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Entrevistas
Antigos alunos UA - Nuno Caldeira e Catarina Duarte
Trem SENZA aventura-se pela pauta da lusofonia
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“As viagens são inspiradoras, são libertadoras” dizem dois antigos alunos da UA unidos no gosto pela música e viagens e unidos na vida. Nuno Caldeira e Catarina Duarte fizeram uma viagem de sonho pela Ásia. O Transiberiano ajudou a ligar duas estações: a dos sonhos e a da realidade expressa em música na qual o duo assume a identidade SENZA.

Uma viagem marcante no comboio Transiberiano, de Moscovo à costa do Pacífico, realizada em 2012, levou Nuno Caldeira e Catarina Duarte, ele antigo aluno de Novas Tecnologias da Comunicação e ela antiga aluna de Matemática, a voltarem ao Sudeste Asiático. Voltaram. E esta outra viagem mudaria ainda mais as suas vidas.

Com um microfone e um computador portátil na bagagem, não esperavam o assomo criativo que lhes ocorreria ao longo dessa segunda aventura pela Ásia. Uma guitarra, comprada numa loja de Saigão, resolveu o problema da falta de um instrumento para consolidar musicalmente a inspiração.

Nessa segunda viagem, pararam numa praia do Cambodja, uma serena praia de água azul moço e luminoso, cingida por um verde luxuriante, com nome de “Independence”. Aí começaram a traduzir as emoções para música. Por isso, “Praia da Independência”, para além de nome de uma canção, é o nome do primeiro registo lançado no mercado pelos SENZA: “Tivemos uma boa dose de inspiração que nos permitiu escrever as canções de um disco, disco este que mereceu o selo “disco Antena 1”, e cujo lançamento nos levou à China, Índia, Alemanha, Bélgica, Espanha… Esse foi o mundo em que entrámos e que nos enche de orgulho”, dizem Nuno e Catarina.

“Praia da Independência” foi apresentado, em estreia, no encerramento do II Festival da Lusofonia, em Goa, no final de fevereiro de 2016. Durante a deslocação à Índia, com apoio do Consulado Geral, Fundação Oriente e Instituto Camões, os SENZA atuaram em vários locais. Esse périplo ajudou a consolidar ideias para o próximo trabalho: “Algumas dessas foram registadas no telemóvel quando viajávamos em tuk tuks, no meio do trânsito em Nova Deli, nas margens do Ganges e na tranquilidade de uma pequena ilha no rio Mandovi, perto de Velha Goa”, explicam.

Longe da vista, perto do coração

Na atmosfera SENZA, viagem rima, para além de liberdade, com inspiração e esta traduz-se em música. O duo explica melhor: “As viagens são por si só inspiradoras. São libertadoras. Especialmente quando se passam três meses bem longe dos locais onde normalmente vivemos, sem que o ambiente exerça sobre nós qualquer tipo de pressão. Com todo o tempo para pensarmos, temos também tempo para nos projetarmos no que queremos vir a ser. Tal como um escritor que sente o impulso de escrever sobre as suas viagens, ou como um fotógrafo que não resiste a trazer a sua visão das viagens em forma de fotografias, também nós partilhámos a nossa viagem. Mas com recurso ao nosso ofício que é a música. Em português, e com um sabor que tem tudo a ver com as nossas preferências musicais.”

O trabalho que os SENZA têm desenvolvido é abarcado pelo grande abraço que as viagens historicamente proporcionaram à identidade lusa, deixando memórias, nomes, palavras e sinais em vários pontos do mundo, especialmente nas latitudes mais quentes e coloridas. Nessas paragens, embora não só aí, ouvir os SENZA a cantarem em português tem um significado especial, como notou o duo nas atuações que foi fazendo, nos contactos e amizades que foi estabelecendo. É, sublinham, muito gratificante a reação de quem os ouve: “Sentir a forma com que as pessoas que nos ouvem reagem à nossa música. No estrangeiro é especialmente forte a forma como as pessoas têm reagido, entendam ou não português, sentem sempre que a música lhes passa algo.” Afinal, é música feita por portugueses, influenciada pelas paisagens asiáticas, temperada por ritmos brasileiros e africanos e com sabor internacional.

Antes tocávamos para viajar, agora viajamos para tocar

O trabalho do duo, entretanto, já evoluiu: “Antes tocávamos para viajar, agora tem sido, sobretudo, viajar para tocar.” Na preparação do próximo registo, os dois antigos alunos da UA têm vindo a aprofundar ainda mais as suas pesquisas e os seus conhecimentos sobre a memória e o património musical português: “Quanto mais pesquisamos mais percebemos que menos sabemos. O que nos fascina não tem só a ver com sonoridades, tem a ver com a cultura, com antropologia.”

Apesar da formação adquirida na UA não se relacionar diretamente com a atividade que ambos abraçam cada vez mais, a passagem pela formação em Design e a conclusão de Novas Tecnologias da Comunicação, no caso de Nuno, e a formação em Matemática, de Catarina, já estiveram mais presentes nas suas vidas. Catarina ensinou Matemática.

Nuno trabalhou no desenvolvimento de software e no desenho de interfaces de computador. A formação inicial trouxe evidentes mais-valias para o projeto, por exemplo, no desenvolvimento do desenho gráfico dos SENZA e na facilidade em lidar com a relação cada vez mais profunda entre música e tecnologia. Ambos tinham anos de estreito contacto com a música antes do projeto SENZA. Catarina, como cantora, começou no fado. Nuno tem formação musical clássica de base, tendo posteriormente estudado jazz e bossanova. Ambos referem que foi fundamental nos seus percursos a influência do “ambiente estimulante do meio académico”.

“O ambiente dinâmico, a frescura de uma casa jovem, positiva, em construção, com poucos vícios”, foram marcantes durante o tempo em que viveram no campus da UA, participando intensamente em atividades letivas mas também culturais.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 26 da revista Linhas

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