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Entrevistas
Antigo aluno UA - Bernardo Conde, Mestrado em Gestão e Política Ambientais
As imagens que Bernardo guarda percorrendo os trilhos da Terra
Bernardo Conde fotografa para viajar ou viaja para fotografar?
“Paixão que me permite partilhar o mundo que vou descobrindo, incentivar outras pessoas que gostam de fotografar e querem aprender, e que leva ao contacto com as pessoas que fotografo nos vários locais por onde passo.” Estes são alguns dos motivos que prendem Bernardo Conde, antigo aluno da UA e fundador da Trilhos da Terra, à fotografia.

O prestígio da UA e um estágio que anos antes tinha efetuado no Instituto de Conservação da Natureza, hoje Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, onde trabalhou sobre a Zona de Proteção Especial da Ria de Aveiro, levaram-no a inscrever-se no Mestrado em Gestão e Política Ambientais nesta Universidade. 

Ainda que a atividade atual não tenha diretamente a ver com os estudos ambientais e a engenharia do ambiente, área em que se licenciou, Bernardo Conde assinala três marcas na passagem pela UA. A primeira tem a ver com os professores do ano curricular e os seus “pacientes orientadores” (António Luís e Teresa Fidélis, professores dos departamentos de Biologia e de Ambiente e Ordenamento, respetivamente) que o apoiaram ao longo da preparação da dissertação de mestrado, um processo que considerou “difícil”, uma vez que o fez enquanto trabalhava. Também igualmente importante foi o “grande espírito de partilha e convívio vivido entre todos os colegas de turma”. Por fim, foram “as boas condições físicas da Universidade que tornaram agradável a experiência” de estudante.

Apaixonado por viagens, fotografia e pessoas

Um dia, perante a ausência de perspetivas num projeto onde colaborava como engenheiro do ambiente, criou em Aveiro os Trilhos da Terra onde agregou serviços na área ambiental, realizados numa fase inicial, com a fotografia, as viagens e um conjunto de outras atividades complementares.

A pouco e pouco, a fotografia foi tendo mais peso na sua atividade e, no caso da fotografia que faz este antigo aluno do mestrado em Gestão e Políticas Ambientais da UA, o verbo fotografar conjuga-se como verbo viajar.

Bernardo Conde afirma que foi a fotografia que o levou às viagens e, à medida que as viagens se foram sucedendo, foi aprendendo e amadurecendo uma ideia, para além de fotografar: “As viagens dão-nos de beber, saciam-nos a sede de experiências e contactos com pessoas e histórias de vida incríveis”. Ansel Adams, Sebastião Salgado, Steve McCurry entre outros, e mais recentemente, o fotógrafo de atividades de outdoor Chris Burkard, servem-lhe de inspiração. Bernardo Conde carateriza-se a si próprio como “um fotógrafo apaixonado por viagens, fotografia e pessoas”.

Por outro lado, viajar e fotografar como Bernardo Conde os realiza, conjugam-se ainda com uma especial atenção aos aspetos fundamentais da paisagem e com a causa da sustentabilidade que são pilares da sua formação académica: “O fotografar permite-me olhar de forma atenta e cuidada para o mundo, as suas paisagens e as suas gentes”.

Em 2014, abriu, em Aveiro, o Centro de Fotografia Trilhos da Terra, onde instalou a Escola Informal de Fotografia Trilhos da Terra e desenvolve diversas atividades: Sessões de Vídeo para Viajantes, Tertúlias de Viagem, palestras informais de fotografia/cinema/vídeo ou de viagens e o ciclo Music For Travelers, com concertos mensais em que a música ao vivo se articula com a projeção de um vídeo que remete para uma viajem. Este Centro integra várias facetas e funcionalidades relacionadas com formação e prestação de serviços de fotografia e arrendamento de espaços a fotógrafos: estúdio equipado com ciclorama e laboratório de fotografia analógica.

Viajar como viver

Hoje, dedica-se profissionalmente às viagens de descoberta cultural e aventura, contando já no seu portfolio com viagens à Mongólia, Madagáscar, Islândia, Laos, Cambodja, Tailândia, Quénia, Marrocos, Itália, França e à vizinha Espanha, entre outros. Já editou livros e expôs em diversos locais. Entretanto, o antigo aluno da UA tornou-se líder Nomad, Agência de Viagens de Descoberta Cultural e Aventura que organiza viagens com pequenos grupos na perspetiva de proporcionar uma experiência verdadeira, tão próxima da realidade local quanto possível, envolvendo os participantes nos hábitos, costumes e sabores locais, dividindo alojamento, tarefas de quotidiano e participando em rituais enraizados em cada cultura.

Descrevendo telegraficamente as viagens mais marcantes da sua vida, qual guia prático para quem procura aventuras em ambientes invulgares, sugere: Quénia – “Ver e sentir ao vivo os animais que sempre sonhei ver nos locais onde são filmados os documentários”; Caminho Francês de Santiago – “815 km de desafio onde damos uma volta ao mundo por todos os continentes com as pessoas com quem dividimos caminho”; Islândia – “As paisagens mais incríveis com a natureza em estado bruto no país do fogo e do gelo”; Madagáscar – “As pessoas incríveis, as etnias, o fihavanana que as une e que as liga a nós e ainda a biodiversidade única”; Mongólia – “Os povos nómadas e o seu modo de vida, e as nuvens gigantes que criam no deserto e nas estepes sombras que demoram mais de 10 minutos a atravessar de carrinha”.

A próxima viagem, se não surgir nenhuma surpresa, será à Mongólia. Planos para o futuro e trilhos para percorrer ainda há muitos: ir a sítios como o Sudão, Bangladesh, Butão, Sibéria, Alaska, Papua Nova Guiné, Nova Zelândia, Ilhas Faroé, e fazer uma destas três caminhadas: E9 (de Sagres a São Petersburgo), Pacific Crest Trail ou o Apalachian Trail.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 26 da revista Linhas.

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