conteúdos
links
tags
Entrevistas
Professora UA - Maria Luís Pinto, Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território
Ser professor é um desafio constante
Professora Maria Luís Rocha Pinto
Considera-se ativa, assertiva e normalmente bem-disposta. Adora ler, viajar, assistir a reportagens televisivas sobre o mundo e as suas gentes e, por vezes, a transmissões de patinagem artística, ginástica rítmica ou até de atletismo. Maria Luís Rocha Pinto é professora universitária há 36 anos. Na Universidade de Aveiro está há 15 e tem vindo a lecionar demografia, políticas demográficas, políticas públicas e problemas sociais contemporâneos; unidades curriculares que fazem parte dos curricula da licenciatura em “Administração Pública”, dos Mestrados em “Administração e Gestão Pública”, “Ciência Política”, “Estudos Chineses” e “Planeamento Regional e Urbano” e ainda do Programa Doutoral em “Políticas Públicas”.

Começou a sua atividade docente em 1980, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, depois de ter exercido 10 anos uma carreira técnica na Administração Pública.  Durante a carreira docente assumiu também alguns lugares de chefia no Ministério da Educação. Em 2001 passou a integrar a Universidade de Aveiro, onde no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) é Professora Associada e membro da unidade de investigação sobre Competitividade, Governança e Políticas Públicas (GOVCOPP), no grupo de pesquisa dedicado à Política Pública, Instituições e Inovação. É membro do Conselho Geral da Universidade de Aveiro.

Maria Luís Rocha Pinto, 67 anos, é doutorada em Sociologia, especialidade em Demografia, pela Universidade Nova de Lisboa, Mestre em Demografia, pela mesma universidade, e detentora de uma pós-graduação em Demografia Histórica, na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, depois de se ter licenciado em Economia pelo atualmente designado Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.

Participou em vários projetos de investigação financiados. É membro da Associação Demografia Histórica de Portugal e Espanha, que hoje trabalha até à contemporaneidade, da qual foi membro fundador em 1983. Desde 2000 que é presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Demografia (APD), da qual também foi membro fundador. Tem apresentado trabalhos em vários congressos, conferências e seminários, e publicou mais de 50 artigos ou capítulos de livros em revistas especializadas. Em mãos tem agora um novo projeto em conjunto com duas colegas do Departamento de Matemática sobre a temática das migrações internas considerando o todo nacional.

 

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes dos diferentes cursos ministrados pelo Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT)?

Em qualquer dos três ciclos de formação do DCSPT a maior preocupação é aliar uma formação de base sólida, mas abrangente, com uma ligação à realidade socioeconómica ou política, seja ela regional, nacional ou internacional. Ou seja, na licenciatura em Administração Pública pretende-se que os estudantes dominem as teorias e os métodos, mas igualmente os contextos em que se aplicam, promovendo a formação de profissionais que para além de preparados para se inserirem em qualquer organismo da administração pública, nacional ou europeia, possam, com benefício, no setor privado ou no 3º setor ser capazes de lidar com a administração pública, o que é uma realidade para todos. Nestes pressupostos se fundamentou um plano de estudos que, para além das áreas tradicionais em licenciaturas com a mesma designação, fossem inseridas unidades curriculares que permitem uma melhor análise e conhecimento das realidades socioeconómicas do país e da europa, mas também uma introdução, em várias áreas, à análise de políticas.

Ao nível dos mestrados aprofundam-se conhecimentos, que as opções permitem adequar às necessidades ou apetências dos estudantes, nas áreas da Administração e Gestão Públicas, Ciência Política e Planeamento Regional e Urbano. Para além destes, mas não funcionando todos os anos, o mestrado em Estudos Chineses constitui uma aposta que pretende responder a necessidades de formação muito pertinentes no atual contexto.

Dentro das competências existentes no departamento, o doutoramento em Políticas Públicas permite o desenvolvimento teórico e metodológico dos seus doutorandos, de forma a possibilitar um curso de aprofundamento nas áreas da Governação Pública e das Políticas Públicas e posteriormente o desenvolvimento da respetiva tese, quer estes sejam nacionais ou estrangeiros, com destaque para os oriundos de países de língua oficial portuguesa. Também o doutoramento em Ciência Política, em parceria com outra universidade, constitui uma aposta do departamento, mas a que estou menos ligada.

Duas características importantes, e que temos mantido ao longo do tempo, prendem-se por um lado, com a ligação da investigação que fazemos às matérias lecionadas e por outro, com a disponibilidade dos docentes para o diálogo com os estudantes. Duas características que numa política de proximidade têm dado bons frutos, nomeadamente através do Núcleo de Estudantes de Administração Pública, particularmente ativo, e que pode sempre contar com a colaboração dos docentes. Também a abertura dos docentes para um acompanhamento mais individual, sempre que necessário, tem estado presente.

