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Entrevistas
Professora UA – Ana Velosa, Departamento de Engenharia Civil
Reabilitação do Património, uma licenciatura para acudir a um país carente de técnicos
Ana Velosa
É uma das mais reputadas especialistas nacionais na área da reabilitação de edifícios. Professora no Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da Universidade de Aveiro (UA), Ana Velosa é uma das responsáveis pelo Mestrado Integrado em Engenharia Civil (MIEC) e pelo nascimento da Licenciatura em Reabilitação do Património (LRP), a primeira em Portugal dedicada à “exigente tarefa da reabilitação de edifícios”. Se a primeira formação está de pedra e cal há quase 20 anos entre as mais bem cotadas do país, a LRP estreou-se no último ano letivo focada num setor do mercado onde os técnicos são poucos e, por isso, não têm mãos para tantas obras.

Docente do MIEC e da LRP onde é, respetivamente, diretora e vice-diretora de curso, Ana Velosa é licenciada e doutorada em Engenharia Civil e mestre em Planeamento do Ambiente Urbano. Professora no DECivil há 16 anos, Ana Velosa é igualmente investigadora na área da reabilitação de edifícios, o que “permite uma interligação com a atividade prática, que se reflete nas aulas”.

Coordenadora do projeto ReabilitaDomus, uma iniciativa da associação Inovadomus centrada na área da reabilitação de edifícios, Ana Velosa é também representante da UA no Projeto SOS Azulejo.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos do DECivil?

Tanto no MIEC como na LRP, a formação encerra uma componente prática relevante, através de trabalhos laboratoriais e visitas de estudo. Sendo uma formação de banda larga, a Engenharia Civil aborda temas tão variados como o cálculo estrutural, a proteção costeira ou a sustentabilidade da construção, entre outros. A nova Licenciatura em Reabilitação do Património tem o objetivo específico de formar profissionais para a exigente tarefa da reabilitação de edifícios, que carece duma intervenção baseada em princípios teóricos e práticos sólidos. Pretende-se que todos os profissionais formados no DECivil tenham capacidade para trabalhar conjuntamente com outras classes profissionais e de adaptação aos novos desafios. Nesse sentido, a formação extravasa a sala de aula e procura criar competências que preparem os estudantes para o futuro. Neste contexto, a “Semana do DECivil” e a ação “Sabes tudo sobre o teu curso?”, ambas organizadas por docentes e estudantes, são momentos da vida académica que promovem momentos de discussão aberta e uma ligação com o exterior.

Qual é o segredo para se ser um bom professor?

Um bom professor? Tive alguns bons professores, bons comunicadores, e outros que só mais tarde percebi terem contribuído de forma relevante para a minha formação. Penso que a função do professor se centra na ajuda à estruturação, ou antes, abertura do pensamento. O bom professor é aquele que fornece ferramentas, mas tem também capacidade para estimular a curiosidade.

O que mais a fascina na profissão docente?

A profissão docente encerra uma exigência especial porque implica, não só uma atualização permanente do conhecimento, mas também uma adaptação contínua das metodologias de ensino. É uma profissão viva, em constante mutação. Para além disso, há uma aprendizagem mútua que se retira da ligação com os estudantes.

Que grande conselho daria aos alunos?

Penso que a curiosidade é, na vida, fundamental. Espero que esta característica, muito presente nos jovens estudantes se mantenha ao longo da vida. Sejam curiosos, mantenham os sonhos vivos, não tenham receio do inalcançável, arrisquem e concretizem.

Houve alguma turma que mais a tivesse marcado? Porquê?

Os estudantes deixam sempre marcas, a interação que temos com eles é uma das grandes vantagens desta profissão. Este ano, após vários anos a lecionar unidades curriculares do 3º e 4º ano, tive a experiência de dar aulas aos primeiros anos (1º e 2º). Foi, de facto, uma experiência especial, que permitiu aferir as necessidades e exigências dos estudantes que entram agora no Ensino Superior, bem diferentes de há alguns anos atrás.

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