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Estudo do envelhecimento e das doenças crónicas entre as atribuições do iBiMED
UA faz trabalho de excelência na área da Saúde
O Instituto de Biomedicina da UA (iBiMED) foi criado em 2014, tendo obtido excelente na avaliação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Incorpora cem investigadores e coordena a investigação da UA nas várias especialidades das ciências biomédicas e médicas. A sua missão é promover a investigação fundamental, préclínica e clínica e criar uma rede regional de instituições de saúde para estudar o envelhecimento e as doenças crónicas.

Para atingir estes objetivos, o iBiMED adotou uma organização inovadora sem grupos clássicos de investigação, linhas ou divisões científicas temáticas. Os investigadores organizam-se em torno de perguntas biomédicas, médicas e translacionais, não havendo laboratórios ou equipamentos individuais. De acordo com Manuel Santos, Diretor do iBiMED, trata-se de uma unidade de investigação inclusiva: a tomada de decisão é colegial, os equipamentos e outras infraestruturas de investigação são partilhados, a cultura de trabalho e o sucesso do instituto afirmam-se através de corresponsabilização coletiva.

Nos últimos 24 meses criaram-se importantes infraestruturas de apoio à investigação, em particular um biotério, laboratórios de cultura de células humanas, laboratórios de microscopia avançada, bioinformática do genoma, modelação molecular, microbiologia médica, neurofisiologia e biomedicina, entre outros. Em 2017 serão instalados novos laboratórios, incluindo sequenciação de genomas, biobanco (em parceria com o Centro Hospitalar do Baixo Vouga – CHBV), investigação clínica e imunologia. O laboratório de microscopia será reforçado com a aquisição de um novo microscópio confocal. A investigação do iBiMED organiza-se em torno de um programa estratégico de investigação focado num desafio societal concreto: compreender os processos degenerativos do envelhecimento e das doenças crónicas.

O envelhecimento rápido da população portuguesa, a acumulação gradual de doenças crónicas após os 55 anos de vida e a polimedicação dos idosos têm custos altíssimos para o Serviço Nacional de Saúde (10 por cento da população consome 80 por cento dos recursos financeiros do SNS), o iBiMED ambiciona atacar este problema. O envelhecimento é o maior acelerador do aparecimento e progressão das doenças crónicas, nomeadamente o cancro, neurodegenerativas, diabetes, reumáticas, vasculares, respiratórias, muscoloesqueléticas, perda de visão e audição, entre outras.

“Pretendemos compreender como é que a desregulação biológica do envelhecimento acelera o aparecimento e progressão destas doenças, identificar biomarcadores e desenvolver tecnologias de diagnóstico que permitam intervir precocemente nestas doenças. Para tal, estudamos o envelhecimento e as doenças crónicas ao nível das biomoléculas, células, tecidos e organismo, usando animais modelo, pessoas, populações saudáveis e com determinada patologia (cohorts), integrando também conhecimentos de Medicina Regenerativa, Medicina Personalizada, Medicina de Sistemas e Genoma Humano”, explica Manuel Santos, concretizando: “Em termos práticos, os investigadores do iBiMED definem perguntas específicas que pretendem resolver, juntam médicos e outros profissionais de saúde com conhecimentos adequados e motivação para encontrar soluções, criando equipas multidisciplinares capazes de produzir resultados tangíveis”.

O diretor do iBiMED refere ainda que a integração de investigadores de outras unidades de investigação nestas equipas cria condições para “o desenvolvimento de soluções inovadoras, potenciando o aparecimento de patentes, startups, translação do conhecimento, desenvolvendo-se, assim, a economia da saúde”. Estas equipas de investigação organizadas em torno de perguntas científicas específicas são fortalecidas com a participação de investigadores estrangeiros com currículos de mérito.

Nos últimos anos, o iBiMED tem estudado as bases genéticas das doenças neurológicas e neurodegenerativas, através da genotipagem e sequenciação do genoma humano; plataformas que permitiram já testar diferentes tipos de variabilidade genética e os seus efeitos em diferentes doenças, como a demência frontotemporal e a doença de Alzheimer, ou doenças neurológicas raras como a lipofuscinose ceroide neuronal e o síndrome de Shaaf-Yang, um síndrome ultra raro apenas descrito em 2013.

Outra investigação em curso tem a ver com ácidos nucleicos e a sua relação com situações patogénicas, como é o caso do Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) familiar e doenças inflamatórias associadas. Este projeto visa definir os mecanismos moleculares de indução e ativação funcional destas moléculas e qual a sua interação com vias de sinalização que levam à produção de citoquinas, esperando-se que o estudo destas vias moleculares alternativas contribua para a identificação de alvos terapêuticos, de forma a compensar anomalias causadas por doenças como o LES.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 26 da revista Linhas.

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