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Entrevistas
Antigo aluno UA – Márcio Oliveira, licenciado em Engenharia Física
“Aprendi na Continental que o impossível só demora mais tempo a atingir”
Márcio Oliveira
Não se pode falar da indústria automóvel sem referir a Continental Mabor, um dos principais criadores e fornecedores mundiais de pneus e que tem em Márcio Araújo de Oliveira uma peça chave em Portugal. Diretor de Qualidade da multinacional alemã, qualquer um dos mais de 17 milhões de pneus produzidos pela Continental em Portugal tem a mão do engenheiro físico formado na Universidade de Aveiro (UA). Dono de uma carreira fulgurante com a camisola da Continental vestida, diz que deve o sucesso aos professores da UA que um dia lhe disseram que era mesmo pela engenharia física que iria singrar.

Concluiu em 2004 a Licenciatura em Engenharia Física (atual Mestrado Integrado em Engenharia Física) no Departamento de Física da UA e deu início a uma carreira brilhante com a camisola da Continental. Começou na Direção de Informática e Tecnologias como engenheiro de projetos, seguiu-se uma formação no Centro de Desenvolvimento da Continental, em Hanover, na Alemanha, a chefia do Departamento de Processos e Produto na Direção de Qualidade e o cargo de Diretor de Qualidade da empresa em Timisoara, na Roménia. Regressou a Portugal para chefiar o Departamento da Preparação e, a partir de 2012, assumiu a direção da Qualidade. E tem (ainda!) 36 anos. 

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

O prestígio da instituição, as excelentes condições físicas e a qualidade docente, assim como, a hospitalidade e beleza da cidade de Aveiro.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Completamente. O curso de Engenharia Física está muito bem estruturado, contemplando para além das disciplinas típicas de Física e Matemática, a existência de cadeiras como Gestão ou Electrónica, levando os alunos a criarem bases suficientemente abrangentes que lhes permite rapidamente adaptar a qualquer realidade industrial ou académica.  

A UA superou as minhas expectativas. Tinha ótimas referências da instituição, mas ao frequentá-la tive oportunidade de me deparar com uma realidade surpreendente e tive o privilégio de a ver crescer. Gostaria de realçar em termos macro a estrutura do campus universitário, pois dentro da sua grandeza permite uma proximidade entre todos. Depois a qualidade dos edifícios, donde realço a biblioteca. Os serviços básicos são extraordinários (cantina, bares, residências universitárias, etc.). Por último, a qualidade dos docentes em termos gerais, nos quais destaco os do Departamento de Física que aliam à competência uma qualidade humana assinalável.

A UA é uma instituição voltada e preparada para o futuro e transmite essa cultura aos seus alunos.

O que mais o marcou na UA?

As pessoas extraordinárias com quem tive o privilégio de conviver (colegas e professores). Tenho uma história que simplesmente mudou a minha vida!

Inicialmente estava a tirar o curso de Física e Química (ensino). No segundo ano do curso, depois de uma defesa de nota, o Dr. Fernão Abreu pediu para falar comigo. Disse-me que, na sua opinião, o meu perfil se ajustava melhor ao curso de Engenharia Física e aconselhou-me vivamente a mudar. Mais tarde, a Dra. Celeste do Carmo deu-me o mesmo conselho. Nunca tinha considerado essa hipótese. Após ponderação, decidi mudar. Adorei o curso e lancei-me em busca de oportunidades na indústria. O percurso a seguir já descrevi acima. Hoje, não consigo imaginar a minha vida de outro modo. Tenho a possibilidade de aprender, desenvolver e influenciar numa das maiores empresas criadoras de riqueza do país.

Penso muito nesse momento. O que seria se estas duas pessoas se restringissem ao seu papel de professores? O que seria se não tivessem o cuidado de procurarem orientar os alunos? Julgo que a melhor forma de lhes prestar homenagem é dando o meu melhor todos os dias de modo a que o meu percurso profissional possa dignificar o curso e a universidade. É uma missão que levo muito a sério. Estou-lhes eternamente grato.

Como descreve a sua atividade profissional?

Ser Diretor de Qualidade é fascinante e abrangente. Tenho a oportunidade de influenciar uma organização que produz localmente mais de 17 milhões de pneus por ano e pretende ser reconhecida pelos clientes como o melhor fornecedor de pneus do mundo em termos de qualidade.  Intervimos em todas a fases do processo, através da gestão dos laboratórios, nas análises estatísticas e na promoção da melhoria continua.

Estabelecemos o contacto com os clientes e com os colegas Centrais. O papel mais difícil e simultaneamente mais entusiasmante é promover e enraizar uma cultura de qualidade em toda a organização. Investimos anualmente milhões de euros em novas tecnologias, mas temos sempre presente que são as nossas pessoas que nos diferenciam dos demais.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Dois dos valores da empresa são: liberdade para agir e paixão por vencer. Adoro a liberdade de poder inovar, de liderar projetos que se podem tornar standard no futuro em todas as fábricas do grupo. Fascina-me poder liderar uma equipa que acredita que pode criar aquilo que vai ser a forma de fazer qualidade daqui a 10 anos. Acredito que podemos ter um papel importante em tornar a mobilidade mais segura e confortável. Aprendi na Continental que o impossível só demora mais tempo a atingir.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

O curso de Engenharia Física treina a nossa mente para dois princípios fundamentais: capacidade e estruturação mental para resolver problemas e estabelecer condições fronteira para resolver 90-95 por cento do problema (ou seja, não complicar).

É isto que todas as empresas precisam. Como tal, com este curso, podemos avançar confiantes para qualquer área.

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