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Entrevistas
Antigo aluno UA – João Maio Rocha, licenciado em Contabilidade e Administração de Empresas
A bandeira nacional ao vento (e à mesa!) da Austrália
João Rocha
A gastronomia portuguesa na cidade australiana de Brisbane tem um nome: Lisboa Caffé. João Maio Rocha é o fundador de um espaço que em 2015 levou para o outro lado do mundo os sabores nacionais. Licenciado em Contabilidade e Administração de Empresas pela Universidade de Aveiro (UA), foi tuno, dirigente académico, contabilista, trabalhou em vendas e em recursos humanos, esteve empregado em Moçambique, foi para a Austrália e hoje é empreendedor hoteleiro. Mas ainda não sabe o que quer ser quando for grande…

Antigo estudante do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA), terminou em 1997 a Licenciatura em Contabilidade e Administração de Empresas (atual Licenciatura em Contabilidade). Deu os primeiros passos no mercado de trabalho em Aveiro, com destaque para o estágio profissional na empresa de carnes Irmãos Monteiro e para a missão na Associação Académica da UA onde foi Técnico Oficial de Contas. Em 2004 parte para Moçambique onde foi diretor financeiro na Yamaha Moçambique. Ainda nesse país, em 2007, aceita o desafio da Ferneto Moçambique para dirigir o sector comercial.

Em2010 partiu para o Território do Norte, na Austrália, para se juntar a uma exploração do minério manganês da BHP Billiton e onde foi Finance Superintendent - Management Accounting. Em 2015 fundou o Lisboa Caffé na cidade australiana de Brisbane, um espaço que hoje é uma referência da gastronomia lusa na terra dos cangurus. E ainda (só!) tem 43anos.

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João Maio Rocha (à direita) com Graham Quirk, o Lord Mayor de Brisbane, durante a receção da cidade aos estudantes estrangeiros que ocorreu em 2015

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Como sou natural de Aveiro, a UA foi a escolha natural para estudar Contabilidade, que foi o curso que na altura escolhi. O nosso Campus e o espírito académico sempre foi o que mais me fascinou na UA.

O curso correspondeu às suas expectativas?

Sim, o curso de Contabilidade ofereceu-me uma excelente base de conhecimento, que alavancou toda a minha restante carreira, mesmo quando trabalhei fora da área da Administração.

E a UA?

A Universidade no seu geral excedeu todas as minhas expetativas. A UA é um grande amor que levo comigo. Partilho com muito carinho com os meus amigos de todo o mundo as histórias da minha passagem na UA.

O que mais o marcou na UA?

A primeira coisa que mais me marcou nos primeiros tempos do curso foram sem dúvida os meus colegas do ISCA. Tive a sorte de ter estudado com pessoas fantásticas e de ter construído amizades que irão durar uma vida inteira. A segunda coisa que mais me marcou – e marcou profundamente! – foi a minha passagem pela Rial Tuna de Aveiro, que mais tarde resultou na fundação da Tuna Universitária de Aveiro. Tive a oportunidade, juntamente com os meus colegas de tuna dessa geração, de ter construído um projeto musical de excelência, que representa a Universidade, os estudantes e a cidade de Aveiro ao mais alto nível e, acima de tudo, de termos sido os ‘pais’ de uma família de irmãos que não para de crescer até hoje.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. E ainda hoje não sei bem o que quero ser quando for grande! [risos] Eu já trabalhei em contabilidade, em vendas, em recursos humanos e agora sou empreendedor na área da hotelaria. Não sei o que a vida me trará a seguir. Nos dias que correm, as coisas mudam à velocidade da luz, portanto não quero tomar nada por garantido, nem fazer planos a longo prazo, porque a única constante neste mundo parece ser a mudança.

Como descreve a sua atividade profissional?

Quando cheguei a Brisbane achei que havia a oportunidade de trabalhar a gastronomia portuguesa. Na altura achei que precisava de mudar de ramo, porque acredito que a curto/médio prazo a automação vai deixar os contabilistas/financeiros/bancários/auditores sem emprego. Então decidi criar a minha própria empresa e lançar-me à aventura. Os meus dias nunca são iguais: ora estou na cozinha a experimentar novos sabores e produtos, ora estou nos mercados a vender, ora estou em reuniões a negociar novas localizações para as nossas lojas pop-up, ora estou a fazer entregas ou a gerir a presença online e por aí em diante. É um bocadinho caótico, mas quem é empreendedor e começa pequeno sabe que tudo isto faz parte e que temos de aprender a fazer de tudo um pouco.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Tudo o que fazemos é, de algum modo, feito aqui pela primeira vez. Sentimos que traçamos o nosso próprio destino. Temos um orgulho enorme no nosso produto e no facto de sermos uma empresa marcadamente portuguesa que trás o orgulho por Portugal no peito. Adoro trabalhar com a nossa equipa, somos todos portugueses e a língua de trabalho é o português, o que não é nada comum aqui na Austrália. Todos os dias é uma aventura nova. Estou muito grato a todos os que fizeram e ainda fazem parte da nossa equipa e que nos ajudaram a promover a cultura e gastronomia portuguesa na Austrália.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Sem dúvida que o curso me apetrechou com uma formação base em Administração que me foi fundamental ao longo da carreira - não só pelas disciplinas específicas de contabilidade, mas também pelas disciplinas mais generalistas, como por exemplo Direito e História. Para além do óbvio contributo das competências literárias, acredite-se ou não, as várias atividades extracurriculares em que participei na UA, desde a passagem pelas associações de estudantes e pelas tunas, até à organização das semanas académicas e do FITUA, potenciaram o desenvolvimento das capacidades de comunicação e trabalho em equipa e ajudaram-me a edificar uma atitude positiva face aos desafios e a ter um espírito empreendedor.

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