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Ministro do Ambiente apresentou Plano de Ação para a Economia Circular na UA
Economia circular e os berbequins do nosso dia-a-dia
Ministro apresentou Plano de Ação para a Economia Circular na UA
Sabia que um berbequim que o comum dos cidadãos tem em casa é usado, em média, 12 minutos durante toda a sua vida útil? O exemplo foi referido, mais de uma vez, na sessão de apresentação do Plano de Ação para a Economia Circular que decorreu na Universidade de Aveiro (UA), como paradigma do desperdício de recursos e contraponto do que se pretende com o conceito de economia circular. A sessão contou com a presença de ministro do Ambiente, empresários, representantes empresariais, investigadores e técnicos.

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, esteve na UA, no passado dia 8 de setembro, na primeira de um conjunto de sessões de apresentação do Plano de Ação para a Economia Circular. 

“Temos que olhar para as mudanças que cada um de nós pode fazer”, desafiou o ministro, que não tem automóvel próprio e se desloca de metro em Lisboa. “Muito do que ao Ambiente diz respeito, nomeadamente quanto à Economia Circular, são soluções lógicas. Porquê comprar um bem se posso pagar um serviço, alugar ou fazer um uso partilhado? No caso de uma empresa, porque não conceber um produto fácil de arranjar, reutilizar e reciclar? Porque não recuperar componentes e matérias primas de um produto antes vendido a um cliente, fornecendo-lhe um produto atualizado?”, perguntou Matos Fernandes, perante a assistência, apresentando alguns dados: o consumidor médio adquire uma tonelada de materiais por ano, sendo que 80% vai acabar numa incineradora, num aterro ou em águas residuais. Em média, cada europeu utiliza apenas uma vez os materiais que adquire e só se recaptura a vigésima parte do seu valor original.

Ecodesign é o ponto de partida

O governante não esconde a ambição do conceito, porque pressupõe mais trabalho e investimento, mas salienta as vantagens traduzidas em melhor ambiente, mais emprego e retorno económico, explicando que o governo preferiu, nesta fase, lançar um plano de ação e não uma estratégia. “Perante um único fornecedor de recursos e serviços naturais – cujos recursos se vão esgotando – qualquer ação que promova uma utilização eficiente, produtiva e que garanta o retorno desses materiais, seja em casa ou no trabalho, será uma estratégia lucrativa de médio prazo. Não estou apenas de falar de fazer mais com menos, mas de transformar produtos, processos e modelos de negócio, ao encontro de todos os envolvidos no sistema de valor e, com eles, criar ecossistemas em que nada se perde, tudo se renova e transforma, sem perder rentabilidade financeira”. “É no ecodesign e na conceção do produto que começa a economia circular e não na gestão de resíduos que são produzidos pela economia linear”, sublinha.

Matos Fernandes refere exemplos práticos ao alcance de todos, como comprar a produtores locais, deslocarmo-nos a pé, de bicicleta ou de transporte público, evitar sacos de plástico ou embalagens descartáveis, cuidar da nossa alimentação reduzindo o desperdício, separar e colocar o nosso lixo em contentores próprios. Quanto ao governo, compete-lhe “liderar a transição”.

O Plano envolve quatro ministérios: do Ambiente, da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, da Economia e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, assente nos seguintes pilares: produto, consumo, resíduos e do conhecimento. O ministro do Ambiente destacou o papel das freguesias e das respetivas juntas na passagem à prática deste Plano, anunciando o lançamento de um concurso de projetos destinado a esta escala administrativa, durante o próximo ano, e a apoiar pelo Fundo Ambiental. A criação de lojas de reparação de eletrodomésticos e a gestão de sobras alimentares são apenas dois exemplos.

Em consulta pública até final do mês

A sessão de apresentação do Plano de Ação, que decorreu no anfiteatro do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, incluiu um debate com a moderação de José Vítor Malheiros, consultor de Comunicação de Ciência, e a participação de Vítor Ferreira, professor do Departamento de Engenharia Civil da UA e presidente do Cluster Habitat Sustentável, Teresa Franqueira, professora do Departamento de Comunicação e Arte e coordenadora da equipa de investigadores da UA no projeto KATCH_e - Knowledge Alliance on Product-Service Development towards Circular Economy and Sustainability in Higher Education, financiado pelo programa Erasmus + (http://www.katche.eu) e ainda Andreia Barbosa, da Plataforma Circular Economy Portugal.

Teresa Franqueira elogiou a inclusão do Design como fator determinante no conceito de Economia Circular e Vítor Ferreira congratulou-se com o facto de existir um plano de ação neste âmbito, embora tenha defendido a necessidade de maior envolvimento dos clusters na concretização do Plano. Estas e outras questões e críticas foram apontadas durante o período aberto a intervenções da plateia e bem acolhidas pela equipa do Ministério nesta fase em que decore a consulta pública.

No final do dia 8, dia da sessão na UA, foram conhecidas as 20 empresas e associações empresariais que venceram o primeiro concurso aberto no âmbito do Fundo Ambiental, plataforma de investimento no apoio de políticas ambientais para a prossecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável e da economia circular. Foram recebidas 66 candidaturas.

O Plano de Ação está disponível para consulta pública até 30 de setembro e dispõe de um portal para divulgação do seu conteúdo e atividades: http://eco.nomia.pt/  .

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