologias, Artes de Palco (performativos), Música e Design] com as questões inerentemente suscitadas pela Arte Contemporânea. Ora, como o MCAC apela a uma integração de experiências – “(...) uma plataforma de interseção para as novas tecnologias e a arte contemporânea (Media Arte). Um pressuposto de transdisciplinaridade que se revela na intenção de desenvolver, aplicar e aumentar o conhecimento e reflexão para as artes visuais...” – o perfil é sempre de alguém muito curioso, com alguma experiência no âmbito das artes visuais e com muita vontade de aprofundar conhecimentos transdisciplinares neste mundo das Artes Contemporâneas.

Escolha um conselho para dar aos seus alunos.

No caso, como estou envolvido em áreas do fazer, da prática e da poética, aquilo que sempre instigo é: procurem fazer com que aquilo que fazem seja genuinamente vosso, que a vossa produção seja o melhor que conseguem produzir – no matter what!

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Bom, por vários motivos, várias turmas – cada uma com a sua vicissitude de encontros e desencontros entre personalidades de alunos. Mas, não pretendendo ser injusto, a turma do ano de 2007/2009 foi particular. Porque foi a primeira turma em que o grupo de professores naquela época, eu incluído, estava mais unido, mais crente e a lutar pela afirmação do Mestrado. E isso gerou uma energia que contagiou a turma e que fez com que ela também participasse de forma muito particular em todas as atividades... não se comportava de forma geral como uma turma, mas mais com uma irmandade... o clima de entreajuda e partilha foi muito gratificante – inclusive, foi a turma que mais alunos teve a transitar para Doutoramentos em Artes Visuais/Plásticas.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

No MCAC eu, enquanto diretor, lutei, conjuntamente, e especificamente, com os professores das práticas, para que se estabelecessem parcerias com espaços de residências artística (coisa que até hoje se mantem...). Numa dessas residências, quando estávamos a arrumar para vir embora, os alunos chamaram-me para ir ao monte ver uma coisa. Quando lá cheguei vi uma instalação surpresa que a turma tinha feito, coletiva e participadamente, no âmbito da disciplina que leciono (Laboratório de Experimentação e Criação Artística)... foi de ir às lágrimas!

Traço principal do seu carácter

Exigente (essencialmente comigo, mas que, inevitavelmente, acaba por transudar sobre quem está à minha volta) e amigo (não convivo bem com a perfídia).

Ocupação preferida nos tempos livres

Cultivar (horta e jardim) e Navegar (web)... não, não é ir a exposições ou concertos, isso, embora também seja prazer, é estudo... a parte boa do trabalho.

O que não dispensa no dia-a-dia

São várias pequenas-grandes coisas... a obra que está no atelier, sempre, por acabar; procurar arranjar tempo para ter tempo de pensar; não fazer, aparentemente, nada!

O desejo que ainda está por realizar

Ter a possibilidade de criar um Curso de Artes Visuais na UA... num departamento que se diz de Comunicação e Arte, onde as Artes Visuais são indiscutivelmente o parente pobre (isto porque se olha aquilo que devia ser exterior ao ensino/educação... números).

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