Como define um bom professor?

Um bom professor define-se através de várias características que se devem conjugar. Por um lado, é fundamental uma atualização permanente, quer em termos teóricos, quer ao nível da realidade que corresponda às matérias lecionadas. Por outro, é fundamental ser capaz de envolver os estudantes, cativando-os para as matérias, mesmo quando lhes parecem menos apetecíveis ou interessantes. Encontrar os meios para este processo é um desafio constante, dado que os interesses das várias gerações de estudantes não são as mesmas e vão evoluindo ao longo do tempo. Sinto que os meus colegas mais novos estão hoje melhor apetrechados para criar este interesse do que a minha geração. Os novos dispositivos e meios ao alcance do docente devem ser utilizados nesta motivação e na transmissão da importância das diferentes matérias para a sua formação. A par, o nível de exigência deve sempre ser mantido.

O que mais a fascina no ensino?

O que mais me tem fascinado ao longo destes 36 anos de docência tem sido o acompanhamento do evoluir das diferentes gerações de jovens e simultaneamente o desafio de me adequar a cada momento, sendo capaz quer de criar um espírito aberto e de curiosidade por parte dos estudantes, quer de lhes incutir princípios que o tempo não deve apagar. Tendo a noção de que quer queiramos ou não, cada docente constitui um modelo para os estudantes, tento sempre passar através do meu próprio comportamento, princípios de seriedade e ética, do valor da palavra.

 

Os estudantes de hoje "têm de ser pró-ativos"

Que grande conselho daria aos seus alunos?

Aos meus alunos dou muitos conselhos, às vezes sem dar por ela! Mas o primeiro é que sem trabalho não vão a lado nenhum. Por outro lado, tento incentivá-los à participação nas atividades que vão surgindo, ou a criarem eles mesmos essas atividades, dado que as aprendizagens que se conseguem em atividades fora do âmbito curricular são muito importantes no seu próprio desenvolvimento pessoal e como futuros profissionais, seja em que área for. Atualmente, com as dificuldades que enfrentam no mercado de trabalho, àqueles que estão a terminar o 1º ou o 2º ciclo de estudos o principal conselho é de que não podem ficar sentados à espera de que um trabalho lhe venha parar às mãos. Têm de ser pró-ativos.

Houve alguma turma/grupo de alunos/aluno que mais a tivesse marcado? Porquê?

O que mais me entusiasma é a criatividade aliada ao conhecimento. Neste contexto claro que existem não só turmas, como estudantes que me marcam mais do que outros. Relembro um trabalho de um grupo de alunas, há 2 ou 3 anos, que relativamente às políticas de imigração e asilo na União Europeia, para além de um trabalho estruturado, a respetiva apresentação em sala de aula foi feita através de um vídeo elaborado pelas próprias, em que simulavam uma reportagem de televisão e os próprios refugiados à chegada a uma costa europeia (que era a Ria de Aveiro!). Sobre uma temática séria e da máxima importância no contexto europeu, foram capazes de, de forma inusitada, dar voz e corpo a uma problemática europeia que nos toca a todos.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes

Lecionar não é um mar de rosas, mas as compensações são maiores do que as contrariedades, se mantivermos as portas abertas à boa disposição, aliada à exigência de comportamentos. As aulas ao 1º ano são as mais difíceis, mas também as mais aliciantes, principalmente no 1º semestre. É um momento de alteração de paradigma em relação à escolaridade anterior, mas também o momento em que os estudantes estão mais abertos a mudá-lo. Sem destacar nenhum momento, tem sido ao nível do 1º ano que têm surgido situações, algumas mesmo caricatas, mais complicadas, mas também em que a capacidade de corrigir comportamentos e perceber os novos contextos se revela mais interessante.

Para lá da atividade docente

descrição para leitores de ecrã
Professora Maria Luís Rocha Pinto

Traço principal do seu carácter

Sou ativa, assertiva e normalmente bem-disposta

Ocupação preferida nos tempos livres

A leitura é a minha principal ocupação de tempos livres, embora ver alguns programas televisivos de reportagens sobre o mundo e as suas gentes, assim como algumas transmissões desportivas (ginástica rítmica desportiva, atletismo ou patinagem artística) também possam ocupar o meu tempo livre. Viajar, hoje em dia comodamente e com calma…, e já viajei um bocado de mundo, continua a ser uma ocupação das minhas preferências.

O que não dispensa no dia a dia

Pode parecer prosaico, mas no dia a dia, almoçar com calma tornou-se uma necessidade.

O desejo que ainda está por realizar

Não tenho desejos por realizar… Vivo de desafios e projetos, quer profissionais, quer da minha vida pessoal, a que a reforma próxima vem colocar algumas questões não muito bem resolvidas…

imprimir
tags
outras notícias