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Entrevistas
Professor UA – Álvaro Teixeira Lopes, Departamento de Comunicação e Arte
Ensinar piano com duas notas: criatividade e rigor
Álvaro Teixeira Lopes
Formou várias gerações de músicos e grande parte dos professores de piano do país. Por isso, é muito provável que as obras, os aplausos ou os prémios conquistados pelos intérpretes nacionais tenham sementes cultivadas por Álvaro Teixeira Lopes. Professor de Piano e Música de Câmara no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da Universidade de Aveiro (UA), quando se emociona ao ouvir a música dos alunos sabe exatamente que está a cumprir a missão de fazer crescer asas em cada um deles.

Professor nos Conservatórios de Música de Aveiro, Braga e Porto, leciona desde 1991 no DeCA, nos cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento a disciplina de Piano.  Simultaneamente à atividade pedagógica manteve uma carreira pianística que o levou a tocar nos mais conceituados festivais de música nacionais e internacionais, gravou seis CDs e dedicou especial atenção à divulgação da música portuguesa. É diretor artístico do Concurso Internacional de Sta. Cecília e dos Ciclos CMP/ CMSM, Ciclo de Novos Talentos do Teatro Municipal do Porto e é o responsável pela programação artística da Fundação Manuel António da Mota. Dirige desde 2009 o Curso de Música de Silva Monteiro.

Álvaro Teixeira Lopes tem o Curso Superior de Piano do Conservatório de Música do Porto, uma Pós-Graduação em Viena na Academia Superior de Música de Viena e no Conservatório de Música de Viena e o Diplôme Supérieur da École Normale de Musique Alfred Cortot- Paris.

Como define um bom professor?

Um bom professor é aquele que marca positivamente os alunos, que deixa rasto. Eu, ainda quando toco ou trabalho alguma obra nova, “ouço” a forma como os meus diferentes professores abordariam a obra em questão, o que me permite chegar naturalmente à minha forma de interpretar. Ajudar a encontrar e não dar a solução, é a chave. É necessário saber muito mais do que aquilo que se ensina e o saber fazer a triagem do que se transmite é fundamental. O papel mais importante do professor é ajudar o aluno a encontrar a sua autonomia - o seu caminho. No dia em que ouço um aluno a tocar uma obra com uma conceção completamente diferente da minha, entendê-la e ficar emocionado, é porque cumpri o meu papel.

O que mais o fascina no ensino?

A procura incessante. A relação professor/aluno na minha área é muito intensa. O facto de as aulas serem individuais cria uma permanente troca, em que o empenho do aluno origina o empenho do professor em cada minuto. Este processo por vezes desenrola-se ao longo de anos e é necessário que seja permanentemente enriquecido e mutante. O professor/pianista tem de se despir sempre da sua personalidade artística para ajudar o aluno a encontrar a sua própria personalidade. Cada aluno meu tem um denominador comum com os seus colegas, que é o facto de ser portador da minha experiência artística, mas tem de se sobrepor a ela encontrando a sua própria personalidade. A diversidade é sempre um desafio e como não há duas pessoas iguais e a arte surge através das pessoas, as fórmulas não têm espaço e a criatividade aliada ao rigor são as palavras chave deste processo.  

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligado?

A formação que é dada na UA parece-me eclética, estruturada com objetivos claros. É motivante para os alunos, e oferece vários perfis de formação, que me parecem vir de encontro às necessidades dos alunos e do país.

Que grande conselho daria aos alunos?

Por vezes é difícil ser-se aluno e conseguir-se ver para além dessa condição. A estratégia que o professor desenvolve para o percurso de cada aluno, nem sempre é facilmente percetível por cada um. É necessário confiar quando se sente qualidade. A ideia de progresso/caminho comum é fundamental quando há o perigo de ser demasiado individualista numa área que já por si apela ao individual. 

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Apesar de neste momento ter uma classe especialmente forte e interessante, nunca deixo de pensar nos primeiros anos do curso e do entusiasmo com que todos vivemos o pioneirismo do ensino da música na universidade. Foram anos em que além do trabalho intenso e duro com os alunos, e apesar das condições físicas serem verdadeiramente precárias, a vontade de fazer vingar o curso a nível exterior congregou esforços de uma forma tão espontânea e intensa que impregnou este curso de afeto e de uma força extraordinária. Deve-se aos alunos desse tempo, aos professores e a uma equipa reitoral tão solidária e determinada hoje podermos usufruir de uma série de condições internas e externas inimagináveis em 1991.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

Em alturas de mais tensão na preparação de recitais ou exames, é frequente entrar na minha sala e encontrar uma estante repleta de “Maltesers” para acalmar os ânimos…

descrição para leitores de ecrã
Disfrutar dos presentes diários da vida, ler e ouvir muita música são alguns dos prazeres de Álvaro Teixeira Lopes

Traço principal do seu carácter

Determinação, sentido da justiça e liberdade. Prazer em disfrutar do que a vida vai oferecendo no dia a dia.

Ocupação preferida nos tempos livres

Viajar, estar com família e com os meus cães.

O que não dispensa no dia-a-dia

Ouvir música. Ler.

O desejo que ainda está por realizar

Tantos livros para ver, tantos lugares para visitar e revisitar. Ter tempo para estar.

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