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Entrevistas
Antigo aluno UA – Pedro Salomé, licenciado em Engenharia Física e doutorado em Física
O futuro (luminoso!) da energia solar pelas mãos de um engenheiro físico
Pedro Salomé
O seu nome é sinónimo que Portugal é um dos líderes na investigação, utilização e divulgação da energia solar. Cientista no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, Pedro Salomé tem por missão introduzir nanotecnologia em células solares de forma a torná-las mais baratas e eficientes na hora de produzirem energia elétrica. Licenciado em Engenharia Física e Doutorado em Física, Pedro Salomé lembra que “a multidisciplinariedade, o rigor e a capacidade de resolver problemas” foram as grandes competências adquiridas na Universidade de Aveiro (UA) que fazem dele, hoje, uma das grandes esperanças num amanhã mais ecológico.

Em 2006 concluiu a Licenciatura em Engenharia Física (atual Mestrado Integrado em Engenharia Física). Cinco anos depois foi altura de terminar o Doutoramento em Física, também no Departamento de Física da UA.  Viajou depois para a Suécia onde foi o líder de um projeto industrial entre a Universidade de Uppsala e a multinacional Corning INC.

Em 2013, com a missão de  trabalhar em nano-estruturas baseadas em calcopirites, mudou-se para o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia http://inl.int/ , em Braga, com uma prestigiada bolsa Marie Curie individual para mobilidade europeia. Hoje, o investigador do Laboratório tem como objetivo introduzir nanotecnologia em células solares para as fazer mais baratas e para melhorar o seu desempenho elétrico.

Muito ativo no desenvolvimento da energia solar em Portugal, fora dos laboratórios Pedro Salomé tem-se desdobrado em palestras em universidades, escolas e empresas onde, para além de divulgação científica, tem tentado ligar a indústria com as várias unidades de investigação do país. Já submeteu três patentes ao gabinete europeu de patentes e tem 49 artigos publicados em revistas internacionais que, de acordo com o Scopus, têm mais de 1600 citações.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Quando chegou a altura de decidir, havia várias notícias publicadas nos jornais nacionais que mostravam que a UA se encontrava bastante bem qualificada. Já na altura os rankings mostravam uma universidade que conseguia atrair bons alunos e que lhes dava boas perspetivas de trabalho. Isso acabou por ser decisivo na minha escolha.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Pelo que percebi, quanto entrei para a Universidade em 2001, o curso de Engenharia Física tinha sido alvo de uma remodelação promovida, em parte, pela ordem dos Engenheiros e, em parte também, pela dinâmica da Universidade em se adaptar a novas saídas profissionais. Essa mudança trouxe bastante “engenharia” ao curso sem deixar de parte uma base muito forte em física aplicada. Adicionalmente, a introdução de uma forte componente em física e matemática com áreas tradicionais de engenharia como gestão, economia, programação, desenho, etc., foi extremamente importante e era exatamente o que eu procurava num curso de engenharia.

A Universidade superou as minhas expectativas pelo empenho dos seus profissionais e pela qualidade dos colegas. Para além das aulas, existe sempre algo interessante a decorrer, seja um concerto de música experimental, uma palestra sobre um tópico muito diverso dado por ilustres convidados, um curso de astronomia ou uma atividade de um grupo de estudantes, etc. Essa é uma dinâmica muito interessante e que me abriu a porta a outros tipos de competências e conhecimentos que não são ensinados numa sala de aula tradicional, mas que são passados na universidade. Acho essa formação paralela tão importante quanto a formação principal.

O que mais o marcou na UA?

Não posso deixar de mencionar o meu orientador, o Professor António Cunha, que obviamente foi a pessoa que mais conhecimento me transmitiu. A Professora Maria Celeste do Carmo, que foi a pessoa que me convenceu a continuar os estudos pós-graduados depois de acabar a licenciatura, tinha sempre um bom exemplo de como a ciência mais fundamental era usada na indústria.

Com o colega Fábio Vinagre http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?c=46933&lg=pt    , com quem partilhei o laboratório, uma conversa poderia começar pela espuma de uma cerveja e acabar no regime de fluxo turbulento de como a cerveja é tirada. Com o colega Emanuel Silva Santos http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?lg=pt&c=35418 , na Associação de Física da Universidade de Aveiro (FISUA), aprendi a comunicar, a gerir e a organizar projetos.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Não. Confesso que ainda hoje tenho muitas dúvidas entre o que realmente quero fazer. É um dos poucos pontos em que me considero totalmente como um millennial: a minha geração dificilmente vai ter a mesma profissão a vida inteira. De qualquer maneira, só no secundário depois de ler alguns livros do Carl Sagan, é que me apercebi que gosto de perceber como as coisas funcionam. Com pequenos passos e sem um caminho programado é que cheguei ao que sou hoje.

Como descreve a sua atividade profissional?

Ser investigador é um trabalho multifacetado, é preciso gerir e planear experiências, comunicá-las, saber como poderão ser úteis para a sociedade, angariar financiamento e negociar propriedade intelectual e projetos com empresas. Adicionalmente, existem milhares de pessoas brilhantes com excelentes ideias e infelizmente não existem recursos para apoiar todas as ideias e toda a gente. Isto significa que o financiamento apenas chega a uma pequena percentagem de todas as ideias e é preciso dedicar uma parte significativa do nosso tempo a angariar recursos de todos os cantos do mundo.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Experiências com resultados inesperados e curiosidade das pessoas mais brilhantes. Como investigador tento fazer suposições pertinentes tentando prever acontecimentos de experiências. Se por vezes adicionar um ponto a uma reta para obter uma maior certeza numa experiência é algo trivial, por outras vezes estamos a trabalhar tão perto do desconhecido em termos científicos que esse novo ponto pode ser uma pequena revolução científica. São esses pontos que me fazem sorrir e que se os explorarmos podem trazer conhecimento inesperado. Trabalhar com as pessoas mais interessadas, brilhantes e curiosas, sejam elas professores reformados ou jovens alunos, que fazem as perguntas mais simples e simultaneamente as mais complexas é algo que me força a ser uma pessoa ainda mais curiosa e ambiciosa em termos de conhecimento.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A multidisciplinariedade, o rigor e a capacidade de resolver problemas foram os pontos mais fortes do meu ensino. As ferramentas e o conhecimento são aspetos importantes, mas sem os pontos anteriores não são explorados na totalidade.

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