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Rossio, Praça Marquês de Pombal, Estação, Santiago e Manuel Firmino
Alunos do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano apresentaram propostas para melhorar cinco espaços públicos da cidade
estudantes do mestrado em PRU apresentam proposta de melhoria de Santiago
O desafio foi lançado em setembro aos 21 alunos (nacionais e Erasmus) da Unidade Curricular “Espaço Publico Urbano” do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano, ministrado na UA, e o resultado conhecido na semana de 16 a 20 de janeiro: diagnosticar os problemas de cinco espaços distinto da cidade de Aveiro e apresentar propostas para os melhorar e lhes dar mais vida. Os aveirenses puderam conhecer estas propostas nos próprios espaços, numa iniciativa que se designou “Cinco Dias, Cinco Espaços”.

Os trabalhos desenvolvidos pelos cinco grupos de estudantes do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano, no âmbito da UC "Espaço Publico Urbano", coordenado pelos professores José Carlos Mota e Frederico Moura Sá, tiveram um conjunto de denominadores comuns, a saber: o privilegiar do peão e o desincentivo ao uso do automóvel; a criação de atividades para a atração e fixação de pessoas de diversas idades (dos mais jovens aos mais idosos) no espaço público; a valorização dos elementos naturais da cidade (da ria aos corredores verdes); a mobilização de ferramentas da ciência, da tecnologia e das artes para gerar vida urbana no espaço público; o envolvimento das comunidades e dos atores representativos na conceção dos projetos e na sua implementação, através de processos de cocriação.

Depois de uma fase de diagnóstico, os cinco grupos deram a conhecer à comunidade as suas propostas de intervenção para o Rossio, Praça Marquês de Pombal, Estação, Santiago e zona envolvente ao Mercado Manuel Firmino, através da apresentação dos conteúdos produzidos ou da simulação das próprias propostas.

 

Mercado Manuel Firmino (envolvente e próprio mercado)

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Uma das ações do grupo do mestrado em PRU para dar a conhecer a proposta de melhoria da zona envolvente ao mercado

Na fase de diagnóstico, Carlos Fernandes, Catarina Freitas, Cecília Limido e Gonçalo Barros consideraram que o facto de haver circulação automóvel, abusos de estacionamento, espaços verdes pouco convidativos à socialização (há muros, devia haver bancos) e à fruição por crianças, bem como acessos deteriorados e a existência de escadas em vez de rampas nas pontes que ligam as duas margens da ria, impossibilitando a travessia por parte de pessoas com mobilidade reduzida e bicicletas e, ainda, a conexão com a Avenida 5 de Outubro eram constrangimentos a contornar.

Ao contrário, como oportunidades, este grupo considerou a presença do mercado, de espaços de restauração, a proximidade do Fórum, da Ria e da Avenida Lourenço Peixinho, a existência de parques de estacionamento, arborização suficiente para proteção do sol e do vento, assim como a presença da Loja Buga.

O grupo identificou, também, um conjunto de constrangimentos e oportunidades no próprio mercado, considerando como pontos negativos a existência de muito espaço desaproveitado e um interior e exterior pouco apelativo; e como pontos positivos, o tamanho do mercado e o número de estabelecimentos nas galerias.

Neste sentido, a proposta destes quatro alunos passou pela pavimentação uniforme de toda a envolvente, restringindo a circulação automóvel de passagem (exceto uso por moradores, cargas/descargas), por redesenhar e aumentar os espaços verdes, melhorar o conforto e entretenimento da população (introduzir bancos em forma de U com encosto e mesas centrais interativas, criar um espaço único e identitário para as crianças), melhorar o acesso pedonal proveniente da Avenida 5 de Outubro, criar uma nova rampa amiga dos modos de mobilidade suave, melhorar a zona de contacto com a Ria e implementar Wi-Fi no local.

Para o próprio mercado, o grupo propôs pintar o exterior com cores vibrantes e recorrer aos azulejos alusivos às casas tipicamente aveirenses, remodelar o interior com intuito de o tornar num minibairro, atrair estabelecimentos vocacionados para as tapas, produtos tradicionais, bebidas, etc., e manter os seus usos atuais de venda de legumes, frutas e outros alimentos em bancadas ao centro.

