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Distinções
Estudo de investigação na área das ciências da comunicação
Funcionária da UA distinguida pela excelência da sua tese de doutoramento
Funcionária da UA distinguida pela excelência da sua tese de doutoramento
Liliana Tavares Oliveira, membro dos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas (SCIRP) da Universidade de Aveiro (UA) foi distinguida com o prémio “Tese de Excelência do CECS, relativa ao Triénio 2013/15 para as áreas de Ciências da Comunicação e Estudos Culturais”. Esta distinção, atribuída pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho, visa distinguir doutorados daquela Universidade nas referidas áreas científicas, que tenham produzido teses consideradas excecionais. O prémio consiste na publicação da tese, em formato eletrónico e em papel, e será entregue em novembro.

Foi com alguma surpresa que Liliana Oliveira reagiu à notícia recebida há dias por correio eletrónico. “As outras teses defendidas no triénio em questão também eram de grande qualidade. Focavam temas de grande relevância e pertinência para o avanço científico da área das ciências da comunicação. Por isso foi com grande alegria e satisfação que recebi a notícia”, admite, acrescentando: “Um doutoramento é uma tarefa que exige muita dedicação e algum sacrifício e sentir que esse esforço valeu a pena porque se refletiu num resultado com qualidade é bastante compensador e um forte incentivo para continuar a investir no aprofundamento do meu conhecimento na área”.

A premiada não esquece, contudo, o contributo das suas orientadoras para o bom desenvolvimento do seu trabalho de investigação: “Devo referir que para esse resultado final muito contribuiu a forma como fui orientada pelas Professoras Anabela Simões Carvalho, da Universidade do Minho, e Ana Cuevas, da Universidade de Salamanca. Os meus encontros com a professora Anabela foram sempre muito frutíferos. Eram momentos de grande partilha de conhecimentos e experiências e de grande estímulo. O percurso investigativo de um doutoramento nem sempre é fácil e a professora Anabela soube ser exigente nas alturas certas e soube dar-me sempre o necessário incentivo para eu continuar e descobrir o meu “caminho”, com os seus sábios conselhos e o seu aprofundado conhecimento das matérias; de uma entrega e disponibilidade irrepreensíveis. A Prof. Ana Cuevas, embora mais geograficamente distante, também ofereceu um importante contributo para o trabalho final e para o meu amadurecimento enquanto jovem investigadora. Mostrou sempre um grande interesse pelo meu trabalho e disponibilidade para discutir e analisar as diversas questões que a investigação permitiu clarificar”.

Na sua tese, intitulada “As universidades e a participação pública em ciência. Perceções e práticas de cientistas, profissionais de comunicação e cidadãos em Portugal e Espanha”, Liliana Oliveira utilizou uma variedade de instrumentos de pesquisa – análise documental, entrevistas, questionário e grupos focais – e focando-se no caso concreto das alterações climáticas, analisou perceções e práticas sobre a forma como os portugueses e os espanhóis têm vindo a ser chamados a participar em debates sobre ciência pelas suas Instituições do Ensino Superior (IES), identificando fatores que têm inibido a sua participação e sugerindo medidas que podem ser adotadas pelas IES para gerar interesse nos cidadãos por essa participação. O seu estudo é complementado com uma análise crítica das potencialidades de mudança a partir de uma comparação com práticas desenvolvidas no Reino Unido e na Dinamarca.

Segundo a autora, esta investigação procurou perceber se e como é que a participação pública na Ciência e Tecnologia (C&T) tem sido considerada pelas universidades como uma forma de efetivar a sua missão de manter uma ligação com a sociedade, como ponto de partida para uma reflexão sobre o papel que estas podem desempenhar numa efetiva democratização da ciência com vista a possibilitar um concreto envolvimento da sociedade nos processos de produção de conhecimento e de tomada de decisões.

Como contributos para o avanço do conhecimento nesta matéria, Liliana Oliveira destaca a identificação dos fatores que têm inibido os cidadãos portugueses e espanhóis de participarem de uma forma mais ativa na C&T e quais desses fatores estão relacionados com a atuação das universidades portuguesas e espanholas. E revela que esta investigação se diferencia de outros estudos já realizados, entre outros fatores, por se focar na forma como se envolvem os cientistas e os profissionais de comunicação das universidades na conceção e operacionalização da estratégia de comunicação pública de ciência e nas dinâmicas institucionais que se produzem nesse processo; por apresentar uma visão integradora dessas práticas comunicativas e das perceções dos principais intervenientes do processo de envolvimento público na C&T promovido pelas instituições de ensino superior - cientistas, profissionais de comunicação e cidadãos; por estabelecer uma comparação entre a realidade portuguesa e espanhola, avançando com novos dados acerca das relações que estabelecem os referidos intervenientes em ambos os países em termos da comunicação pública de ciência, os seus diferentes papéis nesse envolvimento e as dinâmicas institucionais produzidas nesse contexto; e por oferecer uma reflexão comparativa entre a realidade portuguesa e espanhola e os casos do Reino Unido e da Dinamarca, dois países onde a participação pública já se encontra consolidada, que permitiu identificar alguns fatores que podem ajudar a explicar os baixos níveis de participação dos países ibéricos e identificar algumas práticas que têm conseguido implementar hábitos de participação cívica na C&T com sucesso nos países do Norte da Europa.

Para a sua carreira, enquanto membro do Gabinete de Comunicação e Assessoria de Imprensa dos SCIRP, Liliana Oliveira não tem dúvidas: “Estando o foco principal da tese – comunicação de ciência nas universidades – relacionado diretamente com as funções que desempenho nos Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas da UA, o conhecimento adquirido com os resultados da minha investigação podem constituir uma importante mais-valia na execução dessas funções e para a melhoria da atuação destes serviços e da própria universidade a este nível.”

O prémio será entregue em cerimónia solene, durante a realização do III Congresso sobre Culturas – Interfaces da Lusofonia, que terá lugar na Universidade do Minho (Braga), de 23 a 25 de novembro de 2017.

A tese está disponível online aqui.

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