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Entrevistas
Professor UA - Manuel Au-Yong Oliveira, Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo
A Gestão pela mão de um líder
Manuel Au-Yong Oliveira
Sempre quis ser professor, fazer investigação e escrever. Diretor do Mestrado em Gestão da Universidade de Aveiro (UA) e com um longo caminho profissional percorrido no mundo empresarial, Manuel Au-Yong Oliveira não se cansa de aconselhar os estudantes a trabalharem muito, mas também a viajarem em dobro. Um dia quer escrever um best-seller, ver os filhos concretizarem todos os sonhos e, se possível já nesta temporada, ver o Porto campeão nacional.

Em 2012 doutorou-se em Engenharia Industrial e Gestão e começou a lecionar em instituições privadas. Entre pequenas e médias empresas e algumas multinacionais, seguiu-se um percurso profissional na indústria para voltar, anos mais tarde, ao ensino na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto onde, para além da docência, fez investigação.

Chegou ao DEGEIT para dar aulas em 2009. Hoje, para além de ser o responsável pelo Mestrado em Gestão daquele Departamento, é também aluno de pós-doutoramento do professor Carlos Costa. “Revejo-me no papel de aluno e gosto de sentir que estou a evoluir e a aprender”, confessa. “Estou encantado com o meu envolvimento na UA, uma instituição de ensino verdadeiramente empreendedora, e agradeço todas as oportunidades dadas, em particular pelo professor Carlos Costa, diretor do DEGEIT, mas não só”, congratula-se.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Acho que não há nenhum segredo, embora haja quem tenha mais “jeito natural” do que outros. Penso que passa por ser capaz de surpreender os alunos – quer pela postura, quer pelo conhecimento demonstrado. Um bom professor tem que ser capaz de inovar em sala de aula, tal como nas empresas.

O que mais o fascina no ensino?

Gosto de ver alunos motivados, com vontade de aprender. Os alunos em trabalhos de grupo, por exemplo, são de forma geral muito inovadores e todos os anos sou surpreendido com trabalhos entregues de grande qualidade.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no DEGEIT?

Acho que saem com muito boa formação, aqui na UA e no DEGEIT, em todas as áreas em que oferecemos formação. Abrimos portas de conhecimento muito boas para quem quiser aprender. Aqui os alunos são felizes, sinto isso, e isso é muito importante. Pessoalmente gosto de desafiar os alunos e entrego-me bastante à sua evolução. Claro está, os alunos têm que ser recetivos a isso e ter disponibilidade para aprender – e não querer somente o diploma de graduação do curso (cada vez há menos alunos assim, somente à procura de um diploma, embora a marca UA já venda bastante bem no mercado). Acabo por ficar amigo de alguns alunos, mas tento que a relação seja profissional acima de tudo.

Que grande conselho dá aos seus alunos?

Trabalhem, leiam, viajem muito. Façam Erasmus. A minha enteada foi em Erasmus para Madrid. O meu enteado foi para a Austrália. Sejam criativos nos trabalhos de grupo. Empenhem-se. Comecem desde cedo a estagiar em empresas e a ganhar experiência de trabalho. Dediquem-se ao que gostam, mesmo sabendo que poderão demorar a descobrir o que gostam realmente de fazer.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Alguns anos ou semestres correm melhor do que outros, é inevitável. A participação de alunos de Erasmus nas turmas costuma ajudar muito, pela diversidade de experiências e histórias partilhadas. Lembro-me de dois alunos russos que tive, uma rapariga e um rapaz, muito espertos e trabalhadores. Recordo-me de alunos alemães, também, muito atentos. Falam pouco nas aulas, muito diferentes de nós. Tenho tido sorte com as turmas, mas acho que os alunos portugueses também dão valor a quem os quer ajudar a progredir, a quem lhes quer dar ferramentas concretas para a carreira profissional. Tenho-me sentido acarinhado também pelos alunos portugueses.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

Alguns alunos lembram-se de me entregar um diploma a mim no fim do semestre... fico um pouco sem jeito. Tenho tido contacto com alunos muito bons e interessados e outros que nem por isso. Uma vez disse a uma aluna, que teimava em distrair um colega, que não viesse mais às aulas, se quisesse, que eu não lhe marcava faltas. Ela veio sempre, até ao final do semestre, e esteve, depois disso, sempre atenta e melhorou significativamente a sua nota no momento de avaliação seguinte.

descrição para leitores de ecrã
“Trabalhem, leiam, viajem muito”. Entre os conselhos de Manuel Au-Yong Oliveira aos alunos há ainda outro: “Façam Erasmus”.

Traço principal do seu carácter

Perfeccionista; trabalhador (demasiado, às vezes); disponível.

Ocupação preferida nos tempos livres

Ir sair com os meus filhos (tenho quatro – dois enteados gémeos, um rapaz e uma rapariga, que trato e crio como se fossem meus – e duas filhas) e com a minha mulher. Passear de bicicleta ou ir a uma exposição. Fomos por exemplo à Alfandega, no Porto, ver a exposição fotográfica do Steve McCurry, em finais de 2017, e gostámos todos imenso – estivemos lá mais de duas horas a ouvir as histórias por trás das fotografias em exposição.

O que não dispensa no dia-a-dia

Escrever – gosto de escrever – investigação. E de estar com os meus filhos, de saber o que os preocupa e porque estão contentes.

O desejo que ainda está por realizar

Muitos… Escrever um best-seller; ver os meus filhos concretizarem os seus sonhos; ver o FCP ser campeão de novo (tem estado difícil)...

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