“Com estas propostas, o nosso grande objetivo foi tornar o espaço apelativo e confortável, dando-lhe uma nova dinâmica e imagem”, explica o porta-voz do grupo, Carlos Fernandes, acrescentando que no dia da ação no local, na manhã do dia 17 de janeiro, colocaram mesas e cadeiras com jogos interativos (Xadrez, Damas, Cartas) e interagiram com as pessoas que por ali passaram não só para explicar brevemente o trabalho realizado, mas também para saber da sua aceitação sobre as mudanças sugeridas.

 

Santiago

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O grupo de Santiago propõe ligar o jardim de Santiago à restante cidade, através de um corredor ecológico

O grupo responsável por identificar os principais constrangimentos e oportunidades do Jardim de Santiago entendeu que o principal problema deste espaço advinha não só das barreiras arquitetónicas (escadas e muros envolventes) que dificultam o acesso ao espaço, mas também da falta de manutenção no local e da consequente sensação de insegurança que afasta as pessoas do Parque.

Por outro lado, o grupo considerou existirem algumas oportunidades criadas pela grande dimensão do espaço e pela existência de áreas verdes no bairro de Santiago e sua envolvente (a ria e os parques próximos) que, uma vez ligados, formariam um grande anel verde ecológico.

O grupo, composto pelos alunos Beatriz Melo, Cecília Porta, Lucas Linhares Borges de Macedo e Vanessa Passos, propôs, assim, que os equipamentos presentes no Jardim permaneçam, dando-lhes, contudo, usos diversos (ex.: os degraus do anfiteatro serem aproveitados para as pessoas se sentarem; o jardim utilizado para passear com os cães; ampliar a horta comunitária). O único elemento a destruir seria a parede em torno do parque, pois limita a sua acessibilidade. Por fim, houve a criação de uma página nas redes sociais com o objetivo de promover o local e pensar em próximos eventos, de modo a atrair a população ao Jardim.

De acordo com a porta-voz do grupo, Cecília Porta, “a grande mais-valia da nossa proposta é o uso de todos os elementos existentes no espaço, bastando a sua regular manutenção. É assim possível obter-se bons resultados sem grandes investimentos”.

No dia 20 de janeiro, o grupo contou com o envolvimento e a participação dos habitantes do bairro e das crianças da Escola de Santiago que puderam dar os seus contributos com ideias para melhorar este espaço público. O grupo vai dia 4 de fevereiro marcar presença no Aveiro Soup - um jantar coletivo inédito onde serão apresentados mais três projetos previamente selecionados, com o objetivo de dinamizar iniciativas em benefício da comunidade aveirense.

 

Rossio

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Elementos da equipa de trabalho (Jacopo Bassi, Vânia Lopes, Natalia Auguscik, Vanessa Schwegmann) na apresentaçãpo da sua proposta no Mercado Negro

Na proposta de melhoria deste histórico espaço da cidade trabalharam os alunos Vânia Lopes (portuguesa), Djan Hennemann (Brasileiro), Jacopo Bassi (Italiano), Vanessa Shwegmann (Alemã) e Natalia Augustick (Polônia).

Ao entrevistar pessoas e analisar cuidadosamente o espaço, as questões relacionadas com o tráfego na área envolvente ao Rossio, a falta de utilizadores, sobretudo de residentes, e a falta de atratividade do próprio espaço para permitir a socialização e permanência das pessoas foram os aspetos mais negativos encontrados.

No entanto, o grupo concluiu que o Rossio tem muitas potencialidades, de que são exemplo a sua posição geográfica no centro da cidade, toda a sua história ligada à ria e ao bairro de beira-mar e toda a atividade comercial envolvente, bem demonstradora de que este espaço pode voltar a ser um lugar importante (senão o mais importante) de toda a cidade de Aveiro, devendo por isso criar-se um espaço para uso pedonal e mais ligado à ria e ao bairro de beira-mar.

“Preocupámo-nos em encontrar soluções para os problemas de tráfego e falta de atratividade do espaço”, resumiu o porta-voz do grupo, Jacopo Bassi, especificando: “Não faz sentido dar preferência aos veículos num espaço que tem a história e o potencial de sociabilização do Rossio. Assim, a calendarizando de alguns eventos e renovação do espaço em termos de mobiliário urbano são algumas ideias que permitirão criar uma maior permanência e interação entre os utilizadores naquele espaço. Estas ações poderão contribuir para voltar a dar ao Rossio a importância que já teve noutros tempos”.

