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Divulgação de Ciência
Delta Jurássico da Lourinhã em ilustração científica
Docente da UA ilustrou painel para o DinoParque da Lourinhã
Delta jurássico da Lourinhã, segundo ilustração de Fernando Correia
Docente do Departamento de Biologia e diretor do Laboratório de Ilustração Científica da Universidade de Aveiro, Fernando Correia foi responsável pela criação de uma ilustração paleontológica para o novo Dino Parque da Lourinhã, inaugurado dia 8 de fevereiro e que abre portas ao público, pela primeira vez, a partir das 10h00 de dia 9.

A execução desta obra demorou cerca de um mês. “Complexa e com elevada correção científica graças também ao acompanhamento de vários paleontólogos, como Octávio Mateus, Bruno Pereira, Francisco Costa, e outros especialistas do Museu da Lourinhã”, segundo Fernando Correia, a obra “é fruto de um elaborado planeamento que permitiu colocar as reconstituições in vivo dos vários intervenientes, dentro de um cenário capaz de evocar um delta jurássico”.

O objetivo maior, explica o autor, era fazer com que a imagem adicionasse uma outra dimensão explicativa à peça que ilustra, ou seja, aquela teria que ser capaz de, por si só, poder contar várias histórias, quer de forma auto-elucidativa, quer servindo de base para uma narrativa a desenvolver por um monitor que acompanhe uma visita escolar, por exemplo. “Quando recebi o guião dos conteúdos que deveriam ser traduzidos graficamente nos 1,5x1 m de área disponível, percebi a responsabilidade e exigência que estavam em causa”.

A ilustração não só deveria estar cientificamente correta à luz do conhecimento paleontológico atual, como deveria reconstituir de forma capaz, dando a conhecer vários seres jurássicos extintos, descreve o ilustrador científico. Assim, estão representados animais — não só vertebrados, como os dinossauros, mas também invertebrados, como as libélulas — e também plantas típicas de ambientes aquáticos, como as cavalinhas, e outras mais marginais, como as florestas de coníferas.

Nos animais, alguns ocupariam o domínio do ar, como o Rhamphorhynchus, alguns viveriam dentro e fora da água, como a tartaruga Selenemys, enquanto outros teriam sido exclusivamente terrestres, nomeadamente os dinossauros. A imagem sugere ações e dinâmicas, em diferentes nichos ecológicos, que evidenciassem algumas relações ecológicas entre espécies, como a predação, entre o predador Ceratosaurus e a presa, um Draconyx, e outras como a territorialidade e oportunismo, demonstrados no ranforrinco, ou ainda herbivorismo (saurópode alimentando-se de coníferas).

Mérito reconhecido

“O facto de que seria ainda preciso mostrar o inicio do processo de fossilização, quer dos somatofóssseis (como sejam dos esqueletos), ou das pegadas, designados por icnofósseis, foi a cereja em cima do bolo”, comenta Fernando Correia. “Esta imagem foge da tipificada ilustração ‘predador caça presa’, bem mais simples e, visualmente, de estética e leitura mais facilitada; saber que fui o único ilustrador contratado para criar uma ilustração propositadamente para essa exposição, foi um reconhecimento que me trouxe a maior satisfação, enquanto especialista na área.”, assinala docente da UA.

O resultado poderá ser apreciado logo após a entrada, no módulo expositivo sobre a paleontologia e descobertas feitas na região da Lourinhã, o qual alberga vários modelos de esqueletos de dinossauros e ainda fósseis verdadeiros. Uma verdadeira e atraente lição de ciência que antecede o passeio pedestre e que procura ser a materialização do mote “a ciência é divertida”, baseado no conceito “Edutainment” (Education + Entertainment). Ao longo dos 2,5 km dos vários percursos poderão ser apreciadas mais de 120 réplicas de animais do Paleozoico e do Mesozóico, esculpidos em dimensões que surpreendem pelo minucioso detalhe e, mais ainda, pelo grande tamanho se comparados com os animais atuais ou com a média de um ser humano.

Esta região de Portugal constitui um dos locais com maior valor paleontológico em todo o mundo e os achados aqui encontrados reúnem ossos fossilizados de várias espécies, vários tipos de pegadas e de ovos, alguns dos quais contendo ainda evidências de embriões de dinossauros jurássicos.

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