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Entrevistas
Antigo aluno UA - Fábio Vinagre, licenciado e mestre em Engenharia Física
Um engenheiro físico numa conquista Continental
Fábio Vinagre
Tem a responsabilidade de dar assistência na integração de hardware para sistemas de tecnologia da informação às 19 fábricas da Continental espalhadas pelo mundo. Licenciado e mestre em Engenharia Física pela Universidade de Aveiro (UA), Fábio Marques Vinagre é hoje uma peça chave na empresa que está entre os cinco maiores fornecedores mundiais da indústria automóvel. Aos 33 anos, o antigo aluno conta já com uma vasta experiência profissional onde se incluem dois anos de trabalho no CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na região noroeste de Genebra, na Suíça.

Ainda era estudante de mestrado em Engenharia Física no Departamento de Física (DFis) e Fábio Marques já abraçava a primeira experiência profissional numa empresa produtora de células solares. Depois do mestrado estar concluído, em 2007, apontou o destino para fora do país. O desejo de ter uma experiência internacional era forte e, por isso, não hesitou quando teve oportunidade de se candidatar a um estágio na Europol, em Haia, como engenheiro de testes de software. Do serviço Europeu de polícia, incumbido do tratamento e intercâmbio de informação criminal, chegou a luz verde e Fábio Vinagre rumou a Haia onde esteve seis meses, tantos quantos a duração do estágio.

Depois da experiência na Holanda decidiu continuar a trabalhar fora de Portugal e candidatou-se ao CERN. “Tive a honra de ser aceite como oficial de transferência de tecnologia, no gabinete de patentes do CERN mas, como sempre gostei mais da área técnica, passados seis meses mudei para o maior detetor do LHC, o ATLAS”, lembra o antigo estudante do DFis. 

Aí, na imensa e sofisticada máquina onde as partículas são aceleradas e guiadas por ação de campos elétricos e magnéticos, num túnel enterrado a 100 metros de profundidade e com a forma de um anel com 27 quilómetros de circunferência, Fábio Vinagre realizou tarefas de coordenador de sistemas de controlo e monitorização do calorímetro, a zona do detector dedicada à medição da energia das partículas resultantes das colisões.

Dois anos depois decidiu regressar a Portugal. Mas o chamamento por experiências além-fronteiras continuava a ser forte. Desta vez, era a Alemanha o país que chamava pela experiência e vontade de Fábio Vinagre. “Tive novamente a honra de ser escolhido para o exigente eXplore trainee program da Continental, em Hannover (Alemanha)”, recorda.

À conquista da Alemanha
Durante seis meses trabalhou com dez pessoas de seis nacionalidades em várias áreas de uma das maiores multinacionais do planeta. Meio ano depois foi colocado no departamento de desenvolvimento de métodos de testes onde realizou uma estadia de três meses em Petaling Jaya, Kuala Lumpur, numa das conhecidas fábricas da marca.

“Depois de cinco anos na investigação e desenvolvimento da Continental decidi que gostaria de seguir um trabalho mais perto da produção e candidatei-me para uma posição em interfaces de sistemas de informação no departamento de engenharia central”. Candidatura entregue, candidatura aceite.

Iniciou a nova missão no dia 1 de fevereiro de 2016. O trabalho que tem agora em mãos é de máxima importância para a Continental: “assistir às nossas 19 fábricas espalhadas por todo o mundo em integração de hardware em sistemas de tecnologias de informação”.

Ao fazer a ligação entre fábricas instaladas em diferentes países, e por isso habitadas por pessoas de diferentes culturas, mas pertencentes a uma entidade central alemã, Fábio Vinagre garante que é numa boa comunicação que reside parte do segredo do sucesso da sua missão. “O melhor conselho que posso dar aos estudantes da UA é para não subestimarem a comunicação”, diz, dirigindo-se à comunidade académica. “A comunicação entre pessoas da mesma língua nativa não é fácil, mas quando envolvemos pessoas com culturas diferentes, conhecimento de línguas limitado e falamos por vezes na terceira língua, a tarefa começa a ficar interessante e desafiante”, diz.

Da UA para o mundo
Escolheu estudar na UA por ser “uma universidade nova, com excelentes instalações e uma boa reputação em cursos de engenharia”. Fábio Vinagre não tem dúvidas: “Pareceu-me na altura, e mais tarde confirmou-se, a escolha mais acertada”.

E o curso de Engenharia Física correspondeu às expectativas? “Sim, o curso de Engenharia Física é ótimo para quem deseja ter alguma formação teórica em Física sem perder a ligação ao mundo empresarial. Trata-se de um curso onde somos ensinados a pensar e a resolver problemas não-standard”, garante.

Mais, Fábio Vinagre recorda que “a Universidade tem um ótimo ambiente e o layout de departamentos espalhados pelo campus alia o melhor da multidisciplinaridade à independência de cada área de estudo”.

Da UA, e do DFis em particular, Fábio Vinagre recorda com especial enfoque o seu orientador de projeto, o professor António Cunha, e Pedro Salomé, o seu colega de laboratório. “O orientador sempre nos permitiu trabalhar de uma
forma independente e estava sempre aberto às nossas ideias”, reconhece o antigo aluno. Uma postura que foi essencial para o sucesso académico e profissional de Fábio Vinagre. “Essa mentalidade permitia o desenvolvimento da nossa responsabilidade e ética de trabalho além de nos tornarmos cada vez mais confiantes e experientes”, reconhece.

Das competências adquiridas na UA que entende terem sido fundamentais para
o exercício da sua atual atividade Fábio Vinagre não tem dúvidas: “a capacidade de resolver problemas multidisciplinares. Neste momento consigo aliar a parte mecânica, elétrica e software sem grandes problemas e penso que sem o percurso curricular de Engenharia Física da UA teria mais dificuldades”.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 25 da revista Linhas.

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