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Entrevistas
Professor UA – José Manuel Oliveira, Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda
“Estou muito satisfeito com a aposta no Modelo de Aprendizagem Baseada em Projetos”
José Manuel Oliveira
Quando o tema é a aprendizagem com as mangas arregaçadas, que é como quem diz, com os estudantes envolvidos em projetos em tudo semelhantes aos que vão encontrar nas linhas de produção da indústria, José Manuel Oliveira é a pessoa certa para confirmar que é mesmo por aí que se faz o sucesso profissional dos jovens que passam pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA). Apaixonado pelo tema da Educação em Engenharia, o professor de Engenharia Eletrotécnica é mesmo uma das grandes referências nacionais na conceção e implementação do Modelo de Aprendizagem Baseada em Projetos.

Esteve envolvido na coordenação do processo de transição dos cursos tecnológicos da ESTGA para um modelo de Aprendizagem Baseado em Projetos. A ampla experiência tem-lhe valido uma agenda cheia. Nos últimos anos José Manuel Oliveira tem sido permanentemente convidado como orador em eventos nacionais e internacionais e liderado workshops de formação de docentes do ensino superior dedicadas a temas como Estratégias de Aprendizagem Ativa, o Processo de Bolonha, ou Aprendizagem Baseada em Projetos, em instituições portuguesas e estrangeiras.

Referee de várias revistas científicas e conferências internacionais, pertencendo igualmente aos comités científicos de algumas destas conferências, José Manuel Oliveira é membro do Comité Editorial do European Journal of Engineering Education e do Board do SEFI Working Group on Research in Engineering Education.

Formado em Engenharia Eletrónica e de Telecomunicações, está a concluir o Doutoramento em Engenharia Eletrotécnica, numa vertente que envolve metodologias de aprendizagem conceptual em Eletrónica. É professor há 23 anos e está há 19 anos ao serviço dos estudantes da UA.

Qual é o segredo para se ser bom professor?

Vou usar uma definição do Professor John Cowan, que me agrada particularmente, numa tradução livre: “um bom professor é alguém que consegue criar um ambiente do qual um aluno minimamente empenhado não consegue escapar sem aprender alguma coisa”. Eu costumo dizer que não consigo “ensinar” nada a ninguém, mas acredito que consigo criar oportunidades de aprendizagem interessantes para os meus alunos e contribuir de forma ativa para potenciar as suas aprendizagens.

Ser um bom professor não tem propriamente segredos: trata-se de manter uma relação de respeito e interesse pessoal pelos meus alunos, nunca perdendo de vista o que poderão aprender nos contextos de aprendizagem que lhes tento criar.

O que mais o fascina na profissão docente?

Fascina-me o contacto pessoal, a possibilidade de abrir horizontes aos meus alunos, não apenas do ponto de vista técnico (sempre importante para o seu desenvolvimento profissional), mas também do ponto de vista intelectual e pessoal, já que não acredito em profissionais competentes que não tenham uma vertente de competências profissionais e pessoais bem desenvolvidas. Fascina-me a possibilidade de os ajudar a desenvolver o espírito crítico e a capacidade de ter uma visão abrangente do mundo. Neste contexto, encaro a profissão de professor como uma missão, e não apenas como um elemento de transmissão de conhecimentos factuais e técnicos.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes na ESTGA?

Qualifico-a como muitíssimo interessante. Na ESTGA, e em particular no curso de Engenharia Eletrotécnica (onde se centra a minha atividade docente), o modelo de Aprendizagem Baseado em Projetos permite um enquadramento em que os alunos desenvolvem competências técnicas muito práticas e alinhadas com o perfil profissional alvo deste curso, mas também competências profissionais e pessoais que os empregadores valorizam cada vez mais (trabalho em equipa, capacidade de liderança, gestão do tempo, gestão de conflitos, capacidade de abordar projetos ‘fora da caixa’, capacidade de fazer apresentações e de escrever relatórios técnicos de forma eficaz, só para mencionar as mais óbvias). Estas competências traduzem-se numa elevadíssima taxa de empregabilidade e de procura superior à oferta por parte dos empregadores. Para além disso, um número significativo de alunos da ESTGA tem prosseguido estudos ao nível do segundo ciclo (Mestrado), tendo sido muito bem sucedidos na maioria dos casos. Neste contexto, não poderia estar mais satisfeito com a aposta no Modelo de Aprendizagem Baseada em Projetos.

Que grande conselho daria aos alunos?

Mantenham-se de espírito aberto, aproveitem todas as oportunidades de aprender e capitalizem ao máximo as competências transversais que o nosso modelo de ensino vos permitiu desenvolver. O mundo está cheio de oportunidades para as profissões nas áreas da Engenharia....não as desperdicem!!!!

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado?

Muito sinceramente, não! Foi sempre possível encontrar em cada grupo de alunos características interessantes, fatores humanos de enorme valia e um capital de evolução e motivação que me deixa sempre fascinado quanto às possibilidades que o futuro nos abre!

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Tenho tido a sorte de ter recebido alguns testemunhos de ex-alunos que, mesmo não tendo percebido na altura o alcance das atividades que lhes fui proporcionando, têm tido o cuidado (diria quase que carinho, porque é como o sinto) de me fazer sentir que fui importante na sua formação e na sua capacidade de obter certo tipo de empregos e cargos. É muito gratificante sentir que o meu empenho e esforço é reconhecido, nem que “a posteriori”, pelos meus alunos. É o combustível do meu empenho nesta profissão!

descrição para leitores de ecrã
O dia a dia de José Manuel Oliveira não se faz sem dedicar pelo menos algum tempo à família e, já agora, sem um café logo pela manhã

Traço principal do seu carácter

Verticalidade na atuação, o que é diferente de rigidez.

Ocupação preferida nos tempos livres

Que tempos livres? Mas pronto: ler, algumas séries muito 'escolhidas', passar tempo com os meus filhos.

O que não dispensa no dia-a-dia

Algum tempo de conversa em família. E o café matinal, antes de começar a trabalhar.

O desejo que ainda está por realizar

Fiquemos pelas coisas prosaicas: ter um mês inteiro de férias. Já agora, a viajar pela Europa com os meus dois filhos!

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