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Investigação
Estudos envolvem investigadores da UA e da Galiza
Esgotamento do oxigénio ainda não é problema no oceano em Portugal
Jesus Dubert coordena a equipa de investigadores da UA nos estudos sobre ausência de oxigénio no oceano
Apesar de estudos, à escala mundial, apontarem para um grande aumento das áreas de oceano com esgotamento dos níveis de oxigénio dissolvido nos últimos anos, a situação em Portugal ainda não constitui um problema. A conclusão resulta dos estudos em que a equipa de oceanografia do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e dos departamentos de Física (DFis) e Biologia (Dbio) da Universidade de Aveiro (UA), participa e coordenados por investigadores da Galiza. Embora ainda não seja um problema, os investigadores identificaram uma redução da concentração média de oxigénio dissolvido na costa peninsular nos últimos 50 anos.

Um estudo recentemente publicado na revista Science realizado por um grupo internacional de cientistas criado por iniciativa da comissão intergovernamental para os oceanos da ONU, concluiu por um aumento das áreas oceânicas com valores mínimos de oxigénio em quatro vezes, nos últimos 50 anos. Assim, a vida nos oceanos está ainda mais ameaçada e os motivos estão identificados: alterações climáticas e poluição.

Na costa atlântica da Península Ibérica, a situação tem vindo a ser acompanhada pelo Instituto de Investigações Marinhas (IIM-CSIC) de Vigo, com quem a equipa liderada por Jesus Dubert, investigador do CESAM e professor no DFis, tem vindo a colaborar, no âmbito do Observatório RAIA, e no projeto MarRisk, envolvendo as principais instituições do norte de Portugal e da Galiza. A equipa da UA trabalha na modelação numérica do oxigénio e outros parâmetros biogeoquímicos, baseada em dados que têm vindo a ser recolhidos no oceano, desde os anos 70, pelos investigadores galegos. O tema foi ainda objeto da tese de doutoramento “Modelling the biogeochemical Dynamics of the Iberian upwelling system”, de Rosa Reboreda Bouza, sob orientação de Jesus Dubert e Henrique Queiroga, também investigador do CESAM e professor do Departamento de Biologia da UA.

Os investigadores do CSIC, baseando-se em medições, observaram que ao longo dos últimos 50 anos, houve um declínio na concentração média de oxigénio dissolvido na região atlântica próxima da costa Ibérica, más esta diminuição não coloca em risco a vida no oceano, fenómeno denominado hipoxia, problema que só se coloca com concentrações muito baixas de oxigénio, explica Jesus Dubert. À medida que a temperatura das águas oceânicas vai aumentando, em resposta as alterações climáticas, menor é a capacidade do oceano para dissolver oxigénio, sendo esta a uma das causas principais do declínio na concentração de O2, junto com o fato de uma diminuição da ventilação e da circulação oceânica durante os invernos, cada vez menos rigorosos.

“Na costa Oeste da Península Ibérica durante a época de verão temos a sorte de contar com  as nortadas, com massas de ar a circularem de norte para sul, a deslocarem as águas superficiais mais quentes para o oceano aberto (devido ao efeito da rotação da Terra) e a promoverem o afloramento de água mais fria e rica em nutrientes vinda das profundezas, que por processos associados à produção primária, tem como consequência um acréscimo do oxigénio dissolvido na região costeira”, assinala o investigador da UA.

As zonas do mundo mais afetadas pela falta de oxigénio são assim a zona norte do Índico, a região de Benguela (entre Sudafrica e Angola), e as costas da Califórnia, da América Central e, em parte, do Sul, no Oceano Pacífico. Há áreas em que o problema decorre, mais claramente, da carga de nutrientes provenientes da agricultura (eutrofização), que chegam às zonas costeiras transportados pelos rios, e que, em mares tais como o Golfo do México em torno da foz do rio Mississippi, e nos mares interiores Negro e Báltico, resultam em grandes concentrações de nutrientes. A sobrecarga de nutrientes promove o desenvolvimento de fitoplâncton que conduz ao excesso de matéria orgânica no oceano que, ao degradar-se, consome o oxigénio.

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