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Entrevistas
Professora UA – Ana Margarida Ramos, Departamento de Línguas e Culturas
Era uma vez uma professora apaixonada pela literatura infantil
Ana Margarida Ramos
Era uma vez uma professora chamada Ana Margarida Ramos. Apaixonada desde sempre por livros, especialmente pelos infantojuvenis, cedo decidiu dedicar-se à leitura, estudo e ensino da literatura. Hoje é uma referência quando se fala de literatura para a infância, não só no Departamento de Línguas e Culturas (DLC) da Universidade de Aveiro (UA), mas um pouco por todo o mundo onde há pequenos e grandes cowboys, reis, dragões e super-heróis de olhar fixo nas páginas dos livros.

Licenciada em Licenciatura em Ensino de Português e Francês, em 1994, seguiu-se o Mestrado em Literaturas Contemporâneas pela Universidade do Porto (1997). Em 1999, Ana Margarida Ramos regressou à UA para dar aulas no Departamento de Línguas e Culturas e fazer o Doutoramento em Literatura.

De então para cá, tem lecionado principalmente cadeiras de literatura, com ênfase na literatura para a infância, área onde desenvolve grande parte da investigação que faz. Hoje, tal como no passado, integra várias redes e projetos internacionais, o que tem permitido a Ana Margarida Ramos “divulgar e promover a literatura infantil e juvenil portuguesa além-fronteiras, além de construir uma rede de contactos muito interessante e variada”, com a qual, garante, tem aprendido muito.

Noutras áreas, trabalhou, por exemplo, no ensino em Timor-Leste, mas também sobre a literatura deste país, tendo integrado projetos com vista à melhoria da educação timorense, sobretudo ao nível do Ensino Secundário. “Interessam-me as interseções entre várias áreas científicas, como a Literatura, a Cultura, a Educação e a Arte, razão pela qual creio que o estudo do livro infantil contemporâneo, enquanto objeto artístico cada vez mais complexo e elaborado, me parece mais relevante e estimulante”, confessa.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Um bom professor é alguém que tem imenso prazer a partilhar o seu entusiasmo pelo conhecimento e por aquilo que investiga, estuda e descobre. É alguém que pensa nos interesses dos alunos, nas suas expectativas, e constrói aulas (e programas) a partir daquilo que é relevante para eles, comunicando a relação do conhecimento com o mundo e as implicações que decorrem desse conhecimento. E é, sobretudo, alguém que respeita os alunos e os ouve.

O que mais a fascina no ensino?

O contacto com muitas pessoas, sobretudo com os jovens, a partilha de interesses comuns e a aprendizagem constante que a profissão proporciona. A ausência de rotinas e a novidade constante. A possibilidade de ser continuamente surpreendida por um comentário, uma observação ou uma pergunta.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligada?

Globalmente, creio que é de qualidade, ainda que seja possível continuar a melhorá-la, sobretudo inovando em termos de novas formas de ensino-aprendizagem, acompanhando os progressos mais recentes em termos de comunicação e partilha de conhecimento.

Que grande conselho daria aos alunos?

Que sejam bons seres humanos (também costumo insistir muito para que sejam leitores!), gente dedicada e esforçada e que persigam os seus sonhos. Tudo o resto é secundário e vem por acréscimo.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

De uma forma ou de outra, os meus alunos deixam-me sempre saudades, até porque passo muito tempo com os mesmos grupos e vou conhecendo as suas particularidades. Agrada-me que me continuem a procurar quando já não são meus alunos, solicitando-me muitos conselhos sobre livros e leituras, que me vão dando conta das atividades em que estão envolvidos, que me cumprimentem nos corredores e se continuem a lembrar de mim vários anos depois. Nos últimos anos, tem sido particularmente marcante o contingente de alunos brasileiros que tem chegado, e que marca pelo empenho, participação e, sobretudo, pela forma dedicada e atenciosa como me têm tratado.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Há uns anos, fiquei fechada, num elevador avariado, com um grupo de alunos a quem ia dar teste. Ficámos uns 10 ou 15 minutos à espera e eles aproveitaram para, mesmo às escuras, tirar as últimas dúvidas. Apesar de eu não gostar de espaço pequenos, entusiasmei-me com as questões e o tempo passou mais depressa. De outra vez, numa altura em que fazia viagens de comboio diárias para Aveiro, na companhia de alunos, pediram-me que explicasse um tópico da matéria e eu vim parte da viagem a explicar um conteúdo qualquer, com os passageiros todos a ouvirem (e a rirem-se!)...

descrição para leitores de ecrã
Conselhos para os alunos? Sejam bons seres humanos, leiam muito, sejam dedicados e esforçados e persigam os sonhos

Traço principal do seu carácter

Perseverança

Ocupação preferida nos tempos livres

Ler e viajar

O que não dispensa no dia-a-dia

Café, livros e riso

O desejo que ainda está por realizar

Uma viagem ao Japão

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