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Entrevistas
Antiga aluna UA – Beatriz Cravo, licenciada em Engenharia e Gestão Industrial
Polivalência e transversalidade: os segredos para o sucesso da consultoria de gestão
Beatriz Cravo
Chegar, ver e vencer. Que é como quem diz, fundar uma empresa, apresentar os primeiros resultados e, meio ano depois, conquistar o Galardão de Mérito atribuído pelo projeto Portugal Creative Village. A empresa premiada chama-se Lumo e tem em Beatriz Cravo uma das fundadoras. A consultora, especialista em sistemas de gestão e em gestão de projetos, lembra que é à formação abrangente e transversal que obteve na Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial (LEGI) da Universidade de Aveiro (UA) que deve o sucesso profissional.

Depois de concluir a LEGI do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da UA, em 2003, iniciou o estágio profissional na área da Qualidade, tendo adquirido competências na implementação de Sistemas de Gestão da Qualidade. Posteriormente, e até 2007, exerceu funções enquanto consultora, auditora e formadora de sistemas de gestão da qualidade. As estas competências juntaram-se, entretanto, outra mão cheia delas na área da implementação de sistemas de segurança alimentar.

Antiga diretora da qualidade e assessora da direção de produção numa empresa ligada ao sector automóvel, abraçou em 2008 a consultoria na área de projetos de investimento, desenvolvendo projetos no âmbito das medidas de incentivo do Quadro de Apoio 2007-2013 e do Quadro de Apoio 2014-2020. Ao mesmo tempo tem feito a gestão e acompanhamento de projetos ao longo da sua execução física e financeira, funções que acumula juntamente com as de consultora na área dos Sistemas de Gestão.

Recentemente, com mais quatro sócios, fez nascer a LUMO - Consultoria de Gestão.

Quais os motivos que a levaram a estudar na UA?

A escolha da UA deveu-se essencialmente aos seguintes motivos: o curso de Engenharia que eu pretendia existia na UA; tenho uma irmã mais velha que já tinha estudado nesta instituição e sempre me deu boas referências esta Universidade; e por fim, o facto da UA ser na minha área de residência.

O curso correspondeu às suas expectativas?

Sim, de um modo geral o curso correspondeu ao que eu esperava e algumas das cadeiras que integraram o plano curricular inclusivamente influenciaram aquelas que vieram a ser as minhas escolhas profissionais. Da mesma forma, admito também, que algumas das cadeiras que fizeram parte do plano curricular depois não tiveram grande aplicabilidade prática quando ingressei no mundo profissional, mas penso que essa é uma característica transversal a praticamente todos os cursos. Penso também que teria sido proveitoso se os períodos de estágio e de contacto com o meio empresarial tivessem sido mais alargados e não exclusivamente restritos ao último ano da licenciatura.

E a UA?

Relativamente à UA a minha opinião é a melhor possível. As instalações, e todo o Campus Universitário, são excelentes. A UA é uma pequena cidade dentro de outra cidade, onde alunos e docentes têm condições ideais para a prática académica. A UA é uma instituição de ensino voltada para o futuro, onde alunos e docentes têm acesso a um vasto leque de recursos de apoio ao estudo e à investigação e onde se promove uma cultura voltada para a geração de conhecimento.

O que mais a marcou na UA?

Durante o meu percurso na Universidade penso que o professor que mais influência teve naquela que veio a ser a minha escolha profissional foi o Prof. Seca Ruivo, que me lecionou a cadeira de Gestão da Qualidade. Não poderia deixar de destacar também três outros professores pela sua excelência, particularmente, o Prof. Arménio Rego, do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial [atual DEGEIT], o Prof. Pedro Mantas, do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica, e o Prof. Luís Carlos, do Departamento de Física, docentes a quem reconheço a capacidade inata e brilhante para lecionar.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não, não sabia exatamente que profissão gostaria de exercer. Quando concorri à Universidade sabia que, entre as Engenharias, o curso de Engenharia e Gestão Industrial era aquele que gostaria de seguir, o que veio efetivamente a acontecer. Em termos profissionais a minha escolha apenas começou a ficar mais definida já perto do final da licenciatura, tendo-se confirmado quando entrei de facto no mundo profissional.

Como descreve a sua atividade profissional?

A atividade de consultoria é muito interessante, pois obriga-nos a lidar com muitas empresas, pertencentes a sectores de atividade tão distintos quanto se possa imaginar. Esta atividade implica ter um conhecimento integral da empresa cliente, obrigando a conhecer todas as vertentes da organização, desde as atividades mais voltadas para a estratégia, como também as atividades operacionais/produtivas, passando também pelas restantes áreas. No caso particular da área de consultoria de implementação dos Sistemas de Gestão, esta área obriga a um levantamento profundo das atividades da empresa, para que, com base nas práticas atuais, possam ser trabalhadas aquelas que virão a ser as futuras e novas práticas da empresa, tendo em vista o alcance de melhores resultados e a melhoria do desempenho da empresa cliente, assim como a adoção de padrões reconhecidos internacionalmente. Esse impacto na competitividade e na notoriedade da empresa cliente são por si só muito gratificantes.

O que mais a fascina na sua atividade profissional?

O que mais gosto é a diversidade de empresas com as quais tenho de colaborar. Não raras vezes estamos a lidar com uma empresa ligada à metalomecânica, como no dia seguinte já estamos a colaborar com uma empresa do sector alimentar e no outro com uma de serviços. Esta diversidade faz com que todos os dias sejam diferentes e em que todos os dias se aprenda algo novo, já que cada empresa tem uma identidade própria e é diferente entre si, o que exige ao consultor uma elevada capacidade de flexibilização e de adaptabilidade perante as inúmeras empresas com as quais tem de interagir.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Penso que a polivalência é a competência que mais se destaca, a qual em certa medida adveio da polivalência do próprio curso que frequentei. A licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial é muito abrangente e muito versátil, abrindo portas para muitas áreas de intervenção. Como tal, penso que esta abrangência e transversalidade que está na base da minha formação académica têm sido muito úteis ao longo de todo o meu percurso profissional, pois tem permitido adaptar-me mais facilmente a realidades empresariais distintas e a áreas industriais diversificadas.

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