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Pedro Sá e Beatriz Costa estiveram nas Honduras com a Operation Wallacea
No reino da rã-de-vidro e do escaravelho-jóia
Pedro Sá e Beatriz Costa aparecem em segundo e sexto lugares, a contar da esq., nesta foto
Durante 15 dias imersos na floresta virgem, ou quase, da América Central, em contacto com mais luxuriante biodiversidade: a rã-de-vidro, que deixa ver os orgãos internos na parte inferior do corpo, o escaravelho-jóia, de um verde ofuscante, ou a borboleta 88, entre muitos outros exemplos que apelam aos limites dos mais excêntricos e criativos. As duas semanas, entre julho e agosto, de Pedro Sá e Beatriz Costa, alunos de Biologia da Universidade de Aveiro (UA) com a organização internacional Operation Wallacea, ficarão na memória dos dois por muito, muito tempo.

Foram duas semanas de jungle training, o derradeiro teste à capacidade de adptação a quem vive num ambiente citadino, e de experiência de campo, em que o trabalho pressupunha o acompanhamento de apoio aos biólogos na recolha de dados pelo interior da selva. Entre o desconforto de não ter acesso a um WC comum, de não poder comunicar com o exterior e não ter sequer eletricidade a maior parte do tempo, e o grande espanto de uma natureza luxuriante, da qual Beatriz enumera alguns exemplos. Uma borboleta com asas transparentes, outra com um “88” marcado nas asas, rãs com partes do corpo transparentes, traças gigantestas, largartos que um Miró poderia ter pintado.  Mas também macacos, salmandras, aves luxuriantes… É o espanto de assistir a verdadeiras pérolas da biodiversidade, quase delírios da natureza.

Há estimativas que apontam para cerca de 8.000 espécies de plantas, 250 répteis e anfíbios, mais de 70.015 espécies de aves e 110 espécies de mamíferos, distribuídos em diferentes regiões ecológicas das Honduras.

Quem vive estas experiência precisa também de saber que o perigo espreita a cada passo, pendurado, por exemplo, nos dentes de uma qualquer cobra, porque uma grande parte delas, no Parque Nacional de Cusuco, é venenosa, salienta Beatriz. Irremediável é o calor e a humidade, ter de suportar um spa permanente, 24 horas sobre 24 horas, comenta Pedro, e alguns momentos em que o céu parece desabar todo na forma de chuva e a trovoada, cheia de raiva, atirando ameaçadores raios que estalam mesmo ao lado.

(Vídeo realizado por Pedro Sá)

Construir redes

A experiência de campo com investigadores de renome mundial, com anos de trabalho a lidar com anfíbios e répteis em ambientes tropicais, é uma oportunidade que Beatriz não poderia perder, dado que é a sua área de eleição na Biologia. Para Pedro, mais inclinado para o tema das alterações climáticas, o trabalho envolveu a aplicação de técnicas de cálculos de emissões de carbono nesta zonas tropicais.

Por outro lado, não esquecem os estudantes da UA, com estas iniciativas ganha-se ainda a oportunidade de conhecer novos rostos e desenvolver contactos com estudantes e cientistas de vários continentes.

Durante meses, Pedro e Beatriz desdobraram-se em iniciativas para reunir apoios suficientes para participarem num campo de trabalho em regime de voluntariado, promovido pela Operation Wallacea, acompanhando trabalhos de investigação ao longo de duas semanas no Parque Nacional de Cusuco, no noroeste das Honduras, o maior campo de trabalho daquela organização internacional. Com residência de família em Esmoriz, Pedro conseguiu o apoio da Comissão de Melhoramentos local e de algumas empresas da área onde reside, e promoveu sessões de educação e sensibilização ambiental,  socorrendo-se ainda da plataforma GoGetFunding, de crowdfunding. Beatriz avançou com a venda de tshirts, com grafismo próprio e os termos “love nature” e “preserving life” inscritos, com bastante sucesso, desenvolveu uma campanha no Facebook e contou ainda com o apoio monetário da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão em troca de um projeto científico, a inventariação dos anfíbios e répteis do Parque da Devesa com o objectivo de colocar placas ao longo do parque com o intuito de mostrar à população as espécies que lá residem e também para as proteger.

A organização Operation Wallacea, mais conhecida por Opwall (http://opwall.com/), é uma rede internacional de investigadores com mais de 20 anos que desenvolve pesquisas em 14 países. Recentemente, a rede alargou-se a Portugal.

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