conteúdos
links
tags
Investigação
Já há casos identificados que não foram observados no terreno
Herbário da UA (AVE) participa na Lista Vermelha das plantas vasculares
Avellara fistulosa, uma das espécies do Herbario UA que não se observou nos mais recentes trabalhos de campo
Trevo-de-quatro-folhas, um feto aquático que chegou a ser colhido na Pateira de Fermentelos, a pilulária (também um feto), a planta aquática "Zostera marina", colhida no leito da Ria. Ausentes das áreas onde foram observadas e colhidas pelo Herbário da Universidade de Aveiro (UA), estes são apenas alguns exemplos de alterações à diversidade de plantas da região que o Herbário deverá dar nota à coordenação da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, trabalho em curso que envolve uma parceria alargada, onde se inclui a UA.

A Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal há muito que é desejada por investigadores e técnicos em estudos que envolvam o conhecimento botânico do território e que têm de identificar, localizar espécies e informar sobre o seu estatuto de conservação. Até agora, para informar sobre o estatuto de conservação das espécies de plantas encontradas, era necessário consultar diversas listas construídas com base em critérios distintos. Com a nova Lista Vermelha, que se prevê estar concluída no final de setembro, será possível reunir no mesmo documento, segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza, a informação que antes estava dispersa.

Desta lista, constarão apenas plantas vasculares, ou seja, plantas com diferenciação de tecidos condutores, floema e xilema, nomeadamente herbáceas, arbustos e árvores, ficando de fora as algas e as briófitas (musgos e hepáticas).

O trabalho tem vindo a ser coordenado pela Sociedade Portuguesa de Botânica (SPB) e pela Phytos-Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Depende da informação e dos registos, ou seja, da memória sobre as espécies vasculares encontradas em território português, reunida ao longo dos tempos nos 11 herbários a nível nacional, onde se inclui o Herbário do Departamento de Biologia da UA, designado por AVE no Index Herbariorum mundial - http://sweetgum.nybg.org/science/ih/. Só através desses registos será possível encontrar as incongruências entre, por um lado, as espécies conhecidas para o território português e guardadas nos herbários e, por outro, a situação atual com os necessários levantamentos no terreno onde, em algum momento, essas espécies terão sido recolhidas.

Casos que estão no Herbário mas não aparecem no terreno

Assim, casos como o do trevo-de-quatro-folhas, Marsilea quadrifolia , que foi visto e recolhido na Pateira de Fermentelos pela equipa de AVE, espécies do género Isoetes Pilularia globulifera, Zostera marina  e Avellara fistulosa, também não observados nos mais recentes trabalhos de campo realizados nas áreas onde foram vistos e recolhidos também pelo Herbário, são alguns exemplos de alterações à diversidade de plantas da região que deverão ficar registados na Lista Vermelha.

Entre as razões para estas alterações na biodiversidade do Baixo Vouga Lagunar, explica Rosa Pinho, responsável pelo Herbário da UA, estão a exiguidade das áreas onde foram encontradas estas espécies, a constante pressão humana e consequente alteração do habitat, o avanço da água salgada sobre campos que antes eram usados para a agricultura e a proliferação de espécies invasoras ou não características da região.

Um levantamento das espécies publicado no poster “Passado e presente da flora do Baixo Vouga Lagunar (ZPE da Ria de Aveiro)”, da autoria dos investigadores do Herbário, conclui por diferenças significativas entre a situação em 1988/1990 e a verificada em 2008. Respetivamente, 290 espécies distribuídas por 69 famílias e 349 espécies pertencentes a 83 famílias. O trabalho refere ainda as espécies que deixaram de existir no BVL. Por outro lado, aumento no número de espécies deve-se, em grande parte, segundo a responsável pelo Herbário, ao aumento do número de invasoras ou plantas não características da região do Baixo Vouga Lagunar, que surgem por exemplo com a movimentação de inertes vindos de outros locais. Esse aumento do número de espécie é meramente quantitativo e não se traduz num aumento da qualidade da flora e dos seus habitats. 

imprimir
tags
outras notícias