O grupo apresentou a sua proposta a 18 de janeiro, no Mercado Negro, e ouviu a população presente, querendo agora ouvir associações e outras instituições. Desta nova ronda de debate deverá sair um documento que contemplará todas as visões e ideias. O objetivo final é entregar aos órgãos públicos competentes uma proposta da intervenção para o Rossio.

 

Praça Marquês de Pombal

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Como principal ensaio das propostas, o grupo desenhou uma porta de ligação à baixa de Santo António, nas traseiras do edifício do antigo Governo Civil

A proposta para melhorar a Praça Marquês de Pombal ficou a cargo do grupo de Rui Lopes, José Otávio Braga, Cátia Viana e Sylwia Mazgajska. A forma da praça, a falta de vegetação, o mobiliário e outros elementos localizados principalmente na área entre o edifício da PSP, do Tribunal e do Convento das Carmelitas (que tem uma bela igreja fechada com uso ocioso e alto potencial) e ainda a falta de conexão ao Parque da Sustentabilidade, foram os maiores constrangimentos identificados pelo grupo.

Por outro lado, a sua localização privilegiada, no centro, com a proximidade de diversos serviços públicos, o espaço adequado para a realização de grandes eventos e a existência de associações e vários grupos locais da região interessados no sucesso de empreitadas na praça, foram as oportunidades consideradas pelo grupo que por isso propõe iniciativas a realizar a curto, médio e longo prazo, com o objetivo único de fazer do espaço a “Praça da União”.

“Acreditamos que alcançaríamos uma praça melhor conectada com sua envolvente, mais inclusiva e com maior - e melhor distribuída - diversidade de usos, incentivando a permanência dos que hoje só transitam por lá, tanto no dia a dia como durante os eventos que esperamos se tornem regulares por lá”, diz o porta-voz do grupo, José Otávio Braga.

A apresentação desta proposta decorreu no dia 19 de janeiro e atraiu diversos curiosos que debateram e deram sugestões sobre o que mudariam na Praça. Como principal ensaio das propostas, o grupo desenhou uma porta de ligação à baixa de Santo António, nas traseiras do edifício do antigo Governo Civil.

 

Estação

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A proposta de intervenção na Estação da CP garante a todos os cidadãos uma sensação de identidade e segurança, bem como a perceção da “Entrada de Aveiro"

Ao centrar-se na Estação, Américo Rodrigues, André Silva, Jorge Cunha, Rosa Campos e Umbelina Porto identificaram a falta de identidade do local e das pessoas para com o local, associados ao elevado peso motorizado numa zona de grande afluência pedestre e à desorganização dos elementos físicos na Praça, como os principais constrangimentos deste espaço. No entanto, assumiram o elevado número de utilizadores que transitam no local como uma grande potencialidade na formatação deste polo da cidade que cria a sensação de “entrada” na cidade.

Deste modo, a proposta deste grupo baseou-se essencialmente na reorganização do espaço e envolvente ao largo da estação de caminhos de ferro de Aveiro. "Pretendemos evidenciar o caráter pedonal e promoção da utilização dos modos suaves em detrimento do uso do automóvel reduzindo-o ao indispensável, à vivência dos moradores e comerciantes. Verificámos também a importância de atribuir funções ao antigo edifício da estação, podendo este ser alvo de um centro de turismo e quiosque buga, mas também de um centro cívico. Ligações aos transportes coletivos agradáveis é outra proposta, assim como uma reorganização do mobiliário urbano no local. Por fim, torna-se importante a criação de atividades, como por exemplo feiras, de forma a garantir novas funções no local”, explica Umbelina Porto.

A porta-voz deste grupo adianta ainda que a proposta que apresentaram na Praça da Estação de Aveiro, no dia 16 de janeiro, garante a todos os cidadãos, desde moradores a comerciantes e utilizadores, uma sensação de identidade e segurança, bem como a perceção da “Entrada de Aveiro - a cidade do vento e da buga, fomentando a sensação de liberdade de experiências como de mobilidade para toda a cidade para quem chega a Aveiro”.

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