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Investigação
Projeto LIFE-Enviphage envolveu UA e terminou em 2017
Projeto LIFE aponta bacteriófagos como alternativa aos antibióticos na aquicultura
Membros da equipa do projeto LIFE-Enviphage (da esq. para a dta.): Maria Bartolomeu, Carla Pereira, Adelaide Almeida (coordenadora da equipa da UA), Lúcia Marciel e João Duarte.
Um projeto em que participaram investigadores da Universidade de Aveiro (UA) mostrou resultados promissores quanto ao uso de bacteriófagos (ou fagos), organismos que infetam e destroem bactérias patogénicas, na aquicultura, em alternativa aos antibióticos. O LIFE-Enviphage, projeto LIFE financiado pela Comissão Europeia e coordenado pela empresa AZTI, mostrou que os fagos não afetam significativamente as comunidades bacterianas naturais, são uma “alternativa viável” e não apresentam risco para animais.

Os bacteriófagos (ou fagos) são vírus que infetam e destroem bactérias específicas. Nos últimos anos, os bacteriófagos têm sido sugeridos como uma alternativa aos antibióticos na aquicultura. Têm sido obtidos resultados muito promissores em laboratório mas, para o seu uso a nível industrial, era necessário avaliar o impacto ambiental dos fagos, especialmente na ecologia bacteriana, antes de propor o seu uso na industria aquícola. O projeto LIFE-Enviphage, iniciado em 2014 e concluído em 2017, procurou responder a esta lacuna existente entre o laboratório e o tratamento à escala industrial.

Os resultados da terapia fágica com o bacteriófago AS-P1, específico para Aeromonas salmonicida que é o agente causador da furunculose em peixes, mostram que esta terapia não tem implicações para o meio ambiente, que é uma alternativa eficaz para reduzir/eliminar a bactéria A. salmonicida em pisciculturas e que a produção é possível a nível industrial. Além disso, os modelos utilizados sugerem que este bacteriófago não apresenta efeitos negativos para o peixe. Com este projeto mostrou-se ainda que a produção em escala industrial de bacteriófagos é atualmente uma tecnologia viável.

Ao longo do projeto, foi desenvolvido um método para avaliar o impacto ambiental do uso de bacteriófagos em aquicultura. Este método pode ser considerado uma orientação para desenvolvimentos futuros.

As autoridades locais dispõem agora de uma série de recomendações para avaliar o efeito dos fagos no meio ambiente e nos microrganismos do trato intestinal dos peixes. O método terá ainda de ser aprovado pelas autoridades competentes para poder ser usado industrialmente.

Para além da equipa de investigadores da UA, coordenada por Adelaide Almeida, do Departamento de Biologia, e da empresa líder (AZTI), participaram também a Piscicultura Aquacircia de Aveiro e a empresa Biopolis.

Mais informação:

Bibliografia:

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