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Entrevistas
Antiga aluna ESSUA – Sofia Nunes, licenciada e mestre em Gerontologia
A jardineira do amor e outras flores
Sofia Nunes
Já ouviu falar do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo? Sim, esse mesmo, o dos (muito!) bem-humorados vídeos que nas redes sociais têm deitado por terra todos os estereótipos associados à idade. Licenciada e mestre em Gerontologia pela Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA), Sofia Nunes é uma das profissionais que colocou o lar no top das visualizações e, principalmente, os idosos a rir com a vida. E nós com eles!

Depois de terminar o Mestrado de Gerontologia da ESSUA, em 2010, realizou um estágio profissional no Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, em Ílhavo. Ficou até hoje. Através do trabalho desenvolvido no Centro e em equipa com o animador sociocultural Ângelo Valente, Sofia Nunes conseguiu criar e implementar projetos amplamente reconhecidos nacionalmente e internacionalmente.  “Antes de Morrer quero...” é, provavelmente, um dos projetos que alcançou maior notoriedade. E isso viu-se no fervilhar de vida nos sorrisos dos utentes. Hoje, aos 30 anos, é também um dos elementos da Equipa do Centro Terapêutico Desenvolver +.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Para além da proximidade geográfica, as ótimas referências relativas à qualidade do ensino, bem como a organização da estrutura.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Entrei para o curso de Gerontologia na UA em 2005, quando ainda não existiam gerontólogos formados, pelo que as expectativas em relação ao curso eram ainda um pouco vagas. No entanto, desde sempre acreditei que esta era uma área em expansão, devido ao aumento da expectativa de vida da população e, neste sentido, considero que a UA me proporcionou um percurso académico baseado na multidisciplinaridade, empenho e rigor científico e, acima de tudo, incutiu-me outros valores que ultrapassaram as expectativas e que se baseiam na humanização das práticas de saúde e não só. A UA integrou a humanização dos cuidados não só nos conteúdos programáticos do curso de Gerontologia, como a valorizou e permitiu que esta se tornasse parte integrante das ações dos profissionais que formou e forma.

Assim, continuo a contar com a UA como uma instituição parceira na luta - diariamente concretizada através da Associação Nacional dos Gerontólogos - pelo reconhecimento e regulamentação da recente e fundamental profissão do Gerontólogo que a Universidade, inovadoramente, ajudou a inserir em Portugal.

O que mais a marcou na UA?

O que mais me marcou e ainda hoje me une à UA é o espírito de cooperação e comunidade. Sempre senti uma grande honra de fazer parte da equipa de estudantes, professores e funcionários em que todos se sentiam atores importantes na construção de conhecimento e da identidade da UA.

Os resultados e a realização pessoal e profissional que vou sentindo em cada pequena e grande vitória fazem valer a pena cada corrida de 30 minutos até ao autocarro, cada nota menos boa que por vezes teimava em aparecer nas pautas, cada noite mal dormida a preparar um trabalho que ficou para a véspera ou cada matéria gravada, sublinhada e reescrita em letra que nunca ninguém entendeu. No final o saldo é sempre positivo e valerá sempre a pena.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. Sempre me interessei por diversas áreas algumas bastante distintas e ainda hoje invisto a minha formação noutras áreas para além da Gerontologia com o intuito de me realizar pessoalmente. No entanto, e apesar de a Gerontologia ter surgido como primeira opção de entrada na Universidade, esta seleção foi realizada apenas com o intuito de experimentar uma vez que ainda não tinha presente a profissão que queria seguir.

A Gerontologia conquistou-me pelo seu caráter multidimensional e pelo seu abrangente plano curricular. Além disso, a Gerontologia despertou-me para o fator comum que alimentava o meu interesse pelas diversas áreas, a vontade e a crença de contribuir para a melhoria da qualidade de vida de outras pessoas e de fazer uma diferença positiva e vincada na sociedade.

Como descreve a sua atividade profissional?

Descrevo a minha atividade profissional como interessante, estimulante e cada vez com mais desafios. Atualmente as minhas funções prendem-se especialmente com:

- Gestão de serviços, recursos humanos e materiais das valências de Estrutura Residencial para Idosos, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário e articulação com equipa, parceiros e significativos para a disposição de todos os recursos ao serviço do cumprimento das necessidades dos clientes;

- Organização e dinamização de Ações de Formação (colaboradores, clientes e significativos)

- Desenvolvimento da dinâmica do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, baseada na Humanização de Cuidados, através de serviços e atividades compatíveis com as condições físicas, psicológicas e ambientais dos clientes com o intuito de os envolver na sociedade.

Esforço-me para que as minhas funções sejam desempenhadas através de uma relação próxima com todos os intervenientes da instituição – direção, colaboradores, família e, principalmente, clientes.

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

A oportunidade de trabalhar com pessoas e para pessoas através de valores que considero fundamentais: o amor, o respeito, o altruísmo e a solidariedade. Estes aspetos são para mim essenciais e muitas vezes os resultados de uma determinada situação estão dependentes da sensibilidade que temos para perceber o outro como ser único, sendo sempre necessário fomentar o espírito crítico para avaliar se determinados procedimentos estão adequados à individualidade de cada pessoa. Caso não estejam é necessário reinventá-los.

Além disso, fascina-me a liberdade criativa, a equipa de trabalho, o ambiente agradável e estimulante e o constante reforço por parte da equipa e dos clientes. Estes aspectos têm permitido que o Centro Comunitário da Gafanha do Carmo tenha um papel marcante na sensibilização da sociedade para a questão do envelhecimento, para a desmistificação do mesmo e para a inclusão das pessoas idosas em todas as vertentes da sociedade.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

São várias as competências que adquiri na UA essenciais para o exercício da minha atividade, mas destaco como principais a capacidade de valorizar as minhas motivações intrínsecas, relacionadas com a realização pessoal e a aprendizagem diária como elementos fundamentais de combustível à prática profissional, ambicionando sempre a excelência.

Além disso, destaco a importância que a UA sempre depositou no trabalho rigoroso ao nível científico e também no trabalho em equipa. Desde sempre, que graças a estas competências adquiridas na UA, tento estruturar o trabalho de forma a que este seja percebido e entendido por todos, apresentando-o de forma simples, intuitiva, adaptada e uniformizada.

A paixão que tenho pela minha profissão movem as minhas ações e a minha atuação é pautada, não só pelos conhecimentos técnicos que tive oportunidade de aprender no meu percurso académico, mas também pela bagagem pessoal e pela crença de que a capacidade de mudar o mundo está nas nossas mãos se todos tivermos coragem para mudarmos o mundo à nossa volta.

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