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Investigação
Investigação do Núcleo de Modelação Estuarina e Costeira do Departamento de Física
UA estuda dispersão das lamas depois da tragédia do Rio Doce
Os investigadores Martinho Marta-Almeida, Renato Mendes e João Miguel Dias
Construída para acomodar os desperdícios provenientes das minas de ferro da região de Mariana, no estado brasileiro de Minas Gerais, a rotura em 2015 da barragem do Fundão causou um dos maiores desastres ambientais no Brasil. A lama libertada pelo desastre atingiu o Rio Doce e, através deste, o Oceano Atlântico com consequências que só agora conseguem ser quantificadas. Da Universidade de Aveiro (UA), através da análise de imagens de satélite e do desenvolvimento de um modelo numérico que simula a dispersão da água de origem fluvial no Atlântico, chegou uma ajuda importante para perceber o real impacto da tragédia.

O trabalho, um dos primeiros a ser realizado sobre a tragédia do Rio Doce, envolveu os investigadores Renato Mendes e João Miguel Dias do Núcleo de Modelação Estuarina e Costeira do Departamento de Física (DFis) e do Centro de Estudos do ambiente e do Mar da UA em parceria com os investigadores Martinho Marta-Almeida (antigo aluno e investigador da UA), Fabíola Amorim da Universidade Federal do Espirito Santo (também antiga aluna e investigadora da UA) e ainda Mauro Cirano da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Desde a sua publicação na Marine Pollution Bulletin, a mais prestigiada revista sobre poluição marinha, que este trabalho conjunto entre investigadores portugueses e brasileiros esteve várias semanas entre os artigos mais lidos publicados pela UA e foi o mais lido do CESAM.

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Evolução temporal da pluma do Rio Doce depois da chegada ao oceano Atlântico da lama libertada com a rutura da barragem

“O nosso trabalho foca-se no estudo dos padrões temporais e espaciais da dispersão da pluma do Rio Doce no Oceano Atlântico após o acidente”, explica Renato Mendes. O investigador diz que através de um modelo numérico aplicado a esta região costeira, “simulou-se a propagação da pluma do Rio Doce durante dois meses após a lama ter chegado à foz do rio”. Aos resultados das simulações efetuadas no modelo, integrou-se ainda a análise de imagens de satélite para validar os resultados do modelo e avaliar a extensão da pluma.

Além do enorme impacto deste desastre em grande parte do curso continental do Rio Doce, a zona costeira também foi severamente afetada. Este estudo, apontam os investigadores do DFis, “revelou que as águas fluviais resultantes da rotura da barragem poderão ter-se dispersado por centenas de quilómetros, atingindo localizações tão distantes como a plataforma costeira em frente à cidade do Rio de Janeiro”.

Como o movimento da pluma foi essencialmente para sul, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, um dos mais importantes parques marinhos brasileiros, não foi afetado pelo acidente. Porém, sublinha Renato Mendes, “outras zonas protegidas como a Reserva Biológica de Comboios, uma unidade de conservação costeira que protege o único ponto regular de desova de tartaruga-de-couro na costa brasileira, e a Área de Preservação Ambiental da Costa das Algas localizam-se exatamente no centro da região mais afetada”.

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