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Ensino e Formação
UA promove investigação e ações para alargar o paradigma da internacionalização
Internacionalizar também é “ir para fora” cá dentro
Ações de promoção da internacionalização podem existir para além da mobilidade
O termo “internacionalização em casa”, que parece um paradoxo, tem sido recorrente nas discussões atuais sobre ensino superior e, desde 2013, faz parte da política educativa da Comissão Europeia. Na Universidade de Aveiro (UA), onde tem sido evidente a aposta na mobilidade e nas parcerias internacionais, há projetos de investigação e ações diversas para sensibilizar a comunidade para mais esta vertente da formação para um mundo globalizado que se quer mais sustentável e inclusivo.

Mobilidade in, mobilidade out, os estrangeiros que vêm estudar, durante uma temporada, para a UA, e os estudantes da UA que vão frequentar instituições estrangeiras, durante certo período, uns e outros são cada vez em maior número. No entanto, apesar das vantagens que essas iniciativas de saída da zona de conforto trazem a quem está em formação, nomeadamente em situação de concorrência no mercado de trabalho, os que entram no comboio da mobilidade continuam a representar uma pequena parte da comunidade de estudantes em qualquer instituição de ensino superior.

Para além da mobilidade estudantil, outros aspetos da mais conhecida faceta da internacionalização nas instituições de ensino superior são a aposta na cooperação e na criação de parcerias institucionais a nível internacional; a participação em projetos internacionais (na área da formação, da I&D e da transferência de tecnologia); a exportação de serviços e criação de polos universitários em outros países; e o ensino em língua inglesa.

O contexto de globalização, de competitividade e de interdependência leva as instituições de ensino superior a uma pressão cada vez maior para se internacionalizarem. Mas há outros olhares que, vulgarmente, merecem menos atenção e podem contribuir para o mesmo fim, ou seja, preparar melhores profissionais e educar melhores cidadãos para um mundo globalizado, que pressupõe educar para a interculturalidade e para a sustentabilidade, aponta Gillian Moreira, Pró-reitora da UA para a área do Ensino. A Pró-reitora tem vindo a promover, com o Vice-reitor Gonçalo Paiva Dias (Ensino e Formação) e a Pró-reitora Marlene Amorim (Internacionalização), um conjunto de ações em prol da internacionalização em casa no sentido de sensibilizar os docentes para o tema e potenciar a sua integração nos curricula da instituição.

Aulas temperadas com outras línguas e outras culturas

O que o conceito internacionalização em casa mostra é que há outras vertentes da internacionalização que estão para além das estratégias e das ações desenvolvidas pelas cúpulas e pelos serviços de relações internacionais das instituições e que podem conduzir a uma política de internacionalização mais sustentável e integrada. Estas vertentes passam, por exemplo, pela internacionalização do currículo, ou seja, pela inclusão intencional de uma perspetiva internacional, global ou intercultural nos objetivos, metodologias e conteúdos dos planos de estudo das unidades curriculares e pelo contacto que é proporcionado aos estudantes nesses contextos com as línguas e com outras perspetivas socioculturais.

Desde 2015, as investigadoras do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), Mónica Lourenço e Susana Pinto, têm vindo a participar e a colaborar em atividades de debate a formação nesta área, promovidas pela Reitoria e/ou no âmbito dos seus projetos financiados pela FCT e com vista à internacionalização das práticas de ensino-aprendizagem.

Docentes mais sensibilizados para cidadania global

A título de exemplo, em novembro e dezembro de 2016, foi dinamizada por Susana Pinto uma ação de formação para docentes da UA intitulada A competência intercultural na internacionalização do ensino superior: construção de propostas com docentes da UA. Esta ação, aberta a todos os docentes. foi organizada em colaboração com a Reitoria e tem continuidade prevista para o segundo semestre de 2016/17. 

Como notou a investigadora, Mónica Lourenço, nas entrevistas que realizou a alguns docentes do Departamento de Educação e Psicologia da UA e que deram origem a um poster apresentado no Research Day da UA em 2016, os docentes estão pouco conscientes do papel que podem e devem desempenhar na internacionalização.

Neste âmbito, desde 2016, Mónica Lourenço tem vindo a desenvolver sessões colaborativas com os docentes do Departamento de Educação e Psicologia no sentido de os apoiar na conceção, desenvolvimento e avaliação de práticas de internacionalização do currículo, capazes de educar os futuros educadores e professores para a cidadania global.

As investigadoras do CIDTFF, Mónica Lourenço e Susana Pinto, estão a preparar um documento de orientação, no âmbito da sua investigação de pós-doutoramento, precisamente, sobre a internacionalização em casa. O documento deverá ficar concluído no final deste ano letivo.

Columbus Hub Academy apoia internacionalização em casa

Um outro exemplo de trabalho em torno da internacionalização do currículo ocorreu em setembro e outubro de 2016 na unidade curricular Marketing Digital, da licenciatura em Marketing do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA (ISCA-UA), em que os estudantes do ISCA-UA, sob orientação da docente Belém Barbosa, realizaram um trabalho curricular em colaboração com estudantes mexicanos da Universidade de Colima, México, sob orientação de Claudia M. Prado-Meza. O trabalho curricular foi desenvolvido com apoio da Columbus Hub Academy (http://www.columbus-hubacademy.org/) que procura promover a conceção e implementação de projetos internacionais, online, de ensino e aprendizagem. Na avaliação da atividade, a grande maioria dos participantes indicou ter sido esta a primeira iniciativa de internacionalização em contexto académico em que participou e todos recomendaram a outros professores a inclusão de atividades semelhantes nas suas unidades curriculares.

No Plano de Atividades da UA para 2017, refere-se a “vocação internacional” que se tem vindo a construir e que se pretende reforçar: “A aposta na internacionalização traduz-se, entre outros aspetos, no crescimento e diversificação da população estudantil, bem como na densificação dos fluxos de mobilidade e colaboração internacional entre docentes e investigadores, que no seu conjunto contribuem para o posicionamento da Universidade em redes e rankings internacionais de excelência.” Embora destacando a mobilidade e as parcerias internacionais, neste documento, a instituição não fecha a porta a perspetivas mais abrangentes, nomeadamente “o desenvolvimento de um ambiente de ensino-aprendizagem de perfil internacional.”

A pouco e pouco, ambiciona a Pró-reitora Gillian Moreira, procura-se alargar a base para uma internacionalização ainda mais abrangente na UA. Porque internacionalizar também é possível estando “fora” cá dentro.

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