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Entrevistas
Antigos alunos UA – Joana Santos e Hugo Silva, licenciados e mestres em Design
Designers da UA criam mobiliário que conta histórias e desperta emoções
Joana Santos e Hugo Silva
O sofá Valentim. Silva, o relógio com bigodes. Lena, a cama preguiçosa. As mesas de cabeceira Nel e Maria. Bancos, cadeiras, mesinhas, armários ou candeeiros, as peças desenhadas por Joana Santos e Hugo Silva têm um nome e uma história que apelam às emoções, à tradição, à simplicidade e à qualidade de vida. Formados em Design na Universidade de Aveiro (UA), os fundadores da marca DAM juntaram uma grande dose de talento a grandes ideias para termos dentro de casa e criaram uma linha de mobiliário que está a seduzir o mercado internacional.

Com a Licenciatura e o Mestrado em Design pelo Departamento de Comunicação e Arte da UA, a Joana e o Hugo, ambos com 30 anos, criaram a DAM depois de terem ganho, em 2013, o concurso Projecto Original Português da Fundação de Serralves, na categoria mobiliário, com as mesas-de-cabeceira Nel e Maria. A distinção deu força à certeza de que o caminho dos dois passaria por criar uma marca de mobiliário que homenageasse as tradições e os costumes da cultura nacional.

De lá para cá, de concurso em concurso, de feira em feira, de êxito em êxito, as peças do Hugo e da Joana são já uma referência para os profissionais que desenvolvem projetos de interiores nos setores da habitação e hotelaria. Só este ano, 90 por cento das vendas deverão ter como destino o Reino Unido, a Alemanha e a França.

Quais os motivos que vos levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Hugo: Desde cedo quis seguir Design, fiz o secundário num curso tecnológico em Design em Braga, depois foi um passo natural seguir Design na UA.

Hugo e Joana: A reputação do curso e da equipa de professores que o orientava à época era de excelência. Não era todos os dias que aspirantes a designers como nós podiam ser orientados pelos melhores profissionais do mercado.

O curso correspondeu às vossas expectativas? E a UA?

Hugo e Joana: Sim, correspondeu, mas trabalhamos muito para isso. E no nosso caso correu até bem melhor do que pudéssemos pensar. Ano após ano, o nosso envolvimento com atividades na Universidade e fora dela, foi tornando-se mais regular e divertido. Fomos também seduzidos pela cidade e pelo impacto que a Universidade tem sobre ela.

O que mais vos marcou na UA?

Joana: As amizades que se fizeram. As noitadas a fazer trabalhos de grupo. Os contatos que se mantiveram com alguns professores. A interação com alunos de outras formações graças à proximidade de departamentos.

Hugo: Inevitavelmente a exposição UENAUA. São 25 projetos académicos sobre a imagem corporativa da Presidência Portuguesa na União Europeia, de 25 alunos que no final de um 3º ano de licenciatura abdicaram de parte do seu merecido descanso para desenvolver uma exposição que esteve presente na UA e nos Aeroportos Sá Carneiro e Portela. Estes 25 alunos correram atrás de tudo aquilo que era necessário para montar uma exposição sem qualquer tipo de intervenção de professores, apenas com a ambição de mostrar o que tinham feito e de desfrutar dessa experiência. Conseguimos financiamento, um sistema de exposição acessível a muito poucas empresas e todo o tipo de autorizações necessárias para expor num aeroporto, com todos os condicionamentos de segurança que um espaço destes exige. Mas mais importante que tudo isso, tivemos todos de lidar com uma equipa de projeto de 25 pessoas com o mesmo grau de formação. Foi um projeto que nos marcou para a vida, que redefiniu a nossa forma de pensar e de trabalhar em equipa. Todos juntos tivemos de aceitar diferenças e chegar a consensos, sempre com o objetivo bem definido.

Sempre souberam a profissão que queriam seguir?

Hugo: Sim, desde cedo quis ser designer, não tive dúvidas quanto a isso, porque sempre fui fascinado pela criação, pelo projeto e pela experimentação e o design podia combinar isso tudo. O problema vem depois, mas design de quê? ou para quem? O design por definição tem uma abrangência muito grande, porque é uma disciplina projetual. E no meu caso sempre me fez muita confusão focalizar o meu conhecimento numa determinada área de projeto. É certo que hoje temos um conhecimento melhor em determinadas áreas, por consequência dos projetos que nos envolvemos, mas isso nunca nos impediu nem impedirá de participar noutros projetos inesperados.

Joana: Não. Apesar de ter plena noção que me queria dedicar à área das artes, até entrar na Universidade não sabia bem o que queria seguir. Excluí à partida a Arquitetura por não me atrair e sempre gostei de pintura, mas sabia que queria fazer algo mais ao serviço das pessoas. Ainda ponderei Arquitetura Paisagista, mas a experiência de um mês numa licenciatura nesta área fez-me perceber que queria mudar rapidamente para Design. E para ter mais opções de escolha do caminho a seguir e pela sua reputação, o curso de Design de Aveiro foi a escolha óbvia. Depois então vamos tendo diferentes experiências profissionais, umas que nos agradam mais e outras menos, e vamos definindo um rumo.

Como descrevem a vossa atividade profissional?

Hugo: Viciante. Não me aborrece trabalhar. Aborrece-me é muitas vezes estar cansado para trabalhar.

Joana: Envolvente e permanente. Sempre à procura de ideias e soluções. E sem horários rígidos. Eu gosto de dormir as minhas 8 horas. Para se conseguir cumprir objetivos e sonhos não temos de nos privar de descansar. Vemos e conhecemos muito empresários que dormem 4 a 6 horas regulares e em muitas áreas parece que se implementou uma certa ideia de que para se ter resultados positivos temos de nos privar do descanso. O que temos é de ser produtivos naquilo que fazemos, trabalhar em qualidade e não pela quantidade. A nossa atividade depende muito da nossa capacidade de tomar decisões corretas, de avaliar as vantagens e desvantagens de uma determinada solução ou caminho e isso consegue-se trabalhando com gosto e energia.

O que mais vos fascina na vossa atividade profissional

Hugo: O desconhecido e o inesperado, de não se saber o que se vai desenhar a seguir, de experimentar coisas fora da nossa experiência e conhecimento. De criar. Contribuir, ou fazer parte de algo importante para alguém específico ou para uma civilização inteira. Desde sempre, as várias civilizações tiveram homens e mulheres que ao longo da história da humanidade exerceram o fascínio pelo projeto de criação e ajudaram a construir tudo o que conhecemos e somos capazes de compreender e nós somos mais dois nessa sucessão de “artistas”.

Joana: Projetar para as pessoas. Perceber onde querem chegar e com que mensagem e depois materializarmos isso, tornarmos possível e chegarmos ainda a mais pessoas. Ver que a mensagem passou. Ver o sorriso de satisfação quando os outros vêm as nossas soluções.

Que competências adquiridas na UA entendem terem sido fundamentais para o exercício da vossa atual atividade?

Hugo e Joana: A capacidade de dar resposta a um conjunto amplo de desafios, útil tendo em conta as alterações constantes do mercado. A autonomia para ultrapassar problemas. A perceção do design como ferramenta não só de comunicação, mas também de estratégia. A capacidade de desenvolver o exercício do “conceito” como pilar estrutural de tudo o que se cria.

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