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Entrevistas
Antigo aluno UA - Patric Figueiredo, licenciado e mestre em Engenharia Mecânica
“Quando se quer ser Engenheiro Mecânico a escolha pela UA é natural”
Patric Figueiredo
É investigador e professor na Universidade RWTH Aachen, a maior universidade de tecnologia na Alemanha. Aos 25 anos, Patric Figueiredo, formado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Aveiro (UA), sente-se duplamente privilegiado. Enquanto investigador tem acesso aos meios mais modernos para desenvolver novos modelos de simulação para fluidos bi-fásicos. E nas salas de aula, ensinar e fazer ciência juntamente com os alunos é um imenso gosto. Realizações que, garante, deve à UA e aos seus professores.

Chegou ao Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA em 2009. Enquanto aluno do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica estudou um ano letivo ao abrigo do programa Erasmus em Maribor, na Eslovénia, e outro como free-mover na Universidade Aachen. Depois de concluída a formação trabalhou como Engenheiro no Departamento de Simulação de uma empresa do ramo automóvel na Suíça tendo como responsabilidade o desenvolvimento de ferramentas numéricas para a simulação do comportamento térmico de motores automóveis.

Em maio 2015 recebeu um convite do antigo orientador da tese de mestrado para voltar a Aachen e ingressar no Departamento de Transferência de Calor da RWTH Aachen University como investigador. Nem pensou duas vezes. Desde essa altura é investigador nesse departamento – onde está a tirar o doutoramento em Mecânica de fluidos computacional - e dedica-se ao desenvolvimento de métodos numéricos no ramo da mecânica de fluídos. Paralelamente leciona a disciplina de Transferência de Calor e de Massa.

Quais os motivos que o levaram a estudar na UA?

Lembro-me que uma vez participei nas olimpíadas da matemática organizadas pela UA e fiquei fascinado com o software que utilizavam, tanto a nível funcional como estético. Sempre gostei do design simplista da UA e da boa funcionalidade dos produtos que com ela relacionamos (não me surpreendeu saber que o SAPO é produto UA). Ora, essa imagem não é mero produto de markting, como mais tarde viria a perceber. A UA é uma universidade moderna. As barreiras de professor-estudantes são muitas vezes inexistentes o que permite que durante os anos de estudo haja até um certo afeto pelos professores a par da admiração pela oferta académica de excelência que estes proporcionam. Outra razão [para vir estudar para a Academia de Aveiro] foi a região de Aveiro em si, que é a capital da indústria metalomecânica. Quando se quer ser Engenheiro Mecânico a escolha pela UA é natural.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Sim e em toda a sua extensão. Recomendo ativamente a UA quer pela sua boa qualidade em matéria letiva, quer pelas boas infraestruturas que tem. Para mim, a UA é uma universidade moderna, aberta e dinâmica regendo-se por critérios de excelência.

O que mais o marcou na UA?

Tenho bem presente alguns momentos de discussão nas aulas teóricas de Termodinâmica Macroscópica com o Prof. Gil Andrade-Campos, do DEM. À parte de me ter marcado como excelente professor que é, acompanhou também os intercâmbios académicos que fiz, com quem sempre pode contar. Lembro-me também do Prof. Fernando Neto, quem culpo pelo interesse que me despertou quando era seu aluno em Engenharia Térmica (disciplina que hoje leciono).

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Desde os tempos da escola que me interesso pelos temas da energia e pelos seus processos de transformação. Estudar na UA permitiu conhecê-los ao pormenor. Hoje tento perceber os pormenores desses pormenores.

Como descreve a sua atividade profissional?

Na minha área de investigação dedico-me ao desenvolvimento de novos modelos de simulação para fluidos bi-fásicos. À parte do meu projeto de doutoramento, estou envolvido num projeto industrial de otimização de métodos de descongelamento de permutadores de calor. Paralelamente, com muito gosto e algum orgulho, sou docente na disciplina de Transferência de Calor e de Massa.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Sinto-me privilegiado em poder fazer investigação num meio moderno tendo acesso a supercomputadores, os quais posso encher de equações à procura de respostas. Cada dia encontro limites quer tecnológicos quer de natureza intelectual. Fazer investigação é sentir que a extensão dos conhecimentos assimilados é, paradoxalmente, uma função decrescente no tempo. Há que ser humilde e perceber que a ciência é, em si, um campo infinito onde apenas lentamente se vai avançando, e isso é fascinante.

Tenho também um gosto imenso em dar aulas. Estar de pé no anfiteatro e ser exposto a questões desafiantes é muito bonito. Fascina-me ver que o interesse pela matéria lecionada é mutuo. Envolver alunos em projetos de investigação, como orientador de tese, é por isso gratificante já que se trabalha com um destino comum: fazer ciência.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

Durante todo o curso de Engenharia Mecânica aprende-se a trabalhar em grupo. Isso é muito importante para o desenvolvimento pessoal. Hoje, como investigador no grupo de Modelação Numérica, noto o quão importante isso é. A par disso, tive a oportunidade de estudar estrangeiro o que me permitir chegar à Alemanha. O espírito internacional da UA foi essencial para poder perseguir uma carreira académica. Hoje dou aulas na melhor universidade tecnológica da Alemanha, e isso, devo-o à UA e aos seus professores.

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